Ao refletir
sobre a definição de um herói como uma pessoa corajosa, valente, altruísta, que
supera adversidades e desafios para proteger os outros e, muitas vezes, deixa
um legado inspirador, lembrei-me de alguém que fez parte da minha vida por
muitos anos.
Ele era
natural de Santos, filho de um simples lusitano oriundo da Batalha. Talvez essa
palavra o tenha instigado, desde pequeno, a vontade de superar inúmeras
dificuldades. Com seus pais, aprendeu o valor do trabalho árduo e, através da
religião, foi atraído para os estudos, tendo desenvolvido uma vasta cultura.
No dia em que
ele escolheu passar para o outro plano, às vésperas da primavera, o sol
brilhava, e o vento característico fazia as folhas secas caírem das árvores. Ele
aguardou a noite chegar e, em silêncio, partiu para uma dimensão superior. Era
típico dele, um homem humilde, desprovido de vaidade, que se orgulhava de sua
família e do trabalho que realizava com dedicação e qualidade.
Como educador,
conquistou milhares de pessoas com sua dedicação, simpatia e carinho, incluindo
sua esposa, com quem formou uma família com quatro filhos, seis netos e três
bisnetos. Ele foi um empreendedor da harmonia, buscando valorizar e promover o
bem-estar das pessoas.
Apesar de sua
personalidade discreta, deixou rastros invisíveis e inspiradores em todos os
lugares em que esteve. Ele estimulou a prática de bens e valores intangíveis — como
a gratidão, caridade, solidariedade, alegria, união e o valor da família — que
não podem ser tocados ou mensurados.
Em um mundo
competitivo, dividido e fragmentado, onde prevalece a busca por ser o maior ou
o melhor, sua maior ambição era superar a si mesmo, competindo apenas consigo.
Ele se esforçava para agir com retidão e excelência.
Um dos seus desejos
era se reencontrar com seu pai. Assim, entre muitos familiares, parentes e
amigos, nos despedimos dele no Cemitério do Paquetá, ao lado de seu pai.
Enquanto isso, avistei um gato cinza, deitado em cima de um jazigo, que também
observava sua partida.

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