Quando viajo, tenho o hábito de andar de táxi. Em geral, são carros coloridos — como os “cabs” amarelos de Nova York — com que
fazemos sinais com as mãos ou, às vezes, o pegamos em pontos fixos de muito
movimento.
Como todo a economia é competitiva, surgiu
uma nova modalidade de transporte: o carro por aplicativo, fruto da tecnologia e
embutida no celular, que chega onde você está, traz o preço pré-definido e cobra
automaticamente no cartão de crédito. Tenho vivido experiências surpreendentes ao
utilizá-lo.
Ao contrário dos pequenos e elegante
táxis pretos que circulam pelo Japão — com motoristas experientes vestindo
terno preto e luvas brancas —, os inúmeros motoristas de carros de aplicativo
surpreendem. Em sua maioria, trabalham para complementar a renda pessoal, não
sendo a atividade principal. Seus carros não seguem um padrão, assim como a
apresentação pessoal dos motoristas. A diversidade reina absoluta.
Pode ser bom, ou ruim. Agradar ou não.
Essa nova atividade é exercida por quem não é profissional, e um aplicativo
determina sua rotina. Cada embarque é uma experiência diferente: desde um
veículo bem cuidado ou sujo, motorista atento, corredor de Fórmula 1, cantor,
simpático ou arrogante, comediante e até curioso.
Em Aracaju, o motorista de um pequeno carro
simples, em um percurso curto, assumiu o papel de guia turístico, exaltando sua
cidade. Questionado sobre a segurança da região, foi certeiro: “aqui, só se
comete crime uma vez; se houver a segunda vez, o cabra morre”. Para nossa
sorte, assim que ele disse isso, estávamos chegando ao destino.
No aeroporto de Singapura, houve uma
motorista bem simpática, com uma minivan preta — multi-purpose vehicle (mpv) —,
bem cuidada, confortável, com portas e poltronas automáticas, parecendo a primeira
classe de um avião. Fez questão de acomodar as malas dentro do veículo, perguntou
sobre a preferência de música, sobre minha procedência e informou o tempo
estimado até o hotel. Sentindo-me quase um rei, observei, confortavelmente, a
rica vegetação da cidade.
Já em Houston, percebi a chegada do carro
de aplicativo pelo som do motor antes de vê-lo. Ainda amanhecia, certamente ele
despertou muitos vizinhos. Era uma picape RAM preta, cabine dupla, com rodas de
aro cromado. O motorista, gentil e simpático, era um
cara forte, barbudo, tatuado, vestia camisa preta e anéis prateados. Acomodou
rapidamente as malas na caçamba e seguiu ao aeroporto. E adivinha que estilo de
música tocava na picape? Rock. Ao saber que era do Brasil, sorriu e revelou que
a brasileira Sepultura era sua banda favorita.
Quando viajar, considere utilizar os
carros de aplicativo. Certamente você terá histórias interessantes para contar.
Agosto 2025
Marcos A F Franco







