quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Casa da Visão fortalece suas parcerias para investir em mais projetos

Desde 1968 a Casa da Visão contribui para melhorar a vida de pessoas com deficiência visual, dando condições de inseri-las adequadamente ao convívio social.

Os rotarianos do Rotary Club Santos Oeste têm se dedicado e, empreendido ao longo desses anos, para manter essa instituição e assim atender aos mais vulneráveis socialmente.

Graças as boas parcerias e a generosidade de muitas pessoas, a Casa da Visão vive um momento especial, investindo para expansão dos seus projetos.

A parceria com a Prefeitura Municipal de Santos, que já dura 35 anos, está sendo ampliada. A sede da Casa da Visão, localizada na Avenida Conselheiro Nébias, 267, está sendo integralmente revitalizada e adequada para receber mais serviços da Secretaria de Saúde, além do SERFIS-ZOI – Recuperação e Fisioterapia, abrigará também o CEO – Centro de Especialidades Odontológicas da Zona da Orla intermediária, Serviços do SEAPREV, a Central de Vacinação – SEVIEP e o Conselho Municipal de Saúde.

O prédio que possui uma área construída de 1.900 m2 foi readequado para possibilitar um atendimento de qualidade e seguranças exigidos. A locação dessas instalações possibilita a ampliação de projetos já desenvolvidos pela Casa da Visão, cujo atendimento também se dá no mesmo endereço, em uma nova construção nos fundos dessa mesma propriedade.

A parceria com a Prefeitura de Santos tem sido fundamental para o crescimento e sustentabilidade da Casa da Visão, especialmente nesta administração cuja visão é o de melhorar o atendimento para os munícipes.

A Fundação Rotária, através de seus investimentos, também tem sido fundamental para o êxito dos nossos projetos.

São 35 anos atendendo, gratuitamente, crianças e jovens estudantes em situação de vulnerabilidade social realizando consultas oftalmológicas (1.200 por ano), e doando óculos (armações novas e lentes) para que esses jovens possam ter um melhor desenvolvimento na escola.

O consultório oftalmológico contará também com novos equipamentos, além do atuais, como um Auto Refrator, um Topógrafo e um Retinógrafo, todos obtidos através de 2 Termos de Fomentos (Emenda parlamentares) pela indicação dos vereadores Braz Antunes e Augusto Duarte. Esses novos aparelhos, que estarão em funcionamento até o início de 2021 possibilitarão mais diagnósticos e a inclusão do tratamento do glaucoma.

A Casa da Visão também abriga o PROMUVI, projeto que socializa pessoas de baixa visão através da música, que mantém uma orquestra e professores para os que querem aprender. Projeto criado e apoiado por rotarianos do Rotary Club de Santos Oeste.

Estamos trabalhando permanentemente para oferecer serviços, programas e materiais que contribuam para a saúde das pessoas, permitindo a sua plena inclusão social. Queremos ser uma referência de qualidade em nossos serviços e atividades.

Ainda este ano queremos que todos venham conhecer o nosso trabalho e juntar-se a nós para melhorar ainda mais as condições de nossa comunidade.

 Outubro 2020, Marcos A F Franco 

Presidente da Casa da Visão

 

terça-feira, 19 de setembro de 2023

O fogo do rio Yarra

Andar é o que mais faço quando estou turistando. É a melhor forma de conhecer e sentir as cidades. Caminhar pelas calçadas, atravessar ruas, descobrir jardins, parques, igrejas, museus, lojas, cafés, restaurantes e contatar pessoas aguçam o meu perfil explorador. Cada detalhe visualizado, tocado e degustado fica registrado em minha memória e definem as características desse meu novo lugar.

Foi assim que fiz quando estive em Melbourne, a cidade fundada em 1835 que herdou o nome de um ex primeiro-ministro e mentor da rainha Vitória. Caminhei por vários cantos dessa cidade encantadora e, em especial pelas margens do rio Yarra.

Esse rio foi sábio. Ele nasce nas Cordilheiras de Yara. Seu curso segue por 250 quilômetros até a Baia dos Hobsons, em Melbourne, onde desagua. Ele, desde a sua formação, já sabia que as terras ao seu lado iriam ser habitadas por aussies determinados. Sabia que eles iriam cuidá-lo e enfeitá-lo.

Pela manhã, tarde ou noite, em três quilômetros de ambas as margens, os turistas e os melbourianos se revezam frequentando as inúmeras atividades que o Yarra oferece. Em uma das margens encontra-se a Flinders Street Station, a principal estação de trens da cidade, que também se conecta a maior linha de bondes do mundo.

A pé, de bicicleta, patins ou de barco, andando pelo Yarra, desde que o tempo instável da cidade permita, se consegue admirar os jardins, a arquitetura arrojada dos prédios, visitar o Aquário, se divertir no Crown Cassino, participar de feiras no Centro de Convenções, fazer compras em inúmeros shoppings, se perder pelo paraíso gastronômico, levado pelos múltiplos aromas produzidos por infindáveis restaurantes e chegar ao Melbourne Park.

A realização dos Jogos Olímpicos de 1956 propiciaram um grande desenvolvimento para a cidade. É no Melbourne Park onde se concentram as principais e impecáveis instalações esportivas, e que também abrigou as Olímpiadas, cujo feito de Ademar Ferreira da Silva está lá, cravado em uma placa de granito. Ademar, nosso grande recordista mundial do salto triplo, nessa oportunidade, sagrou-se bicampeão olímpico. Foi um exemplo de atleta e pessoa.

É nesse parque que se encontra o Melbourne Cricket Ground, o maior estádio da Austrália, considerado um monumento especial para os australianos, onde se pratica o Futebol Australiano, Rugby e o Cricket, e que abriga o lindo Museu do Esporte. Também é lá, que se encontram as grandiosas instalações de tênis, onde é realizado, anualmente, o Australian Open, um dos quatro maiores torneios de tênis do mundo.

Além das margens, o rio Yarra possui várias pontes, dentre as quais, uma para pedestre, chamada Footbrige. Ela tem o sentido transversal, construída com um arco branco sobre a sua extensão. Atravessá-la é uma viagem pelo mundo. A cada passo caminhado, em sua proteção de vidros, se lê o nome da cidade de um país. Mais um sinal de que essa cidade do estado de Victória é acolhedora e global.

Demonstrando o seu calor em receber as pessoas, o Yarra, em uma de suas margens, possui algumas colunas, com dez metros de alturas que, ao início da noite, lampejam fogos barulhentos, lançando chamas para o alto, assustando e aquecendo os desavisados.

Dificilmente, quando se está em Melbourne, se deixa de ver e cumprimentar o Yarra. Ele é majestoso, vaidoso e egoísta. Ele valoriza sua beleza. Durante os dez dias que lá estive, não deixei de vê-lo e explorá-lo. Ao me despedir, ele chamou o sol, os pássaros e se vestiu de azul espelhando toda beleza existente ao longo de suas margens. Me disse: foi bom conhecê-lo, volte sempre, mande lembranças para os seus amigos e peça que eles venham me conhecer.

Julho 2023, Marcos A F Franco


 

Palavras de Incentivo – Fundação do RC de Santos José Bonifácio

Presidente Virgílio Pina 

Governador Herrera

Demais componentes da mesa, já enunciados pelo protocolo.

Companheiras, companheiros e amigos.

Diferente do que aparenta, este novo clube já tem uma história de 2 anos.

Quando o agora companheiro Arlindo salgueiro realizou uma palestra no Santos Oeste, a convite do companheiro José Wilson, dois entusiastas do nosso patriarca, eles fecundaram o nascimento deste clube. 

Na oportunidade o professor Arlindo, fez um bom comercial de José Bonifácio e nos sensibilizou.

A partir de então muitas conversas e ideias fizeram com que chegássemos ao ponto inicial: o centro histórico de nossa cidade. 

Com o apoio do WTC – World Trade Center, estava montado o cenário e fomos em busca dos novos profissionais e, no dia 2 de fevereiro deste ano realizamos a primeira reunião. 

É gratificante, atingir esse objetivo.

Participar da admissão de 27 novos rotarianos é sentir na pele o crescimento do Rotary, é sentir o nosso patrimônio humano crescer, é sentir que ficamos mais fortes e assim, poderemos contribuir para melhorar o nosso universo. 

É uma grande conquista para o Rotary fundar um novo clube que nasce com um nome de muito caráter.

José Bonifácio teria sido um ótimo companheiro caso   houvesse Rotary no seu tempo.

Em seu mausoléu foi transcrito: “eu desta glória só fico contente, que a minha terra amei, e à minha gente”.

Agradeço aos companheiros do meu clube, o RC Santos Oeste pela grande participação e apoio, que foram decisivos para esse projeto.

Por favor, fiquem em pé: José Wilson, Nelson Tiago, Batan, Walter, Paulo Fernandes, Joaquim, Zago, Cheida, Felipe e José Octávio. Esta foi a comissão de fundação do José Bonifácio. Solicito uma saudação especial a todos.

“Se realmente desejamos amar ao próximo, e se corre em nossas veias a vontade de viver, precisamos fazer jorrar amor de nossos corações....

Só os rotarianos que têm como lema “dar de si antes de pensar em si” servirão verdadeiramente à organização, oferecendo seu tempo à prestação de serviços...

Amar significa servir.

Foi assim que “surgiu o lindo ditado repetido muitas vezes pelos rotarianos: encontre tempo para servir”.

Palavras de Madre Teresa de Calcutá, durante seu pronunciamento na convenção de RI de 1981, São Paulo.

Desejo aos novos companheiros muito sucesso, muito tempo e um empenho bonifaciano.

Conte conosco e muito obrigado.

 Abril 2006, Marcos A F Franco 

Representante Governador para Fundação RCSJB

6 de abril de 2006

 

Parabéns, Rotary Santos Oeste pelos seus 49 anos


            Bom dia a todos, em especial a minha presidente em exercício, Alzira Esteves Aires. Parabéns!

Hoje tenho o privilégio de fazer a reflexão desta reunião especial de 49º aniversário do nosso querido Rotary Clube de Santos Oeste. Clube em que me tornei rotariano há quase 25 anos, portanto metade da sua existência e, me proporcionou a convivência com inúmeras pessoas extraordinárias, que só me fizeram crescer.

O Santos Oeste tem uma aura, uma luz própria, construída cuidadosamente desde a sua fundação. Pude conhecer e conviver, ainda que por pouco tempo, com o seu primeiro presidente, o grande companheiro Osmar Negrão, cirurgião dentista e um líder fantástico. Atencioso, amoroso, carismático, que soube conduzir com maestria um grupo de profissionais fundadores, sempre imbuídos pelo ideal de servir. Um clube fundado pelo Rotary Clube de Santos, liderado pelo então presidente Alberto Levy, o então governador distrital e depois presidente do Rotary International, Paulo Viriato Correa da Costa e pelo representante especial Paulo de Oliveira, avô do Gabriel, nosso atual presidente.

Muitos companheiros de inestimável valor prestaram inúmeros serviços para nossas comunidades dentre eles, Luiz Fernando Ferreira, Batan, Weberman, Hugo Brandi, Altair, Luiz Lobo, Vadison, Joaquim, que agora estão nos guiando em outra dimensão. A todos a nossa eterna lembrança, gratidão e homenagem. Eles contribuíram muito para escrever a história do Santos Oeste com letras maiúsculas e douradas.

Hoje, apesar de a pandemia querer nos afastar, mantivemos o grupo unido, coeso e realizando projetos. Parabéns, Graciliano, João e Gabriel pela dedicação e esforço extra. Esse espírito fraternal que nos une, é o nosso combustível para manter sempre o Santos Oeste ativo e produtivo, Santos Oeste que já, há muito tempo, transformou-se em uma família invejável.

O lado feminino do Santos Oeste sempre foi muito presente e influente, exercendo um papel de liderança junto a ASFAR, Associação de Famílias de Rotarianos de Santos, através das esposas dos rotarianos e, a partir de 1995 com a admissão da mulher em Rotary, nosso clube ficou florido e mais dinâmico.

Destaco também a preocupação do clube com os jovens, tendo mantido por muitos anos o Interact e o Rotaract. Mais recentemente também, com a formação do Rotary Club Satélite Santos Oeste em Ação, uma referência em nosso Distrito.

Podemos dizer que o Santos Oeste transcende gerações, estamos entrando na 3ª geração. É uma grandiosa e rica história para se contar. Somente pessoas éticas, preocupadas com o futuro do próximo, consegue essa longa e linda caminhada, lastreada em muito trabalho, dedicação e liderança.

Quero dar os parabéns para todos e, desejar a família Santos Oeste vida longa, com um imenso futuro, levando esperança e soluções para nossas comunidades.

Muito obrigado e vamos celebrar.

Setembro 2021, Marcos A F Franco 

Presidente 2003-4

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

O Profissional

 


Há pessoas competentes e pessoas que parecem ir além.

Há pianistas que tocam com comprovada competência, sem errar uma nota sequer, e há pianistas que transformam sua arte em algo provido de alma, e estes estão além da competência. O mesmo acontece em todas as profissões.

No clássico filme Amadeus, Salieri, o compositor oficial da corte, apresenta sua última obra ao rei, que a aprova. Na sequência, aparece Mozart interpretando a mesma música, agora com “alma”, muito além do que as notas pareciam transmitir. É um momento mágico, de rara beleza e que impressiona pela diferença entre as duas interpretações.

O moderno mundo competitivo ainda premia as pessoas competentes, aquelas capazes de competir. No entanto, competitividade deixou de ser o último paradigma a partir do momento em que suas regras foram inteiramente interpretadas, o que provocou o aparecimento de uma imensa legião de profissionais formados pelas escolas, pelas especializações e pela própria sociedade, profissionais guerreiros pós-modernos agressivos, combativos e competitivos.

Às vezes esquecemos que profissionais são pessoas, e não componentes de engrenagens como deseja a arcaica e velha lógica da revolução industrial.

É verdade que as empresas estão se voltando para a seleção de colaboradores com fortes qualidades pessoais e que os profissionais liberais mais procurados – entre eles médicos, dentistas, advogados, terapeutas, arquitetos e prestadores de serviços – são justamente os que aliam sólida formação técnica com evidentes qualidades humanas.

É também verdade que o modelo educacional adotado em nosso país começa a fazer essa correção de rumo buscando formar pessoas, e não mais apenas informá-las. O investimento em pessoas, por parte de escolas, empresas ou do estado, sempre terão um retorno, não apenas em termos de produtividade, mas também em termos individuais e sociais.

Na maioria das funções, os melhores profissionais são também as melhores pessoas. E a responsabilidade é de cada um. Os patrulheiros mirins são provas incontestes.

Em um estudo encomendado e publicado pela revista Você S/A, da editora abril, surgiu um dado inquietante: 87% das demissões ocorrem por deficiências humanas, e não por deficiências técnicas.

Entre essas deficiências, encontram-se aspectos comportamentais como: dificuldade de comunicação, de convivência, de organização, de aceitar liderança, de administrar conflitos, impontualidade, procrastinação, desinteresse, falta de percepção, despreocupação com a inovação e recusa ao comprometimento. Falta, principalmente, a capacidade de ir além do convencional.

O curioso é que 80% dos demitidos descarregam a culpa na própria empresa ou em pessoas com as quais conviveram, especialmente as chefias imediatas, e quando assumem a própria incompetência referem-se à de origem técnico-profissional, e não pessoal, ou humana. Falta-lhes percepção da realidade.

Temos ainda em nosso país, a herança colonial manifestada pelo “jeitinho brasileiro”, pelo tipo “boa-praça”, pelo “amigo do peito”, pelo “compadrismo”, pelo “coronelismo” e pelo “nepotismo” que desconsidera a competência profissional, ou minimiza para ser mais sutil, em nome de atributos pessoais bastante discutíveis.

O intelectual americano Ralph Waldo Emerson combinou as ideias do iluminismo e do romantismo europeu com as ideias progressistas do novo mundo. Criou um pensamento singularmente americano, prático, realista, mas sem abandonar o humanismo. Uma frase atribuída a ele diz: “Quem você é fala tão alto que não consigo ouvir o que você está dizendo”.

Esta mudança de tempo que marca o início do século XXI é caracterizada pelo encontro harmonioso das conquistas tecnológicas do último século, especialmente a informática, com um novo homem, mais humano, mais educado, mais sensível, mais saudável, mais ético, mais ecológico.

As empresas e a sociedade desejam bons profissionais e que também sejam boas pessoas. Diplomas são importantes, mas não substituem qualidades humanas. Formação acadêmica e habilidade técnica são fundamentais, mas caráter e personalidade falam mais alto. Diz ainda Emerson: “Todo homem é uma divindade disfarçada”

Que as pessoas vistam sua roupagem de divindades e evoluam espiritualmente (no sentido amplo, laico);

Que não abandonem a lógica, mas abram espaço para a poética;

Que sejam Apolo e Dionísio convivendo em corpos saudáveis;

Que a inteligência seja mais abrangente, multifocada;

Que a sensibilidade se alie à intelectualidade;

Que a flexibilidade acompanhe a especialização;

Que o humanismo seja a grande vantagem competitiva.

Outro poeta da língua inglesa, o irlandês William Butler Yeats, teve uma inspiração muito feliz a respeito desse tema tão sutil, quase intangível. Em sua bem-acabada obra romântica, há uma frase que imprime um novo tom ao pensamento de todos aqueles que procuram aprimorar seu trabalho e sua vida: “é a mim que corrijo ao retocar minhas obras...”

Como acontece com a arte, o resultado de qualquer trabalho representa o espírito daquele que o produziu. Yeats diz que não se incomodava em refazer o que havia feito anteriormente com a finalidade de obter um resultado melhor. E, na verdade ao aprimorar seu trabalho estava aprimorando a si mesmo.

Ele tinha razão. Temos de evoluir sempre, e podemos conseguir isso procurando melhorar o que fazemos. Não somos medidos pelo resultado de um ato isolado e sim pelos resultados que obtemos continuamente.

Um toque de gênio em uma rotina diária medíocre não garante mais o emprego nem o sucesso de ninguém. Regularidade está na ordem do dia, tanto quanto excelência. Inclusive regularidade no crescimento profissional e pessoal.

Não é preciso ser um grande poeta para corrigir a si mesmo ao retocar suas obras, se tivermos consciência de que podemos aplicar mais de nós mesmos em tudo o que fazemos, teremos dado um grande passo em direção a nosso desenvolvimento pessoal e profissional.

Profissionais competentes são pessoas criativas, comunicativas, gregárias, estudiosas, comprometidas, visionárias, felizes, líricas...

Líricas, porque lirismo é a maneira apaixonada de sentir e de viver, geralmente manifestada por meio da poesia. Mas o lirismo pode ser representado pelo entusiasmo, pelo ardor, pela motivação, pelo idealismo, qualidades do empreendedor, daquele que muda o mundo, o mundo que o envolve, a partir da mudança de seu mundo interior.

Ainda sobre o lirismo, e citando o brasileiríssimo Manuel Bandeira, pernambucano culto e inspirado, que teve uma visão particular da utopia e a registrou em: “vou-me embora pra Pasárgada”. Em seu poema “poética”, diz: “Estou farto do lirismo comedido/Do lirismo bem-comportado/Do lirismo funcionário público com livro de ponto, expediente, protocolo e manifestações de apreço ao sr. Diretor”.

E termina dizendo, como que na ânsia de romper barreiras, quebrar paradigmas, voar com a imaginação, criar mundos, descobrir, inventar, formular, desenvolver, sonhar e realizar, portanto, libertar: “Não quero mais saber do lirismo que não é libertação”.

Companheiros, acredito no Rotary como uma fonte de inspiração para os profissionais éticos e competentes, como incentivo ao aprimoramento profissional e sobretudo como um grande propulsor do desenvolvimento humano.

Parabéns a todos os profissionais. 

Outubro 2008, Marcos A F Franco Empresário Diretor da ADASP

Texto baseado no livro de Eugênio Mussak, Metacompetência.






domingo, 17 de setembro de 2023

A inveja rotária

 


Quantas vezes ouvimos em nossa organização alguém dizer “O Rotary é um poço de vaidades”, ou um ex-presidente dizer “na minha gestão não era assim”, ou “na minha gestão eu fiz .....”, ou ainda “a minha posse foi a maior que o clube já teve”.

Será que é possível existir um ambiente que não se tenha os pecados capitais?

Preguiça, gula, avareza, luxúria, soberba, vaidade, inveja, cobiça. Existe alguém que está isento deles? Desde que o mundo nasceu a grande maioria dos seres humanos não consegue controlar seus pecados. É necessária muita determinação para não manifestarmos alguns sintomas desses pecados.

Mas, existe um deles, a inveja, que quando se manifesta, não deixa sinais patentes, ela é traiçoeira, é invisível. Ela é ausente de sintomas aparentes. Ela destrói muitos ambientes. Muitas vezes nos solidarizamos pelo insucesso de algum amigo, porém quando ele obtém o sucesso, é mais difícil suportar. Segundo o escritor Nelson Rodrigues "a inveja não se confessa nem ao médium depois de morto”. Em adesivos de carro se vê: “A inveja é uma m...”

Infelizmente é mais fácil criticar negativamente os defeitos, do que enaltecer as qualidades ou, conquistas. As pessoas gostam mais quando estamos tristes. A solidariedade na alegria é muito rara. Inclusive os movimentos populares de solidariedade ocorrem, em sua maioria, na hora da tristeza.

Reconhecer as vitórias, agradecer as lembranças, valorizar as boas ações, são atitudes positivas e construtivas. Requerem doses de humildade e sabedoria.

A matéria prima do Rotary são as pessoas o que exige dos grandes líderes habilidades em lidar com esses pecados. É fundamental entender como cada grupo se comporta. Um elogio público para uma conquista pode provocar a ira de outros, dependendo de como é colocado.

É fundamental entender a existência do nosso jeito de ser para saber conviver o melhor possível com a heterogeneidade rotária.

Novembro 2013, Marcos A F Franco 

Governador de Rotary 2010-11 D4420


13 anos fazendo o bem, do jeito certo

Eu poderia enumerar 13 motivos para esse grande feito: o nosso cuidado com a ética, a preocupação com a utilização dos recursos de nossos milhares de doadores, o envolvimento e o trabalho dos rotarianos que lideram os projetos em suas comunidades, doando seu tempo para poupar gastos com contrações profissionais, a valiosa capacitação do suporte técnico do staff do Rotary, a busca incessante dos rotarianos para atender as necessidades da comunidade e muitos outros.

Treze anos consecutivos recebendo a nota máxima da Charity Navigator, a maior organização americana, independente, que avalia entidades sem fins lucrativos, em todo o mundo, considerando quesitos como transparência, melhores práticas administrativas, finanças, imagem pública. Reconhecimento que poucos alcançam.

AGIMOS COM AMOR, coincidência ou não, são treze letras também. O amor busca soluções e nos torna cuidadosos para o êxito dos projetos, atraindo mais parceiros e aumentando a nossa capacidade de realizar bons projetos.

Parabéns a todos rotarianos.

Março 2021, Marcos Franco 

Governador de Rotary 2010-11 D4420


 

Desenvolvimento do Quadro Associativo com plano de voo


Você já experimentou viajar sem destino, sem horário para partir, sem roteiro e sem horário para chegar? É preciso muito espírito aventureiro e tempo sobrando para ter uma experiência dessas. Com certeza são raras as pessoas que se pré-dispõe a enfrentar uma viagem dessas.

Imaginem um clube de Rotary sem um plano de voo, os passageiros chegando para embarcar e, o avião ainda não está preparado para recebê-los. Após o embarque, verifica-se que não se tem combustível suficiente para chegar ao destino, quando o avião sobe, percebe-se que a alimentação não foi carregada. Enfim, é difícil imaginar que ocorram essas situações no setor de aviação. Provavelmente uma empresa como essa não teria muito tempo de vida.

Qualquer empresa, negócio ou projeto cresce e tem resultados positivos quando tem objetivo e um plano de trabalho, adequado ao seu mercado. Sabemos que um Rotary forte tem projetos para comunidade, mas sua base é feita de profissionais atuantes, idealistas, empreendedores, líderes em suas profissões. Agregar esses profissionais depende também de um sólido “plano de voo”, ou seja, um bom programa de convivência, estímulos, ingredientes motivacionais, reconhecimento e, sobretudo muito contato pessoal.

Outubro 2013, Marcos A F Franco 

Governador de Rotary 2010-11 D4420


 

Rotariano com Ideal

 












Quanto mais servimos, quanto mais vivemos Rotary, mais realizamos projetos, mais nos dedicamos ao servir, mais exigimos de outros rotarianos. Ficamos empolgados, recompensados e apaixonados por essa maravilhosa organização.

Lembro-me de que, quando fui convidado para ser rotariano, tive algumas dúvidas. O que teria que fazer? Qual seria a participação da minha esposa? Como seria cobrado? Quanto me custaria? Enfim dúvidas que foram dirimidas com as seguintes frases: o Rotary é uma grande organização de servir, primeiro você começa a frequentar e vai entendendo o que você pode fazer; o Rotary congrega profissionais em reuniões semanais, para fazer o bem ao próximo; você tem o perfil de rotariano.

Depois veio a posse, realizada em uma reunião festiva, que contou com a presença de um ex-presidente internacional, um diretor de RI e o governador do distrito. Eu escutei todos falarem sobre os vários aspectos do Rotary, mas não tinha a dimensão da importância dele, embora estivesse me sentindo muito valorizado.

Ao ler a promessa rotária percebi que o Rotary não exigia muito, apenas que eu fosse um profissional capacitado e ético dentro da minha profissão, e que compartilhasse a disseminação da paz mundial e o crescimento humano de nossa comunidade.

Comecei a perceber que não estavam me exigindo nada além do que eu já pensava e praticava. E assim, quando fui convidado para participar de um projeto, motivei-me, senti-me integrado e um verdadeiro rotariano.

Minha inclusão no Rotary foi muito natural e tranquila, jamais fui cobrado para participar, talvez não tenha dado essa oportunidade. Mas meu espírito de participação facilitou essa integração.

Como se sente um voluntário quando é cobrado? Vejo que, existe por parte dos rotarianos mais “apaixonados”, muita vontade de que todos participem com a mesma intensidade que ele. É importante lembrar que cada rotariano é convidado e adere ao Rotary por sua livre e espontânea vontade.

Percebo que todos possuem o “ideal de servir”. Em alguns, esse ideal é muito patente e empreendedor, em outros está mais inseguro, talvez sem saber o que fazer. Vejo nesse segundo a oportunidade de os verdadeiros líderes rotarianos desenvolvê-lo, acordá-lo, motivá-lo e não deixar passar em branco a chance de acender essa chama, com muita intensidade.

Novos rotarianos necessitam de exercitar o “ideal de servir”, com mais frequência. Eles carecem de mais participação, atenção, envolvimento pessoal e familiar. É comum observarmos rotarianos com um bom tempo de admissão, mas com um “ideal de servir” ainda por ser desenvolvido. O tempo de admissão não é a referência e sim suas atitudes, interesse e participação. Quanto mais oportunidade de participação que combine com seus interesses, mais o novo rotariano se desenvolve e consegue praticar o “ideal de servir”.

Vejo a necessidade de se desenvolver atividades nos clubes objetivando a busca do crescimento do “ideal de servir” daqueles que ainda não enxergaram esse maravilhoso ideal de ser rotariano. A paixão, desse futuro rotariano virá através do companheirismo, da atenção dos mais experientes, da delegação de projetos e ações, enfim, da nossa capacidade de sedução. 

Novembro 2013, Marcos A F Franco 

Governador de Rotary 2010-11 D4420.

Publicado na Brasil Rotário em Abril de 2014

Viva o Rotary praticando tênis, companheirismo e eliminando a pólio

Pessoas empenhadas em fomentar do ideal de servir em Rotary, já justificam a geração de uma forte união e comprometimento. Quando somamos isto a um interesse comum voltado a um esporte, hobby, estudo, atividade ou lazer, este poder de identificação, concentração e determinação voluntária, pode ser ainda extremamente potencializado.

Uma das maneiras de aumentar a participação e o prazer de vivenciar Rotary é participando de um dos inúmeros grupos de companheirismo do Rotary International existentes em nível mundial. Caso não encontre um destes quase 60 grupos que desenvolva uma atividade de seu interesse, junte os rotarianos que partilhem deste objetivo e crie um grupo de companheirismo. O Rotary é um universo gigantesco de oportunidade de ação coletiva humana, social e solidária.

O primeiro grupo de companheirismo surgiu em 1947 entre rotarianos de 5 países que praticavam iatismo. Cinco é o número mínimo de países para que o Rotary International reconheça a existência de um Grupo de Companheirismo.

Em 2005 surgiu o ITFR, Grupo International de Companheirismo de Tênis de Rotarianos, liderado pelos croatas para realização de campeonatos de tênis e com o objetivo de contribuir para projetos humanitários e arrecadar recursos financeiros para a Pólio. Cada campeonato realizado o grupo contribui com um valor para a erradicação da Pólio. Em 11 anos de existência o grupo contribui com pouco mais de US 350 mil em seus 101 campeonatos realizados em todo o mundo.

Hoje são 1441 rotarianos, rotaractianos, interactianos e familiares cadastrados em todo o mundo, formando uma verdadeira rede de entusiastas do tênis que contribui para a erradicação da Pólio. Na América do Sul são 228 registrados e US 31 mil arrecadados para a Pólio.

Em abril, na cidade de Buenos Aires o grupo realizou, com muito sucesso, a 3ª edição do Campeonato Sul-americano.

Mais campeonatos estão previstos para este ano: no dia 5 de junho, por ocasião da Convenção de São Paulo haverá um torneio de duplas, em novembro será realizado o 3º campeonato brasileiro na cidade de Canela, no sul do Brasil, na última semana de agosto ocorrerá o 11º campeonato mundial em Tomasville, Geórgia, EUA e em abril de 2016 será a realizada a 4ª edição do Sul-americano, em Santiago do Chile.

Os princípios do tênis compartilham com o espírito dos rotarianos, a ética e fair-play utilizado no tênis, fazem dele um esporte adequado para os fins rotários.


O ITFR é assim um instrumento privilegiado para promover a amizade e solidariedade em todo o mundo. A presença do Rotary International em todos os continentes, dá a ITFR a oportunidade de interagir com membros de diferentes nacionalidades com os mesmos objetivos rotários e do interesse do tênis.

Qualquer rotariano ou familiar pode se registrar no ITFR, através do website: www.itfr.org, sem custo algum.

O grupo vem crescendo na América do Sul e está em busca de mais rotarianos que compartilhe deste ideal para FAZER O ROTARY BRILHAR e FAZER UM ACE NO SEU SERVIÇO.

Junho 2013, Marcos A F Franco 

Diretor do ITFR para a América do Sul e GD 2010-11 D 4420

 

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Qual é o seu tempero?

Quem não gosta de uma feijoada? E se ela for bem-feita, com bons produtos e um bom tempero? Todos nós temos na lembrança algumas feijoadas que nos tocaram. São pratos elaborados por pessoas que sempre querem fazer o melhor para nos agradar e o resultado provocado, são sensações particulares e especiais que penetram em nossas mentes para sempre.

Como poderia ser a sua feijoada rotária? Aquela feijoada que deixasse boas lembranças para os seus companheiros, que pudesse ser referência e repercutisse para além dos nossos clubes e que fosse solicitada por muita gente, como acontece com os grandes artistas.

Poderia ser:

-                     20 Kg de DQA de primeira;

-                     1 Projeto Sustentável;

-                     1 Administração bem limpa;

-                     Imagem Pública a gosto;

-                     100 granas de Fund. Rotária;

-                     2 partes de Empresa Cidadã;

-                     Planejamento à vontade;

-                     1 Visão de longo prazo;

-                     Incluir um pouco de Missão;

-                     Adicionar INTEGRIDADE;

-                     Juntar DIVERSIDADE;

-                     Dourar com PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS;

-                     Untar com LIDERANÇA;

-                     Regar com muito COMPANHEIRISMO;

-                     Usar o Sino para adicionar o Protocolo;

-                     Agregar tudo com a Bandeira;

-                     Reservar enquanto se ouve os pronunciamentos;

Essa é uma receita padrão e mínima, com os ingredientes básicos, para se elaborar uma feijoada rotária. Mas ainda faltam os temperos. Você conhece todos? Os temperos é que aguçam o nosso olfato, provocam o apetite e que eternizam, em nossas lembranças, momentos agradáveis e deliciosos. Eles existem por todas as partes e, antigamente, muitos navegadores iam pelo mundo afora, em busca dos melhores temperos.

Existe uma infindável quantidade de temperos: uns mais raros, outros mais comuns, alguns que apreciamos e outros fortes, que às vezes, agridem nosso estômago. Muitas combinações não dão certo, é preciso desenvolver a sensibilidade para harmonizar os diversos temperos com os ingredientes utilizados.

Quais são os temperos que você mais utiliza no seu clube: Alegria? Tolerância? Entusiasmo? Motivação? Inovação? Humildade? Cortesia? Reconhecimento? Delegação? Transparência? Flexibilidade? Amor? Paixão? Envolvimento? Justiça? Coragem?

Poderia falar de cada um deles e acrescentar muito mais temperos de atitudes de um bom líder e de relacionamentos pessoais. A feijoada rotária para ser apreciada por muitos, deve conter os temperos que sejam lembrados pela sensação agradável de podermos desfrutar de um grupo de pessoas especiais. Pessoas que mesmo não se conhecendo pessoalmente, sabemos quais são os temperos que são utilizados para fazer a sua feijoada.

Uma boa feijoada pode ser uma fonte de inspiração para aqueles que começam a frequentar o Rotary. Ela pode unir e fortalecer o seu clube e servir de exemplo para toda a comunidade.

Em cada canto desse mundo encontraremos muitos ingredientes para a elaboração de uma feijoada rotária, mas somente aquelas, elaboradas com bons temperos, usados na quantidade certa e bem harmonizados, despertarão sensações especiais e se eternizarão nas lembranças de muitas pessoas.

Então, você também pode ser um GRAND CHEF, buscando os melhores ingredientes para sua feijoada rotária, trazendo mais temperos especiais e harmonizando-os de acordo com sua sensibilidade e paixão, fazendo o seu melhor.

Publicado na Rotary Brasil em outubro de 2013

Abril 2013, Marcos Franco 

Governador de Rotary 2010-11 D 4420.

 

Leitura infantil para uma educação de qualidade

 

Quantos de nós, como pais, ao tentarmos embalar nossos filhos para dormir, ainda bebês, cantamos uma música ou contamos uma história.

Ouvir uma história é o início da formação de um leitor. Uma história aguça a curiosidade, provoca a imaginação, desenvolve a criatividade, produz sensações diversas. Quem, quando criança, ao ouvir a história do Chapeuzinho Vermelho, torcia para que ela não fosse enganada pelo Lobo Mau?

Einstein dizia: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento. Você só desenvolve a imaginação colocando um livro na mão de uma criança”.

Ler é um dos indicadores mais importantes para o turo escolar e profissional. É fundamental, pois, apresentar os livros às crianças, e mais que isso, incentivar o amor por eles. As crianças aprendem que imagens contam histórias e que elas também podem criar as suas. Faz as crianças se sentirem especiais quando percebem que podem ler. Leitura exercita a imaginação e leva, gradativamente, ao uso de padrões de linguagem e pensamento mais complexos.

A pesquisa realizada pelo Ibope, em 2011, mostra que somente 50% dos brasileiros leem. Esse número era de 55% em 2006. É muito pouco. Educação de qualidade começa pelo hábito de ler que, por sua vez, se inicia na infância. Um leitor infantil será um estudante preparado para assimilar conhecimentos e desenvolver suas atividades sociais.

Em Paraty, cidade que abriga a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, realizada anualmente, além de criar a Flipinha, destinada para os leitores infantis, o município instituiu em suas escolas o projeto Mar de Leitores, com objetivo de transformá-lo em cidade de leitores. Desde 2009, através de uma resolução municipal, ficou instituída uma hora/aula semanal de leitura literária na grade curricular, desde a Educação Infantil até o 2º segmento do ensino Fundamental. Uma iniciativa sustentável realizada em conjunto com a sociedade.

Outras iniciativas, realizadas por algumas ONGs são as Salas de Leitura, ou Bibliotecas Vivas, onde entidades localizadas em comunidades carentes cedem espaços, mantém um monitor, em troca de que essas salas sejam equipadas com móveis, livros, brinquedos e capacitação dos monitores. O LER – Centro de Leitura e Educação Rotary – D 4420, desde junho de 2011 já propiciou a abertura de 13 salas em parceria com Rotary Clubs e entidades, através de projetos de subsídios distritais e globais da Fundação Rotária e de projetos que transferem o imposto de renda para os CMDCAs – Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente.

O processo de formação de um leitor pode ser incentivado por qualquer cidadão: pais, familiares, tutores e principalmente pelos educadores.  Uma criança estimulada e consciente da leitura hoje será um pai de um futuro leitor amanhã. Todos sabem que é investimento de longo prazo, mas que deve ser feito.

Ziraldo, cartunista e escritor, quando em sua participação na Bienal do Livro de 2012 destacou: “A gente tem que fazer uma campanha para acabar com o analfabetismo. Tem que ensinar a ler, escrever e contar. E aí vai arrebentar no Ensino Médio”

Novembro 2013, Marcos A F Franco

Presidente do LER–Centro de Leitura e Educação Rotary- D 4420.

Publicado no jornal A Tribuna de Santos em 7 de janeiro de 2013

Publicado na Revista Brasil Rotário em Janeiro de 2014



Inovação além dos sinos

            Quem, dentre nós, simples mortais, poderia imaginar, há 40 anos atrás que muitas ideias e grandes transformações alterariam nossas vidas para melhor. Foi assim com os transplantes de órgãos, quando em 1967, um médico sul-africano Christian Barnard realizou o primeiro transplante de coração da história e, cinco meses depois o médico brasileiro Euryclides de Jesus Zerbini fazia o segundo procedimento dessa natureza, em São Paulo. Também os americanos Steve Jobs e Bill Gates, ficaram marcados nos anos setenta pelas suas fundamentais inciativas ao criarem um computador pessoal com programas que mudariam definitivamente nossa comunicação.

Estes são apenas dois exemplos de grandes inovações: buscar soluções diferentes para melhorar as vidas das pessoas. Sim, essa é a real definição de inovação. Caso a mudança não seja para beneficiar muitas pessoas, ela terá outro nome, pode ser uma invenção, pode ser uma fantasia, pode ser uma alucinação ou, outro termo que se queira utilizar.

Também é verdade que as grandes inovações podem ter um alto custo, como ocorreu com a perda de vidas nos primeiros transplantes, até que a indústria farmacêutica aderisse e desenvolvesse uma droga contra a rejeição dos órgãos transplantados, ou no caso dos americanos da informática, conquistando inúmeros inimigos e respondendo a muitos processos judiciais. Mas eles tinham a convicção de que seus feitos agregariam incontáveis benefícios para a humanidade.

Recentemente um grupo de rotarianos experientes e, preocupados com o futuro da organização como um todo, também inovaram e estabeleceram o Plano Visão de Futuro, buscando ampliar a aplicação dos recursos financeiros da Fundação Rotária em projetos sustentáveis.

Todos nós também inovamos, individualmente, para a família e em nossas atividades profissionais. O ser humano quer e busca incessantemente o seu progresso, conforto e bem-estar. Veja que enquanto se está envolvido pessoalmente é mais fácil de contribuir para a inovação, mas, quando pensamos no todo e para todos, a nossa tendência é a de deixar para o outro. Há muitas exceções, principalmente entre os rotarianos, que têm dentro do seu espírito o ideal de servir.

Vivemos hoje um momento em que as pessoas tendem a ser mais egoístas: menos casamentos, menos filhos, mais automóveis, muitos celulares, estes quase autônomos, temos muitos números e senhas e, por ai vai. O Rotary é coletivo e pensa no futuro da humanidade. Essa é uma incongruência que temos que superar: fazer o coletivo funcionar em pessoas cuja tendência é o individual.

Como rotarianos experientes e de fato, devemos buscar esse novo caminho em nossos clubes, sob pena de vê-los regredirem. Criar um ambiente para inovar será a nossa saída, motivando e apoiando os mais jovens para que eles estabeleçam o futuro. Um ambiente em que o coletivo esteja estimulado a investir na humanidade. Se necessário vamos esquecer os sinos, as bandeiras, hoje o tempero de muitos clubes, mas é fundamental deixar as portas abertas para que o futuro seja construído com base em nossos valores (Ética, Prestação de Serviços, Liderança, Diversidade e Companheirismo) e, sobretudo, no IDEAL DE SERVIR.

Fevereiro 2013, Marcos Franco 

Governador de Rotary 2010-11 D 4420 

Publicado na Rotary Brasil em abril de 2013








Frequência ou Audiência?

 

Tenho observado muitos comentários sobre a adesão e frequência nas reuniões ordinárias de diversos clubes rotários. Constatei que apesar de os rotarianos mais experientes gostarem dos seus clubes, a grande maioria alega que a frequência é menor do que a de anos atrás, que o presidente do seu clube muitas vezes não divulga a programação, que a motivação é baixa, dentre outras colocações.

O que fazer? É a principal indagação dos presidentes eleitos e de seus conselhos diretores. Quando pergunto a eles qual é a principal reunião anual dos seus clubes, a resposta mais comum é a reunião de posse do conselho diretor, seguida pela festiva de aniversário, seguida pela visita do governador e, em alguns casos, as reuniões dedicadas ao companheirismo. Mas, dentre as 45 a 48 reuniões ordinárias realizadas anualmente em cada clube, restam ao menos 35.

A reunião ordinária é a principal razão de subsistência dos clubes, é como se fosse a planta da fábrica para uma indústria, é como se fosse a mina para as empresas fornecedoras de água, poderíamos compará-las com as ferramentas dos carpinteiros, é como uma missa nas igrejas. Quando vamos à missa esperamos sempre que ela ocorra segundo o seu ritual e com o sermão bem-preparado pelo padre. Por que não o fazer da mesma forma em todas as reuniões em nossos clubes?  Os calendários, objetivos e metas do Rotary já são de conhecimento de todos, então fica fácil elaborar o calendário anual do clube, destacando um companheiro ou dois, para que liderem cada reunião projetada.

Existe um cuidado muito grande para a preparação da reunião de posse e a de aniversário. Por que não fazer o mesmo para as demais? Temos nos preocupado muito com a frequência e nos esquecemos da audiência. A audiência é medida em função de quantas pessoas estão ligadas em algum programa na televisão ou no rádio. Essa é a diferença, frequência é a presença física e audiência é o interesse de cada um.

A frequência nós medimos e a audiência nós buscamos. Quantas pessoas diferentes, convidadas, frequentaram seu clube no último ano? Quantos companheiros elogiaram uma ou outra reunião? Qual foi a repercussão das reuniões do seu clube em sua comunidade? O que estamos fazendo para atrair os novos associados e a comunidade para nossas reuniões?

Quando fui presidente de clube, além de ter elaborado um calendário anual e medir o índice de frequência oficial do clube, também controlei a quantidade de visitantes e persegui o recorde de presença física dos companheiros, tendo conseguido superá-lo em minha última reunião. Preocupei-me em que, cada uma delas tivesse muitas pessoas, instituindo uma gincana interna, reuniões mensais com os familiares, homenagens de reconhecimento para profissionais da comunidade, envolvimento com Interact, Rotaract e intercambistas, enfim muitas atividades ótimas, já realizadas por muitos clubes e que devem ser aplicadas para melhorar a audiência.

As visitas a outros clubes mais distantes favorecem a criatividade, além de tornar o seu clube mais conhecido. Incentive seus companheiros a criar formas de atrair às pessoas, buscando o que é de interesse da maioria dentro da atualidade. A audiência crescerá e, consequentemente, a frequência.

Abril 2013, Marcos Franco 

Governador de Rotary 2010-11 Distrito 4420 

Publicado no Brasil Rotário em Agosto de 2013




Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...