Sempre tive curiosidade em conhecer
Bali.
Recentemente, visitei essa vibrante ilha
da Indonésia, repleta de cultura e espiritualidade. Ainda no voo, ao me
aproximar do destino, avistei os seus 5,6 mil quilômetros quadrados de extensão
— o dobro da área da Baixada Santista, em São Paulo. Seu formato lembra a de um
simpático pacu verde, brincando em pleno Oceano Índico.
Suas praias são paradisíacas — desde
aquelas de longas faixas de areia branca até as que exibem morros e pedras de
formações vulcânicas, esculpidas pela natureza exibindo verdadeiras obras de
artes. Além de milhares de turistas que viajam longas distâncias para
aproveitar esse paraíso, surfistas do mundo todo deslizam sobre suas ondas
verdes e azuis, como se estivessem em perfeita sintonia com o mar, fazendo
parecer uma conversa amigável entre ambos.
A vegetação das montanhas é exuberante, repleta
de árvores frutíferas, como mangueiras, bananeiras, goiabeiras, jaqueiras,
coqueiro e palmeiras de palmito. Seus habitantes cuidam carinhosamente das
árvores e flores, com destaque para os hibiscos, frangipanis, orquídeas e
outras espécies coloridas, cultivadas e utilizadas frequentemente em oferendas
religiosas.
Um dos cartões-postais de Bali são os
terraços de arroz, parte essencial da paisagem da ilha. Eles são mantidos por
meio do sistema de irrigação tradicional chamado Subak, reconhecido como
Patrimônio Mundial pela UNESCO. Esse sistema utiliza canais, túneis e represas
para distribuir a água das montanhas até os arrozais, garantindo uma irrigação
eficiente e sustentável. Sua administração é coletiva, sendo gerida por
cooperativas formadas pelos agricultores locais.
Cheguei a Bali pelo aeroporto de Denpasar,
localizado na cidade de mesmo nome, a maior da ilha, com densidade populacional
de 736 habitantes por quilômetro quadrado. Com seus 3 milhões de habitantes, a
cidade pulsa intensamente, como se fosse a corrente sanguínea da ilha, conduzindo
o oxigênio da paz por todos os cantos.
A caminho do hotel, de dentro do
automóvel, contemplei as centenas de árvores, plantas e flores que acalmam e
protegem os motoristas do intenso sol. Em meio ao tráfego disputado por incontáveis
pequenos carros e motocicletas, a vegetação oferece sombra e frescor. As ruas são
estreitas, sinuosas, bem arborizadas, com pequenas elevações e trechos irregulares.
Mais do que a beleza natural da ilha, a
simpatia dos balineses é uma de suas características mais marcantes. Em
qualquer interação, estão sempre presentes o sorriso e o gesto hindu de inclinar
a cabeça com as mãos unidas em sinal de respeito. São pessoas simples e
humildes.
Bali também é conhecida como a “Ilha dos
Mil Templos”, ela abriga cerca de vinte mil templos espalhados por toda a
região. O hinduísmo predomina entre noventa por cento da população e se
manifesta de uma forma visível no dia a dia, especialmente nas oferendas
diárias, que podem ser feitas em qualquer local — calçadas, portas de lojas ou dentro
de casa. As oferendas deixadas no chão têm a função de afastar os espíritos
ruins. Portanto, o melhor é não as incomodar.
São pequenas cestas quadradas feitas de
folhas de coqueiro, repletas de flores acompanhadas de uma variedade de oferendas
para os deuses, sempre cobertas por um único incenso fumegante. Em sua
simplicidade, essas oferendas modestas, mas delicadamente elaboradas, simbolizam
a fusão única do hinduísmo de Bali.
De modo geral, as oferendas de comida e
bebida aos deuses visam apaziguá-los, agradecê-los e/ou pedir pela
manutenção da ordem e prosperidade em vida.
Assim que cheguei ao hotel e contemplava
um maravilhoso pôr do sol, no topo de um penhasco — um contraste entre o mar
azul e os diversos tons de amarelo de um imenso sol — fui surpreendido por uma grande
onda que ousou me cobrir, se misturando à bebida do meu copo e, naturalmente,
molhando toda minha roupa. Foi uma saudação especial e refrescante.
É preciso tempo para vivenciar a
presença dos deuses que habitam cada canto desse paraíso, cuidadosamente
preservado pelos balineses.
Fevereiro 2025
Marcos A F Franco

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