sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Inovação além dos sinos

            Quem, dentre nós, simples mortais, poderia imaginar, há 40 anos atrás que muitas ideias e grandes transformações alterariam nossas vidas para melhor. Foi assim com os transplantes de órgãos, quando em 1967, um médico sul-africano Christian Barnard realizou o primeiro transplante de coração da história e, cinco meses depois o médico brasileiro Euryclides de Jesus Zerbini fazia o segundo procedimento dessa natureza, em São Paulo. Também os americanos Steve Jobs e Bill Gates, ficaram marcados nos anos setenta pelas suas fundamentais inciativas ao criarem um computador pessoal com programas que mudariam definitivamente nossa comunicação.

Estes são apenas dois exemplos de grandes inovações: buscar soluções diferentes para melhorar as vidas das pessoas. Sim, essa é a real definição de inovação. Caso a mudança não seja para beneficiar muitas pessoas, ela terá outro nome, pode ser uma invenção, pode ser uma fantasia, pode ser uma alucinação ou, outro termo que se queira utilizar.

Também é verdade que as grandes inovações podem ter um alto custo, como ocorreu com a perda de vidas nos primeiros transplantes, até que a indústria farmacêutica aderisse e desenvolvesse uma droga contra a rejeição dos órgãos transplantados, ou no caso dos americanos da informática, conquistando inúmeros inimigos e respondendo a muitos processos judiciais. Mas eles tinham a convicção de que seus feitos agregariam incontáveis benefícios para a humanidade.

Recentemente um grupo de rotarianos experientes e, preocupados com o futuro da organização como um todo, também inovaram e estabeleceram o Plano Visão de Futuro, buscando ampliar a aplicação dos recursos financeiros da Fundação Rotária em projetos sustentáveis.

Todos nós também inovamos, individualmente, para a família e em nossas atividades profissionais. O ser humano quer e busca incessantemente o seu progresso, conforto e bem-estar. Veja que enquanto se está envolvido pessoalmente é mais fácil de contribuir para a inovação, mas, quando pensamos no todo e para todos, a nossa tendência é a de deixar para o outro. Há muitas exceções, principalmente entre os rotarianos, que têm dentro do seu espírito o ideal de servir.

Vivemos hoje um momento em que as pessoas tendem a ser mais egoístas: menos casamentos, menos filhos, mais automóveis, muitos celulares, estes quase autônomos, temos muitos números e senhas e, por ai vai. O Rotary é coletivo e pensa no futuro da humanidade. Essa é uma incongruência que temos que superar: fazer o coletivo funcionar em pessoas cuja tendência é o individual.

Como rotarianos experientes e de fato, devemos buscar esse novo caminho em nossos clubes, sob pena de vê-los regredirem. Criar um ambiente para inovar será a nossa saída, motivando e apoiando os mais jovens para que eles estabeleçam o futuro. Um ambiente em que o coletivo esteja estimulado a investir na humanidade. Se necessário vamos esquecer os sinos, as bandeiras, hoje o tempero de muitos clubes, mas é fundamental deixar as portas abertas para que o futuro seja construído com base em nossos valores (Ética, Prestação de Serviços, Liderança, Diversidade e Companheirismo) e, sobretudo, no IDEAL DE SERVIR.

Fevereiro 2013, Marcos Franco 

Governador de Rotary 2010-11 D 4420 

Publicado na Rotary Brasil em abril de 2013








Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...