Andar
é o que mais faço quando estou turistando. É a melhor forma de conhecer e
sentir as cidades. Caminhar pelas calçadas, atravessar ruas, descobrir jardins,
parques, igrejas, museus, lojas, cafés, restaurantes e contatar pessoas aguçam
o meu perfil explorador. Cada detalhe visualizado, tocado e degustado fica
registrado em minha memória e definem as características desse meu novo lugar.
Foi
assim que fiz quando estive em Melbourne, a cidade fundada em 1835 que herdou o
nome de um ex primeiro-ministro e mentor da rainha Vitória. Caminhei por vários
cantos dessa cidade encantadora e, em especial pelas margens do rio Yarra.
Esse
rio foi sábio. Ele nasce nas Cordilheiras de Yara. Seu curso segue por 250
quilômetros até a Baia dos Hobsons, em Melbourne, onde desagua. Ele, desde a
sua formação, já sabia que as terras ao seu lado iriam ser habitadas por aussies
determinados. Sabia que eles iriam cuidá-lo e enfeitá-lo.
Pela
manhã, tarde ou noite, em três quilômetros de ambas as margens, os turistas e
os melbourianos se revezam frequentando as inúmeras atividades que o Yarra
oferece. Em uma das margens encontra-se a Flinders Street Station, a principal
estação de trens da cidade, que também se conecta a maior linha de bondes do
mundo.
A
pé, de bicicleta, patins ou de barco, andando pelo Yarra, desde que o tempo
instável da cidade permita, se consegue admirar os jardins, a arquitetura
arrojada dos prédios, visitar o Aquário, se divertir no Crown Cassino,
participar de feiras no Centro de Convenções, fazer compras em inúmeros
shoppings, se perder pelo paraíso gastronômico, levado pelos múltiplos aromas
produzidos por infindáveis restaurantes e chegar ao Melbourne Park.
A
realização dos Jogos Olímpicos de 1956 propiciaram um grande desenvolvimento
para a cidade. É no Melbourne Park onde se concentram as principais e
impecáveis instalações esportivas, e que também abrigou as Olímpiadas, cujo
feito de Ademar Ferreira da Silva está lá, cravado em uma placa de granito. Ademar,
nosso grande recordista mundial do salto triplo, nessa oportunidade, sagrou-se
bicampeão olímpico. Foi um exemplo de atleta e pessoa.
É
nesse parque que se encontra o Melbourne Cricket Ground, o maior estádio da
Austrália, considerado um monumento especial para os australianos, onde se
pratica o Futebol Australiano, Rugby e o Cricket, e que abriga o lindo Museu do
Esporte. Também é lá, que se encontram as grandiosas instalações de tênis, onde
é realizado, anualmente, o Australian Open, um dos quatro maiores torneios de
tênis do mundo.
Além
das margens, o rio Yarra possui várias pontes, dentre as quais, uma para
pedestre, chamada Footbrige. Ela tem o sentido transversal, construída com um arco
branco sobre a sua extensão. Atravessá-la é uma viagem pelo mundo. A cada passo
caminhado, em sua proteção de vidros, se lê o nome da cidade de um país. Mais
um sinal de que essa cidade do estado de Victória é acolhedora e global.
Demonstrando
o seu calor em receber as pessoas, o Yarra, em uma de suas margens, possui
algumas colunas, com dez metros de alturas que, ao início da noite, lampejam
fogos barulhentos, lançando chamas para o alto, assustando e aquecendo os
desavisados.
Dificilmente,
quando se está em Melbourne, se deixa de ver e cumprimentar o Yarra. Ele é
majestoso, vaidoso e egoísta. Ele valoriza sua beleza. Durante os dez dias que
lá estive, não deixei de vê-lo e explorá-lo. Ao me despedir, ele chamou o sol,
os pássaros e se vestiu de azul espelhando toda beleza existente ao longo de
suas margens. Me disse: foi bom conhecê-lo, volte sempre, mande lembranças para
os seus amigos e peça que eles venham me conhecer.
Julho
2023, Marcos A F Franco

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