O vento gelado tocava insistentemente
meu rosto — a única parte desprotegida do meu corpo — na inóspita terra dos
salmões, ursos e baleias. Um terrível desafio para um turista tropical e idoso:
sobreviver às montanhas congeladas, em pleno verão do Alasca.
Desta vez,
viajei literalmente dentro de um cartão postal!
Apesar das
inúmeras dificuldades e condições extremas, o 49º estado americano, com seus
750 mil habitantes, extrai petróleo, prata e ouro de suas terras, e mantém uma forte
indústria de pesca e turismo.
O sol me
recebeu assim que desembarquei em Anchorage, a maior cidade do Alasca. Aliás,
ele — o sol — extremamente vaidoso, aparece por cerca de 18 horas diárias no
verão. Já a noite, insiste em não desaparecer por completo, deixando uma
pequena fresta, como que para não ser esquecido.
É impossível
não avistar montanhas em qualquer parte do Alasca. A grande maioria delas está
envolta em neve e gelo. Andando de trem, ao redor dessas formações é como estar
entre grandes sorvetes.
A sinuosa
ferrovia Alaska Railroad se estende por quase 800 quilômetros. Em cinco horas,
percorri 200 km de trem, contornando geleiras, margeando o mar, atravessando
túneis, fotografando animais, pássaros, pedras e pequenas comunidades em meio à
natureza selvagem. Algo bem diferente de nosso cotidiano — e, ao mesmo tempo, encantador.
Em Seward,
pequena cidade e porto turístico, pude ver um cenário cinematográfico. Admirei
uma marina de barcos com montanhas ao fundo, do outro lado do braço de mar, enquanto
o sol tentava derreter a neve sobre elas.
No dia
seguinte, já a bordo de um navio de cruzeiro, o sol foi descansar. Por 24 horas,
os deuses daquele mar decidiram balançar nosso navio e obstruir nossa visão com
chuva e neblina. Dali em diante, fomos premiados com milhares de imagens deslumbrantes,
navegando por centenas de fiordes. Por mais que o cenário se repetisse, ele
nunca era igual. A cada minuto, o navegar do navio proporcionava um novo ângulo
das montanhas geladas.
Diariamente,
um novo porto nos era apresentado: passamos por Juneau, a capital, Skagway e Ketchikan,
até chegar à maravilhosa Vancouver. Cada pequena cidade, preservada em seus
estilos originais de séculos atrás, oferecia atrações desde passeios de aventura,
churrasco de salmão, observação de baleias e ursos, voos de hidroavião, trilhas,
teleférico para subir montanhas e lojas de roupas típicas, pedras preciosas e
joias.
Visitando uma
pequena loja de artesanato, o simpático senhor proprietário, ao ver o gorro e
casaco que eu vestia, disse ironicamente para eu não me preocupar — mais tarde
faria muito calor. A temperatura chegaria a 13 graus. E acredite: zero grau,
para os nativos, é motivo de festa e de andarem pelas ruas sem camisa.
Ao final,
pisando em terras firmes canadenses, trouxe gravadas em minha mente magníficas
paisagens — e, no corpo, uma forte gripe que insistiu em me acompanhar por
cinco longos dias.
Agosto 2025
Marcos A F Franco

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