quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Do Troco do Pão ao Tesouro Pessoal

Tudo começou em uma mercearia antiga de cidade pequena, onde bar, padaria, restaurante e mercado se integravam. O aroma da corda de fumo se misturava ao do café. Eu, ainda criança, ia comprar pão para as tias, usando calças curtas. Foi ali que aprendi as primeiras lições sobre dinheiro.

É nesse ambiente, com a cédula amassada na mão da criança, que se planta a semente de uma vida adulta mais próspera. Ensinar crianças a lidarem com o dinheiro não é para transformá-las em mini investidores, mas em cidadãos conscientes e preparados para o futuro.

Robert Kiyosaki em "Pai Rico, Pai Pobre", ensina a diferença, entre ativos e passivos, a fazer o dinheiro trabalhar para nós. Para uma criança, isso pode ser assim: se ela gasta R$ 5,00 no pão, esse dinheiro desaparece (passivo). Mas se ela guarda R$ 1,00 desses R$ 5,00 no cofrinho para comprar algo maior depois (ativo), a história muda. O cofrinho se torna uma poupança promissora na mente infantil. Cada dinheiro que ela coloca dentro dele é uma conquista. Seja ele uma lata decorada, um porquinho ou mesmo uma conta bancária.

George S. Clason, em "O Homem Mais Rico da Babilônia" ensina a regra de ouro: “pague a si primeiro”. Se ensinarmos a criança a separar dez por cento de qualquer dinheiro que ganhe, ela terá um futuro melhor.

A matemática lúdica e prática de Malba Tahan, em "O Homem que Calculava", mostra que as contas podem ser divertidas e úteis. A ida à padaria é um laboratório: o pão custa R$ 1,50. Se tenho R$ 5,00, quanto sobra de troco? Se comprar dois pães, dá para comprar uma bala? É o cálculo em ação! É matemática na realidade!

Mais do que apenas dar o troco exato ou comprar o que se deseja imediatamente, a educação financeira para crianças ensina a ter paciência e planejar. Se a criança economiza o troco do pão por uma semana, ela pode comprar a figurinha ou o brinquedo que tanto quer, em vez de gastar em algo impulsivo. Assim, aprende a esperar e valorizar o dinheiro como um recurso que cresce e realiza sonhos.

Não se trata de criar gênios das finanças, mas de libertar a próxima geração das armadilhas da dívida e do consumo por impulso. As lições da padaria, do cofrinho e do planejamento são a base para que, no futuro, esses pequenos compradores de pão construam suas próprias Babilônias. A semente de um futuro financeiro saudável é plantada desde criança, muitas vezes, no cheiro do pão quentinho!


Marcos A F Franco

Outubro 2025

             Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 01/01/2026

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