quinta-feira, 6 de novembro de 2025

A Liderança que Constrói


         Às vezes, encontro pessoas que assumem cargos de liderança antes mesmo de perceber o quão transformadora essa jornada pode ser. Para alguns, parece fácil desempenhá-la, enquanto outros descobrem desafios grandiosos — são caminhos preciosos, que nos convida a crescer e nos reinventar.

A liderança é muito mais do que ocupar um cargo ou exercer autoridade; é uma arte que transforma ambientes, pessoas e resultados. Ela combina habilidades interpessoais e visão estratégica. O líder é aquele que constrói, inspira e guia sua equipe rumo ao sucesso, agindo como uma bússola e motivando. Liderar é, acima de tudo, influenciar positivamente, promovendo crescimento e realização coletiva.

Um dos segredos para exercer a liderança de forma memorável é saber delegar. Muitos líderes cometem o erro de centralizar tarefas, o que limita o potencial da equipe e leva ao esgotamento. Delegar não significa abandonar responsabilidades, mas sim confiar nos colaboradores, oferecendo autonomia e oportunidades de desenvolvimento. Essa confiança mútua fortalece o grupo e permite ao líder focar em questões estratégicas, ampliando o impacto de sua atuação.

Outro aspecto essencial é o ambiente de trabalho. O líder eficaz cria um espaço seguro, inclusivo e estimulante, onde todos compartilham ideias, aprendem com os erros e crescem. Esse ambiente favorece a sintonia da equipe, promovendo colaboração e harmonia. O líder atua como maestro, potencializando resultados.

O exemplo é o cerne da liderança. Mais do que palavras, são as atitudes que inspiram. O líder deve ser o primeiro a praticar os valores e a ética que espera dos outros, demonstrando integridade, dedicação e resiliência, especialmente em momentos de crise. Essa postura confere autoridade moral e serve de referência para a equipe.

Dar direção e propósito ao trabalho é outro papel fundamental do líder. As pessoas precisam entender o significado do que fazem e como suas ações contribuem para objetivos maiores. Quando o propósito é claro e inspirador, a motivação cresce e o engajamento se fortalece. O líder eficaz conecta tarefas cotidianas à missão da organização, transformando o “o quê” e o “como” no “porquê”.

Por fim, liderar é inspirar. A inspiração é a chama que desperta paixão e excelência, alimentada pelo carisma e pela capacidade de se conectar genuinamente com as pessoas. O líder inspirador comunica sua visão com entusiasmo, faz cada indivíduo se sentir valorizado e parte de algo grandioso, transformando seguidores em embaixadores.

Em resumo, a liderança é uma jornada contínua de autodesenvolvimento e serviço, onde o maior sucesso é o crescimento e a realização da equipe.

Marcos A F Franco

Outubro 2025


Do Troco do Pão ao Tesouro Pessoal

Tudo começou em uma mercearia antiga de cidade pequena, onde bar, padaria, restaurante e mercado se integravam. O aroma da corda de fumo se misturava ao do café. Eu, ainda criança, ia comprar pão para as tias, usando calças curtas. Foi ali que aprendi as primeiras lições sobre dinheiro.

É nesse ambiente, com a cédula amassada na mão da criança, que se planta a semente de uma vida adulta mais próspera. Ensinar crianças a lidarem com o dinheiro não é para transformá-las em mini investidores, mas em cidadãos conscientes e preparados para o futuro.

Robert Kiyosaki em "Pai Rico, Pai Pobre", ensina a diferença, entre ativos e passivos, a fazer o dinheiro trabalhar para nós. Para uma criança, isso pode ser assim: se ela gasta R$ 5,00 no pão, esse dinheiro desaparece (passivo). Mas se ela guarda R$ 1,00 desses R$ 5,00 no cofrinho para comprar algo maior depois (ativo), a história muda. O cofrinho se torna uma poupança promissora na mente infantil. Cada dinheiro que ela coloca dentro dele é uma conquista. Seja ele uma lata decorada, um porquinho ou mesmo uma conta bancária.

George S. Clason, em "O Homem Mais Rico da Babilônia" ensina a regra de ouro: “pague a si primeiro”. Se ensinarmos a criança a separar dez por cento de qualquer dinheiro que ganhe, ela terá um futuro melhor.

A matemática lúdica e prática de Malba Tahan, em "O Homem que Calculava", mostra que as contas podem ser divertidas e úteis. A ida à padaria é um laboratório: o pão custa R$ 1,50. Se tenho R$ 5,00, quanto sobra de troco? Se comprar dois pães, dá para comprar uma bala? É o cálculo em ação! É matemática na realidade!

Mais do que apenas dar o troco exato ou comprar o que se deseja imediatamente, a educação financeira para crianças ensina a ter paciência e planejar. Se a criança economiza o troco do pão por uma semana, ela pode comprar a figurinha ou o brinquedo que tanto quer, em vez de gastar em algo impulsivo. Assim, aprende a esperar e valorizar o dinheiro como um recurso que cresce e realiza sonhos.

Não se trata de criar gênios das finanças, mas de libertar a próxima geração das armadilhas da dívida e do consumo por impulso. As lições da padaria, do cofrinho e do planejamento são a base para que, no futuro, esses pequenos compradores de pão construam suas próprias Babilônias. A semente de um futuro financeiro saudável é plantada desde criança, muitas vezes, no cheiro do pão quentinho!


Marcos A F Franco

Outubro 2025

             Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 01/01/2026

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Herói Invisível

Ao refletir sobre a definição de um herói como uma pessoa corajosa, valente, altruísta, que supera adversidades e desafios para proteger os outros e, muitas vezes, deixa um legado inspirador, lembrei-me de alguém que fez parte da minha vida por muitos anos.

Ele era natural de Santos, filho de um simples lusitano oriundo da Batalha. Talvez essa palavra o tenha instigado, desde pequeno, a vontade de superar inúmeras dificuldades. Com seus pais, aprendeu o valor do trabalho árduo e, através da religião, foi atraído para os estudos, tendo desenvolvido uma vasta cultura.

No dia em que ele escolheu passar para o outro plano, às vésperas da primavera, o sol brilhava, e o vento característico fazia as folhas secas caírem das árvores. Ele aguardou a noite chegar e, em silêncio, partiu para uma dimensão superior. Era típico dele, um homem humilde, desprovido de vaidade, que se orgulhava de sua família e do trabalho que realizava com dedicação e qualidade.

Como educador, conquistou milhares de pessoas com sua dedicação, simpatia e carinho, incluindo sua esposa, com quem formou uma família com quatro filhos, seis netos e três bisnetos. Ele foi um empreendedor da harmonia, buscando valorizar e promover o bem-estar das pessoas.

Apesar de sua personalidade discreta, deixou rastros invisíveis e inspiradores em todos os lugares em que esteve. Ele estimulou a prática de bens e valores intangíveis — como a gratidão, caridade, solidariedade, alegria, união e o valor da família — que não podem ser tocados ou mensurados.

Em um mundo competitivo, dividido e fragmentado, onde prevalece a busca por ser o maior ou o melhor, sua maior ambição era superar a si mesmo, competindo apenas consigo. Ele se esforçava para agir com retidão e excelência.

Um dos seus desejos era se reencontrar com seu pai. Assim, entre muitos familiares, parentes e amigos, nos despedimos dele no Cemitério do Paquetá, ao lado de seu pai. Enquanto isso, avistei um gato cinza, deitado em cima de um jazigo, que também observava sua partida.

          O gato, impassível e envolto pelo silêncio, com grandes olhos escuros, parecia fazer uma longa retrospectiva da vida do meu herói invisível. Naquele instante, tive plena certeza de que muito do que sou e alcancei é herança dele - um legado não escrito, mas repleto de exemplos concretos. Afinal, com imenso orgulho, como filho, sou um pedaço do professor Oswaldo Ferreira Franco.




Setembro 2025

Marcos A F Franco

Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 21/9/2025
 

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Peixe Voando, Caixa Faturando

Todos os Mercados Municipais são barulhentos. Há pessoas conversando, caixas sendo jogadas ao chão, telefones tocando, carrinhos deslizando pelos corredores, eletrodomésticos vibrando, cortadores de carnes e geladeiras preenchendo o ar com seus sons e, às vezes, pode-se ouvir gatos miando. No entanto, no histórico Pike Place Fish Market, o animado mercado de agricultores de Seattle, localizado na parte alta do porto, existe um som especial – único e repleto de diversão.

Enquanto caminhava pelo mercado, admirando lindas flores, provando frutas, descobrindo doces locais e absorvendo o aroma característico do mercado, ouvi um grito alto: “Salmon!” Ao mesmo tempo, diversas pessoas se aglomeravam em volta dos balcões com peixes empilhados sobre pedras de gelo.

Aproximando-me da peixaria, escutei novamente: “Salmon!” e, nesse instante, observei um peixeiro lançando, bem alto, um peixe para outro colega — escolhido por um cliente —, que o recebia com habilidade.

São peixes de aproximadamente 60 centímetros, pesando três quilos. Quanto mais se vende, mais se grita o nome do tipo de peixe que está sendo comprado. É como se fosse um canto uníssono.

É impossível não parar por alguns minutos para ver os arremessos em que os peixes não escorregam das mãos dos peixeiros. A sensação é a de que o peixe irá cair durante o percurso de sete metros, ou mesmo, de que escapará da mão do peixeiro que o recebe. Mas ao final, o que se vê é a plateia batendo palmas, fotografando e filmando o êxito da acrobacia. No Pike Place, peixe voando é sinônimo de caixa faturando.

Essa tradição divertida iniciou-se nos anos oitenta, para transferir o peixe do balcão para área de embalagem, sem precisar ficar indo e voltando. Esse método transformou-se em um show tão popular que hoje é a principal atração do mercado. Turistas se aglomeram para assistir o tempo todo à energia e à união dos funcionários, que gritam e se divertem.

Além de encantar os visitantes, a ideia ajudou a loja a aumentar suas vendas devido à exposição na mídia nacional, e salvou o negócio de uma possível falência. O que parecia uma ideia louca transformou-se em referência de marketing aliado à eficiência operacional, atraindo compradores e promovendo o mercado.

É impossível não desejar retornar para rever o espetáculo e saborear um autêntico selvagem Salmão Rei do Alasca, reconhecido como o melhor do mundo. 


Setembro 2025

Marcos A F Franco

 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Carros Desaplicados

Quando viajo, tenho o hábito de andar de táxi. Em geral, são carros coloridos — como os “cabs” amarelos de Nova York — com que fazemos sinais com as mãos ou, às vezes, o pegamos em pontos fixos de muito movimento.

Como todo a economia é competitiva, surgiu uma nova modalidade de transporte: o carro por aplicativo, fruto da tecnologia e embutida no celular, que chega onde você está, traz o preço pré-definido e cobra automaticamente no cartão de crédito. Tenho vivido experiências surpreendentes ao utilizá-lo.

Ao contrário dos pequenos e elegante táxis pretos que circulam pelo Japão — com motoristas experientes vestindo terno preto e luvas brancas —, os inúmeros motoristas de carros de aplicativo surpreendem. Em sua maioria, trabalham para complementar a renda pessoal, não sendo a atividade principal. Seus carros não seguem um padrão, assim como a apresentação pessoal dos motoristas. A diversidade reina absoluta.

Pode ser bom, ou ruim. Agradar ou não. Essa nova atividade é exercida por quem não é profissional, e um aplicativo determina sua rotina. Cada embarque é uma experiência diferente: desde um veículo bem cuidado ou sujo, motorista atento, corredor de Fórmula 1, cantor, simpático ou arrogante, comediante e até curioso.

Em Aracaju, o motorista de um pequeno carro simples, em um percurso curto, assumiu o papel de guia turístico, exaltando sua cidade. Questionado sobre a segurança da região, foi certeiro: “aqui, só se comete crime uma vez; se houver a segunda vez, o cabra morre”. Para nossa sorte, assim que ele disse isso, estávamos chegando ao destino.

No aeroporto de Singapura, houve uma motorista bem simpática, com uma minivan preta — multi-purpose vehicle (mpv) —, bem cuidada, confortável, com portas e poltronas automáticas, parecendo a primeira classe de um avião. Fez questão de acomodar as malas dentro do veículo, perguntou sobre a preferência de música, sobre minha procedência e informou o tempo estimado até o hotel. Sentindo-me quase um rei, observei, confortavelmente, a rica vegetação da cidade.

Já em Houston, percebi a chegada do carro de aplicativo pelo som do motor antes de vê-lo. Ainda amanhecia, certamente ele despertou muitos vizinhos. Era uma picape RAM preta, cabine dupla, com rodas de aro cromado. O motorista, gentil e simpático, era um cara forte, barbudo, tatuado, vestia camisa preta e anéis prateados. Acomodou rapidamente as malas na caçamba e seguiu ao aeroporto. E adivinha que estilo de música tocava na picape? Rock. Ao saber que era do Brasil, sorriu e revelou que a brasileira Sepultura era sua banda favorita.

Quando viajar, considere utilizar os carros de aplicativo. Certamente você terá histórias interessantes para contar. 

 

Agosto 2025

Marcos A F Franco

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Do Céu à sepultura

             Fui a Houston para conhecer a NASA e acabei falando sobre sepulturas.

Algo me dizia que coisas diferentes e interessantes iriam acontecer. Na chegada a Houston, quando peguei minha mala na esteira, com uma das rodinhas quebradas, pensei: “só me faltava essa”, mas, como diz o ditado: “a males que vem para o bem”.

 Ao pegar o ônibus do aeroporto para o centro da cidade, percebi que só o motorista estava a bordo. Foi uma viagem particular em um imenso veículo, luxo total por apenas um dólar!

O hotel ficava ao lado da YMCA — Associação Cristã de Moços, entidade internacional, nascida em Londres, que tem por objetivo o desenvolvimento juvenil —, onde, em Santos, pratiquei basquete e teatro. Além de relembrar bons momentos do passado, pude fazer minha natação internacional de graça.

Mesmo debaixo de chuva, embarquei no VLT americano e fui conhecer o belo, bem concebido e bem cuidado Museu de Ciências Naturais. Lotado de crianças, conheci minerais de todo o mundo, inclusive do Brasil.

No café da manhã, aprendi a fazer waffles no hotel. Você enche um copo de 200 ml com a massa, à base de farinha e ovos, despeja em cima do ferro redondo xadrez, fecha, vira e pronto. Após dois minutos, é só derramar syrup, o mel canadense, e se deliciar com a fofura da massa. É comum em qualquer hotel americano e canadense.

Visitando a NASA, senti-me um astronauta em treinamento para o programa espacial. Vivi uma experiência de realidade virtual, como se estivesse a bordo de uma nave. Vi inúmeros veículos utilizados, inclusive para o pouso na lua, da época em que eu era criança. Lembrei, que em julho de 1969, assisti à televisão, em preto e branco, Neil Armstrong, parecendo um boneco, encapsulado em roupa especial, pulando lentamente no piso do satélite dos namorados.

De malas prontas para embarcar rumo ao próximo destino, chamei um Uber.  Ainda bem cedo, encostou uma picape RAM cabine dupla, de cor preta e com rodas cromadas, fazendo barulho como se fosse uma banda de rock, agitando a vizinhança.

O motorista, gentil e simpático, era um cara forte, barbudo, todo tatuado, usava camisa preta e anéis prateados. Ele acomodou rapidamente as malas na carroceria da picape e seguiu para o aeroporto. E adivinhe: que estilo de música tocava na picape? Claro, era rock. Assim que soube que era do Brasil, abriu um largo sorriso e confessou que a brasileira Sepultura era sua banda favorita.

Apesar do nome sombrio, sepultura, que remete ao solo, fez me sentir no céu. O motorista americano continuou a viagem relembrando sua passagem pelo Brasil.

Agosto 2025

Marcos A F Franco

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Até o Último Quilômetro

Mais um dia de caminhada juntos. Era o nosso costume: percorrer ruas planas, subir e descer escadas, acumulando quilômetros e histórias. Mas, naquele dia nublado em Vancouver, algo marcante transformaria definitivamente nossa relação.

Conheci meu companheiro de viagem em uma loja. Ele, bem estiloso, vestido em tons de salmão e branco, destacava-se ao lado de uma poltrona, quase como se me esperasse. Ao me aproximar, seus "argumentos" e sua atitude confiante me convenceram de que formaríamos uma sólida parceria — esportiva e social.

E foi exatamente isso que aconteceu. Juntos, exploramos cidades em diversos países. Visitamos castelos no Japão, caminhamos pela baía de Sydney, na Austrália, enfrentamos o calor sufocante de Singapura, pisamos nas areias das praias de Santos e suportamos o frio cortante do Alasca. Cada viagem tinha seu ritmo, seus cheiros, seus sons — e lá estávamos nós, lado a lado.

Ele me proporcionava segurança ao caminharmos por terrenos irregulares e escorregadios. Era firme, constante, confiável. Tornou-se um companheiro inseparável, nunca reclamando do frio, do calor ou da chuva. Sempre pronto para mais uma grande caminhada.

Às vezes, por distração minha, ele desaparecia. E lá ia eu, desesperado, procurar por cantos inusitados até reencontrá-lo. Outra peculiaridade: só tomava banho quando eu mandava — e mesmo assim, com protestos silenciosos e espuma preta.

Com o tempo, como acontece em toda parceria que se torna mais próxima, houve o desgaste natural. Ele começou a ficar folgado. As coisas já não se ajustavam tão bem como antes. Nossa relação foi enfrentando tropeços — literalmente. Ele já não caminhava com a mesma precisão, e uma pequena pedra no caminho era suficiente para abalar nosso equilíbrio.

Naquele fatídico dia em Vancouver, após um belo passeio — onde ele hesitou ao cruzar a ponte suspensa do Capilano, com seus 137 metros de extensão e 25 metros de altura, balançando sob nossos pés — tomei a difícil decisão: era hora de substituí-lo por outro par de tênis

Foram três anos de convivência intensa — quase que pele com pele. Deixei-o no canto do quarto do hotel, com a sola voltada para cima, como alguém de bruços, derrotado, chorando baixinho. Ficou ali, sozinho e triste, assim como eu. Na despedida, percebi que não era apenas um calçado que eu estava abandonando, mas uma fase bem percorrida da minha vida.

Agosto 2025

Marcos A F Franco

 

Quando a Prudência pede Passagem

Quase iniciando minha oitava década de vida, reflito sobre o aumento de atores no trânsito e testemunho seus efeitos. Ao mesmo tempo, sinto ...