Tudo começou em uma mercearia antiga de cidade
pequena, onde bar, padaria, restaurante e mercado se integravam. O aroma da
corda de fumo se misturava ao do café. Eu, ainda criança, ia comprar pão para
as tias, usando calças curtas. Foi ali que aprendi as primeiras lições sobre
dinheiro.
É nesse ambiente, com a cédula amassada
na mão da criança, que se planta a semente de uma vida adulta mais próspera. Ensinar
crianças a lidarem com o dinheiro não é para transformá-las em mini
investidores, mas em cidadãos conscientes e preparados para o futuro.
Robert Kiyosaki em "Pai Rico, Pai
Pobre", ensina a diferença, entre ativos e passivos, a fazer o dinheiro
trabalhar para nós. Para uma criança, isso pode ser assim: se ela gasta R$ 5,00
no pão, esse dinheiro desaparece (passivo). Mas se ela guarda R$ 1,00 desses R$
5,00 no cofrinho para comprar algo maior depois (ativo), a história muda. O
cofrinho se torna uma poupança promissora na mente infantil. Cada dinheiro que
ela coloca dentro dele é uma conquista. Seja ele uma lata decorada, um
porquinho ou mesmo uma conta bancária.
George S. Clason, em "O Homem Mais
Rico da Babilônia" ensina a regra de ouro: “pague a si primeiro”. Se
ensinarmos a criança a separar dez por cento de qualquer dinheiro que ganhe, ela
terá um futuro melhor.
A matemática lúdica e prática de Malba
Tahan, em "O Homem que Calculava", mostra que as contas podem ser
divertidas e úteis. A ida à padaria é um laboratório: o pão custa R$ 1,50. Se
tenho R$ 5,00, quanto sobra de troco? Se comprar dois pães, dá para comprar uma
bala? É o cálculo em ação! É matemática na realidade!
Mais do que apenas dar o troco exato ou
comprar o que se deseja imediatamente, a educação financeira para crianças
ensina a ter paciência e planejar. Se a criança economiza o troco do pão por
uma semana, ela pode comprar a figurinha ou o brinquedo que tanto quer, em vez
de gastar em algo impulsivo. Assim, aprende a esperar e valorizar o dinheiro
como um recurso que cresce e realiza sonhos.
Não se trata de criar gênios das
finanças, mas de libertar a próxima geração das armadilhas da dívida e do
consumo por impulso. As lições da padaria, do cofrinho e do planejamento são a
base para que, no futuro, esses pequenos compradores de pão construam suas
próprias Babilônias. A semente de um futuro financeiro saudável é plantada desde
criança, muitas vezes, no cheiro do pão quentinho!
Marcos A F Franco
Outubro 2025
Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 01/01/2026

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