quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Turista Tropical em Terras Glaciais

O vento gelado tocava insistentemente meu rosto — a única parte desprotegida do meu corpo — na inóspita terra dos salmões, ursos e baleias. Um terrível desafio para um turista tropical e idoso: sobreviver às montanhas congeladas, em pleno verão do Alasca.

Desta vez, viajei literalmente dentro de um cartão postal!

Apesar das inúmeras dificuldades e condições extremas, o 49º estado americano, com seus 750 mil habitantes, extrai petróleo, prata e ouro de suas terras, e mantém uma forte indústria de pesca e turismo.

O sol me recebeu assim que desembarquei em Anchorage, a maior cidade do Alasca. Aliás, ele — o sol — extremamente vaidoso, aparece por cerca de 18 horas diárias no verão. Já a noite, insiste em não desaparecer por completo, deixando uma pequena fresta, como que para não ser esquecido.

É impossível não avistar montanhas em qualquer parte do Alasca. A grande maioria delas está envolta em neve e gelo. Andando de trem, ao redor dessas formações é como estar entre grandes sorvetes.

A sinuosa ferrovia Alaska Railroad se estende por quase 800 quilômetros. Em cinco horas, percorri 200 km de trem, contornando geleiras, margeando o mar, atravessando túneis, fotografando animais, pássaros, pedras e pequenas comunidades em meio à natureza selvagem. Algo bem diferente de nosso cotidiano — e, ao mesmo tempo, encantador.

Em Seward, pequena cidade e porto turístico, pude ver um cenário cinematográfico. Admirei uma marina de barcos com montanhas ao fundo, do outro lado do braço de mar, enquanto o sol tentava derreter a neve sobre elas.

No dia seguinte, já a bordo de um navio de cruzeiro, o sol foi descansar. Por 24 horas, os deuses daquele mar decidiram balançar nosso navio e obstruir nossa visão com chuva e neblina. Dali em diante, fomos premiados com milhares de imagens deslumbrantes, navegando por centenas de fiordes. Por mais que o cenário se repetisse, ele nunca era igual. A cada minuto, o navegar do navio proporcionava um novo ângulo das montanhas geladas.

Diariamente, um novo porto nos era apresentado: passamos por Juneau, a capital, Skagway e Ketchikan, até chegar à maravilhosa Vancouver. Cada pequena cidade, preservada em seus estilos originais de séculos atrás, oferecia atrações desde passeios de aventura, churrasco de salmão, observação de baleias e ursos, voos de hidroavião, trilhas, teleférico para subir montanhas e lojas de roupas típicas, pedras preciosas e joias.

Visitando uma pequena loja de artesanato, o simpático senhor proprietário, ao ver o gorro e casaco que eu vestia, disse ironicamente para eu não me preocupar — mais tarde faria muito calor. A temperatura chegaria a 13 graus. E acredite: zero grau, para os nativos, é motivo de festa e de andarem pelas ruas sem camisa.

Ao final, pisando em terras firmes canadenses, trouxe gravadas em minha mente magníficas paisagens — e, no corpo, uma forte gripe que insistiu em me acompanhar por cinco longos dias.

Agosto 2025

Marcos A F Franco


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...