Lembro da primeira excursão que fiz. Foi
em um dia chuvoso. Minha escola — adolescentes da turma do ginásio — foi
visitar uma exposição de aviões na Embraer, em São José dos Campos, minha terra
natal.
Os guias eram dois professores, que nos
acompanhavam. Não sei dizer se todos gostaram mais da farra dentro do ônibus ou
da exposição em si.
Pouco mais de 50 anos depois, agora em outro
século, fiz a última excursão. Durante uma viagem à gelada cidade de Calgary,
no Canadá, em um dia ensolarado, fui conhecer os belos lagos do Parque Nacional
de Banff, a 130 quilômetros de distância. O micro-ônibus branco da excursão
estava lotado, transportando 28 pessoas de vários países, além de Bally — o
simpático guia turístico e motorista.
Ele aparentava ser de origem asiática e ter
40 anos. Bally, com seu olhar afiado, segurava seu celular, que parecia uma
extensão de sua mão — era como um assistente presente e atento. Após rápida checagem
e apresentações, ele fez uma preleção sobre segurança e compartilhou detalhes
sobre a viagem.
Como recordação especial e não prevista
neste passeio, ainda no início, e por questões de segurança da polícia
canadense, nosso ônibus foi parado subitamente na autoestrada, quase na entrada
da cidade de Kananaskis. Fomos sorteados para observar a passagem de 10 grandes
carros pretos, acompanhados por batedores especiais, transportando os líderes
mundiais do G7 para sua reunião anual.
Após o susto, seguimos nossa viagem e
fomos surpreendidos por uma gravação de áudio sobre o Parque Nacional de Banff
e nossa primeira parada. O parque está localizado na província de Alberta e tem
muita influência indígena. Era a voz de Bally, mas não era ele quem falava, o
que seria normal. No entanto, a mensagem se repetia em todos os idiomas dos passageiros
do ônibus, incluindo seus nomes. Coisas da Inteligência Artificial. Senti-me em
um carro com motorista particular.
Em nenhum momento o nosso competente
guia falou enquanto dirigia, demonstrando cuidado com nossa segurança. Após as
paradas em cada um dos 9 deslumbrantes lagos, ele transmitia pacientemente as
orientações sobre segurança, trilhas e horários.
Percorremos aproximadamente 400
quilômetros em 13 horas, passando por autoestradas, estradas vicinais
estreitas, subindo e descendo montanhas sinuosas e cobertas por neve, sem
nenhum imprevisto. O cuidadoso Bally ainda ajudou uma senhora do grupo que,
infelizmente, escorregou em uma pedra molhada e se machucou, batendo o seu
rosto no chão. Ele a levou a um posto de atendimento médico, sem abalar o grupo
e prejudicar o confortável passeio.
Antes de embarcarmos para o retorno, em
um cenário cinematográfico, Bally reuniu o grupo para tirar a foto oficial, utilizando-se
de um controle remoto para incluir-se na foto. Minutos depois, a foto estava salva
nos celulares de cada turista.
Várias vezes ouvi comparações com o
futebol de que pessoas competentes precisam saber cruzar e, ao mesmo tempo,
cabecear a bola para dentro do gol. Bally é um desses profissionais, eficaz em
sua profissão. Tinha resposta e solução para tudo e para todos.
Bally me proporcionou prazer de admirar e
registrar em fotos, alguns lagos e paisagens deslumbrantes, como Lake Louise,
Moraine, Peyto, Emerald, Bow, entre outros.
Ao final, todos, embora famintos, fomos
recebidos em Calgary por uma garoa fina e gelada. Ainda assim, ninguém esqueceu
da gorjeta extra para Bally.
Quem entende as necessidades dos
clientes e se dedica a oferecer o melhor, é capaz de realizar feitos
extraordinários e, ainda por cima, aumentar seu faturamento.
Agosto 2025
Marcos A F Franco
Publicada no Jornal A Tribuna de Santos em 29/10/2025

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