terça-feira, 26 de agosto de 2025

Carros Desaplicados

Quando viajo, tenho o hábito de andar de táxi. Em geral, são carros coloridos — como os “cabs” amarelos de Nova York — com que fazemos sinais com as mãos ou, às vezes, o pegamos em pontos fixos de muito movimento.

Como todo a economia é competitiva, surgiu uma nova modalidade de transporte: o carro por aplicativo, fruto da tecnologia e embutida no celular, que chega onde você está, traz o preço pré-definido e cobra automaticamente no cartão de crédito. Tenho vivido experiências surpreendentes ao utilizá-lo.

Ao contrário dos pequenos e elegante táxis pretos que circulam pelo Japão — com motoristas experientes vestindo terno preto e luvas brancas —, os inúmeros motoristas de carros de aplicativo surpreendem. Em sua maioria, trabalham para complementar a renda pessoal, não sendo a atividade principal. Seus carros não seguem um padrão, assim como a apresentação pessoal dos motoristas. A diversidade reina absoluta.

Pode ser bom, ou ruim. Agradar ou não. Essa nova atividade é exercida por quem não é profissional, e um aplicativo determina sua rotina. Cada embarque é uma experiência diferente: desde um veículo bem cuidado ou sujo, motorista atento, corredor de Fórmula 1, cantor, simpático ou arrogante, comediante e até curioso.

Em Aracaju, o motorista de um pequeno carro simples, em um percurso curto, assumiu o papel de guia turístico, exaltando sua cidade. Questionado sobre a segurança da região, foi certeiro: “aqui, só se comete crime uma vez; se houver a segunda vez, o cabra morre”. Para nossa sorte, assim que ele disse isso, estávamos chegando ao destino.

No aeroporto de Singapura, houve uma motorista bem simpática, com uma minivan preta — multi-purpose vehicle (mpv) —, bem cuidada, confortável, com portas e poltronas automáticas, parecendo a primeira classe de um avião. Fez questão de acomodar as malas dentro do veículo, perguntou sobre a preferência de música, sobre minha procedência e informou o tempo estimado até o hotel. Sentindo-me quase um rei, observei, confortavelmente, a rica vegetação da cidade.

Já em Houston, percebi a chegada do carro de aplicativo pelo som do motor antes de vê-lo. Ainda amanhecia, certamente ele despertou muitos vizinhos. Era uma picape RAM preta, cabine dupla, com rodas de aro cromado. O motorista, gentil e simpático, era um cara forte, barbudo, tatuado, vestia camisa preta e anéis prateados. Acomodou rapidamente as malas na caçamba e seguiu ao aeroporto. E adivinha que estilo de música tocava na picape? Rock. Ao saber que era do Brasil, sorriu e revelou que a brasileira Sepultura era sua banda favorita.

Quando viajar, considere utilizar os carros de aplicativo. Certamente você terá histórias interessantes para contar. 

 

Agosto 2025

Marcos A F Franco

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...