Algo me dizia que coisas diferentes e
interessantes iriam acontecer. Na chegada a Houston, quando peguei minha mala na
esteira, com uma das rodinhas quebradas, pensei: “só me faltava essa”, mas, como
diz o ditado: “a males que vem para o bem”.
Ao pegar o ônibus do aeroporto para o centro
da cidade, percebi que só o motorista estava a bordo. Foi uma viagem particular
em um imenso veículo, luxo total por apenas um dólar!
O hotel ficava ao lado da YMCA —
Associação Cristã de Moços, entidade internacional, nascida em Londres, que tem
por objetivo o desenvolvimento juvenil —, onde, em Santos, pratiquei basquete e
teatro. Além de relembrar bons momentos do passado, pude fazer minha natação
internacional de graça.
Mesmo debaixo de chuva, embarquei no VLT
americano e fui conhecer o belo, bem concebido e bem cuidado Museu de Ciências
Naturais. Lotado de crianças, conheci minerais de todo o mundo,
inclusive do Brasil.
No café da manhã, aprendi a fazer waffles
no hotel. Você enche um copo de 200 ml com a massa, à base de farinha e ovos, despeja
em cima do ferro redondo xadrez, fecha, vira e pronto. Após dois minutos, é só
derramar syrup, o mel canadense, e se deliciar com a fofura da massa. É comum
em qualquer hotel americano e canadense.
Visitando a NASA, senti-me um astronauta
em treinamento para o programa espacial. Vivi uma experiência de realidade
virtual, como se estivesse a bordo de uma nave. Vi inúmeros veículos
utilizados, inclusive para o pouso na lua, da época em que eu era
criança. Lembrei, que em julho de 1969, assisti à televisão, em preto e branco,
Neil Armstrong, parecendo um boneco, encapsulado em roupa especial, pulando
lentamente no piso do satélite dos namorados.
De malas prontas para embarcar rumo ao
próximo destino, chamei um Uber. Ainda bem cedo, encostou uma picape RAM cabine dupla, de cor preta e com rodas
cromadas, fazendo barulho como se fosse uma banda de rock, agitando a vizinhança.
O motorista, gentil e simpático, era um cara
forte, barbudo, todo tatuado, usava camisa preta e anéis prateados. Ele acomodou rapidamente as malas na carroceria da picape e seguiu para o
aeroporto. E adivinhe: que estilo de música tocava na picape? Claro, era
rock. Assim que soube que era do Brasil, abriu um largo sorriso e confessou
que a brasileira Sepultura era sua banda favorita.
Apesar do nome sombrio, sepultura, que remete
ao solo, fez me sentir no céu. O motorista americano continuou a viagem relembrando
sua passagem pelo Brasil.
Agosto 2025
Marcos A F Franco

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