quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Ilha dos Deuses

Sempre tive curiosidade em conhecer Bali.

Recentemente, visitei essa vibrante ilha da Indonésia, repleta de cultura e espiritualidade. Ainda no voo, ao me aproximar do destino, avistei os seus 5,6 mil quilômetros quadrados de extensão — o dobro da área da Baixada Santista, em São Paulo. Seu formato lembra a de um simpático pacu verde, brincando em pleno Oceano Índico.

Suas praias são paradisíacas — desde aquelas de longas faixas de areia branca até as que exibem morros e pedras de formações vulcânicas, esculpidas pela natureza exibindo verdadeiras obras de artes. Além de milhares de turistas que viajam longas distâncias para aproveitar esse paraíso, surfistas do mundo todo deslizam sobre suas ondas verdes e azuis, como se estivessem em perfeita sintonia com o mar, fazendo parecer uma conversa amigável entre ambos.

A vegetação das montanhas é exuberante, repleta de árvores frutíferas, como mangueiras, bananeiras, goiabeiras, jaqueiras, coqueiro e palmeiras de palmito. Seus habitantes cuidam carinhosamente das árvores e flores, com destaque para os hibiscos, frangipanis, orquídeas e outras espécies coloridas, cultivadas e utilizadas frequentemente em oferendas religiosas.

Um dos cartões-postais de Bali são os terraços de arroz, parte essencial da paisagem da ilha. Eles são mantidos por meio do sistema de irrigação tradicional chamado Subak, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Esse sistema utiliza canais, túneis e represas para distribuir a água das montanhas até os arrozais, garantindo uma irrigação eficiente e sustentável. Sua administração é coletiva, sendo gerida por cooperativas formadas pelos agricultores locais.

Cheguei a Bali pelo aeroporto de Denpasar, localizado na cidade de mesmo nome, a maior da ilha, com densidade populacional de 736 habitantes por quilômetro quadrado. Com seus 3 milhões de habitantes, a cidade pulsa intensamente, como se fosse a corrente sanguínea da ilha, conduzindo o oxigênio da paz por todos os cantos.

A caminho do hotel, de dentro do automóvel, contemplei as centenas de árvores, plantas e flores que acalmam e protegem os motoristas do intenso sol. Em meio ao tráfego disputado por incontáveis pequenos carros e motocicletas, a vegetação oferece sombra e frescor. As ruas são estreitas, sinuosas, bem arborizadas, com pequenas elevações e trechos irregulares.

Mais do que a beleza natural da ilha, a simpatia dos balineses é uma de suas características mais marcantes. Em qualquer interação, estão sempre presentes o sorriso e o gesto hindu de inclinar a cabeça com as mãos unidas em sinal de respeito. São pessoas simples e humildes.

Bali também é conhecida como a “Ilha dos Mil Templos”, ela abriga cerca de vinte mil templos espalhados por toda a região. O hinduísmo predomina entre noventa por cento da população e se manifesta de uma forma visível no dia a dia, especialmente nas oferendas diárias, que podem ser feitas em qualquer local — calçadas, portas de lojas ou dentro de casa. As oferendas deixadas no chão têm a função de afastar os espíritos ruins. Portanto, o melhor é não as incomodar.

São pequenas cestas quadradas feitas de folhas de coqueiro, repletas de flores acompanhadas de uma variedade de oferendas para os deuses, sempre cobertas por um único incenso fumegante. Em sua simplicidade, essas oferendas modestas, mas delicadamente elaboradas, simbolizam a fusão única do hinduísmo de Bali.

De modo geral, as oferendas de comida e bebida aos deuses visam apaziguá-los, agradecê-los e/ou pedir pela manutenção da ordem e prosperidade em vida.

Assim que cheguei ao hotel e contemplava um maravilhoso pôr do sol, no topo de um penhasco — um contraste entre o mar azul e os diversos tons de amarelo de um imenso sol — fui surpreendido por uma grande onda que ousou me cobrir, se misturando à bebida do meu copo e, naturalmente, molhando toda minha roupa. Foi uma saudação especial e refrescante.

É preciso tempo para vivenciar a presença dos deuses que habitam cada canto desse paraíso, cuidadosamente preservado pelos balineses.


Fevereiro 2025

Marcos A F Franco
 

Turista Tropical em Terras Glaciais

O vento gelado tocava insistentemente meu rosto — a única parte desprotegida do meu corpo — na inóspita terra dos salmões, ursos e baleias. Um terrível desafio para um turista tropical e idoso: sobreviver às montanhas congeladas, em pleno verão do Alasca.

Desta vez, viajei literalmente dentro de um cartão postal!

Apesar das inúmeras dificuldades e condições extremas, o 49º estado americano, com seus 750 mil habitantes, extrai petróleo, prata e ouro de suas terras, e mantém uma forte indústria de pesca e turismo.

O sol me recebeu assim que desembarquei em Anchorage, a maior cidade do Alasca. Aliás, ele — o sol — extremamente vaidoso, aparece por cerca de 18 horas diárias no verão. Já a noite, insiste em não desaparecer por completo, deixando uma pequena fresta, como que para não ser esquecido.

É impossível não avistar montanhas em qualquer parte do Alasca. A grande maioria delas está envolta em neve e gelo. Andando de trem, ao redor dessas formações é como estar entre grandes sorvetes.

A sinuosa ferrovia Alaska Railroad se estende por quase 800 quilômetros. Em cinco horas, percorri 200 km de trem, contornando geleiras, margeando o mar, atravessando túneis, fotografando animais, pássaros, pedras e pequenas comunidades em meio à natureza selvagem. Algo bem diferente de nosso cotidiano — e, ao mesmo tempo, encantador.

Em Seward, pequena cidade e porto turístico, pude ver um cenário cinematográfico. Admirei uma marina de barcos com montanhas ao fundo, do outro lado do braço de mar, enquanto o sol tentava derreter a neve sobre elas.

No dia seguinte, já a bordo de um navio de cruzeiro, o sol foi descansar. Por 24 horas, os deuses daquele mar decidiram balançar nosso navio e obstruir nossa visão com chuva e neblina. Dali em diante, fomos premiados com milhares de imagens deslumbrantes, navegando por centenas de fiordes. Por mais que o cenário se repetisse, ele nunca era igual. A cada minuto, o navegar do navio proporcionava um novo ângulo das montanhas geladas.

Diariamente, um novo porto nos era apresentado: passamos por Juneau, a capital, Skagway e Ketchikan, até chegar à maravilhosa Vancouver. Cada pequena cidade, preservada em seus estilos originais de séculos atrás, oferecia atrações desde passeios de aventura, churrasco de salmão, observação de baleias e ursos, voos de hidroavião, trilhas, teleférico para subir montanhas e lojas de roupas típicas, pedras preciosas e joias.

Visitando uma pequena loja de artesanato, o simpático senhor proprietário, ao ver o gorro e casaco que eu vestia, disse ironicamente para eu não me preocupar — mais tarde faria muito calor. A temperatura chegaria a 13 graus. E acredite: zero grau, para os nativos, é motivo de festa e de andarem pelas ruas sem camisa.

Ao final, pisando em terras firmes canadenses, trouxe gravadas em minha mente magníficas paisagens — e, no corpo, uma forte gripe que insistiu em me acompanhar por cinco longos dias.

Agosto 2025

Marcos A F Franco


Doha Além da Riqueza

A riqueza de Doha vai além do valor material.

Dois fatos incomuns para turistas marcaram a minha rápida passagem nessa deslumbrante capital do Oriente. A cidade, com pouco mais de 1,5 milhão de cataris, que foi sede da Copa do Mundo de Futebol em 2022, demonstrou seu respeito e carinho pelos visitantes.

A caminho do Qanat Quartier, a “Veneza do Qatar” — um bairro da Pérola, como é conhecida a ilha artificial em Doha — fomos surpreendidos e recolhidos por duas mulheres em um carro de luxo.  Nesse lugar, o romantismo e o charme venezianos se encontram a sofisticação árabe. Com prédios baixos em tons pastel, canais que se fundem ao Golfo Pérsico e belas pontes, o cenário é complementado por lojas, restaurantes e cafés encantadores.

As duas mulheres nos encontraram perdidos e sozinhos em uma grande praça próxima à estação de metrô onde havíamos descido, convictos de que estávamos bem perto da Pérola. Quando se aproximaram, envoltas em suas vestes pretas, ficamos apreensivos. No entanto, a gentileza das duas logo nos tranquilizou, e acabamos aceitando a carona que nos levaria para o nosso destino.

 Não é comum que alguém suporte o sol escaldante das arábias naquela hora do dia. O calor pode derreter qualquer um, chegando a 47 graus Celsius durante o dia. Naturalmente, elas perceberam os turistas anciões, carregando uma mochila, molhados de suor e examinando um mapa turístico. Com sorrisos gentis, as duas jovens nos salvaram.

Tudo em Doha é suntuoso, começando pelo seu aeroporto, um hub que une o Ocidente e Oriente com centenas de conexões. Os oito estádios de futebol, verdadeiras obras-primas da arquitetura, são interligados por uma nova e eficiente rede de metrôs, que esbanja conforto e grandiosidade. Os museus — Nacional e o de Arte Islâmica — impressionam tanto pela arquitetura moderna quanto pelo rico conteúdo.

Além dos magníficos prédios, dos barcos de pesca, do transporte público e dos imensos shoppings, a população se resguarda do sol durante o dia e toma as ruas à noite. Os homens, em sua maioria, vestem o Thobe — a tradicional túnica branca comprida — acompanhado da Ghutra, o lenço branco na cabeça, preso pelo Igal, uma corda que o mantém preso na cabeça.

A maioria da população percorre o antigo mercado Souq Waqif, com suas ruas sinuosas e lojas vibrantes. É o lugar perfeito para viver a tradicional cultura árabe. O mercado oferece uma grande variedade de produtos, incluindo especiarias, perfumes, tecidos e artesanato.

O Souq Waqif também oferece casas de chás e restaurantes imperdíveis, com o melhor da gastronomia local. Em nossa última noite, após degustarmos um quibe especial, percebi ao pagar a conta que o serviço não havia sido cobrado. O atendimento, impecável, foi realizado por um garçom muito simpático. Ao questioná-lo, ele explicou que a gorjeta não fazia parte da cobrança. Insisti em pagá-lo a parte, mas, para minha surpresa, ele recusou educadamente, dizendo que não poderia aceitar.

 Saímos do restaurante decepcionados por não podermos compensá-lo pelo seu excelente atendimento, mas, ao mesmo tempo, surpresos e tranquilos diante da idoneidade demonstrada. Cada cultura tem seus costumes, e cabe, a nós respeitarmos. 

Setembro 2024

Marcos A F Franco
 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Quando os Segredos Ainda Brincam

 

Eu tenho um segredo no meu bolso!

Foi assim que Mateus, meu neto — o pequeno falador — rompeu o silêncio dentro do carro. Todos ficamos curiosos. Ele é instigante por natureza.

Estávamos voltando da casa dos bisavós, após celebrar os 91 anos do biso.

— É um elefante? — arrisquei.

— Claro que não — respondeu ele, com um sorrisinho.

— É um chiclete mastigado?

— Também não, vovô.

Sua mãe, também rendida à curiosidade, entrou na brincadeira. — Então dá uma pista... como ele é?

— É um retângulo — disse, com solenidade.

— Ah! Então é uma caixa de fósforo usada? — insisti.

— Não, e nem caberia no seu bolso! — retrucou.

— É um papel?

— Não é.

Então, ele nos deu uma dica preciosa:

— Todos vocês gostam muito do que está no meu bolso.

Sua avó, certeira, arriscou:

— É dinheiro!

Ele ficou em silêncio, com aquele ar de quem foi pego.

Um pouco tímido, revelou:

— Ganhei da bisa! — e completou:

— O presente do Gabriel — seu irmão — está no meu outro bolso...

Segredo em dose dupla.

Mateus tem essa coisa de não conseguir guardar segredos por muito tempo. Lembro de um almoço, tempos atrás, quando contei a ele — só entre nós — que sua outra avó era um pouquinho tagarela. Pedi que não contasse para ninguém.

Minutos depois, ele se aproximou da mãe, e, como quem carrega uma joia rara, sussurrou no ouvido dela...
Mais um segredo revelado com todo o cuidado do mundo.

Segredos infantis têm prazo de validade curta, mas são sempre emocionantes.

Lembro da professora perguntando à turma:

— Quem jogou essa bolinha de papel?

Todos sabiam, mas o silêncio cúmplice era absoluto.
Ou então o clássico: confidenciar ao melhor amigo que gostava de uma certa menina — e no dia seguinte, todos sabiam. Em casa, os pais escondiam presentes para o Dia das Mães, contando apenas aos filhos. Mas dificilmente o segredo chegava intacto até a data.

Com o tempo, os segredos crescem. Ficam mais densos, mais sérios.
Alguns viram confidências. Outros, pesos. Há os que, se revelados, ferem.
E há aqueles que, se guardados, sufocam.

Crescer é complicado.

Mas... e o segredo de se manter criança? Talvez esse seja o grande mistério da vida. Talvez o segredo esteja em não guardar segredos.

Guarde esse segredo.

Abril 2025, Marcos A F Franco

Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 25/04/2025

O Valor do Primeiro Emprego


           Qual o melhor momento para o primeiro emprego?

Duvido que haja uma resposta exata. Muitas vezes, é a necessidade que nos empurra: falta de dinheiro, desejo de independência, vontade de aprender, pressão dos amigos. Alguns seguem um caminho tradicional — escola, faculdade, carreira. Outros, sem condições financeiras, trabalham para sustentar os estudos. Há também quem precise fazer bicos apenas para sobreviver ou ajudar a família. São muitas as realidades que a vida nos impõe.

Independentemente do motivo, iniciar cedo no mundo do trabalho é sempre enriquecedor. Mesmo atividades que não têm relação direta com a profissão desejada proporcionam aprendizados e relacionamentos valiosos para o futuro.

Aos 15 anos, decidi buscar um emprego, sem saber ainda qual carreira seguir. Queria ser independente. Talvez por ver meu pai, que chegou a ter quatro empregos — professor e escrevente na Justiça — sempre tão ativo. Foi ele quem me contou sobre uma vaga de office boy em um escritório de contabilidade. Transferi minhas aulas para a noite e comecei a trabalhar.

Foi uma mudança enorme para um garoto. Precisei aprender a respeitar horários, superiores, clientes e tarefas. O mundo se abriu diante de mim como se eu enxergasse através de um binóculo.

Minha primeira tarefa foi furar papéis para arquivamento. Quando o patrão perguntou se eu sabia, respondi que sim — com a segurança típica da juventude. Mas ao ver meu trabalho, ele corrigiu gentilmente: “Você não dobrou a folha para achar o centro. Assim, os furos ficam alinhados.” Nunca mais esqueci essa lição.

Passei a observar atentamente os colegas mais experientes. Cada detalhe era uma oportunidade de aprendizado. Com o tempo, tive outros empregos, até me formar em Administração de Empresas. Cada experiência me trouxe conhecimento, amigos e crescimento — e abriu portas para cargos importantes, até eu fundar minha própria empresa.

Percebi, ao longo da vida, que os vencedores são aqueles que geram valor para a comunidade por meio do seu trabalho. Por isso, quanto antes você se envolver com o mundo profissional — seja por emprego, estágio ou atividade informal —, menos dependerá da sorte. Seu diferencial estará no que você sabe, no que viveu e nas conexões que construiu.

O primeiro emprego fortalece a autoestima para a busca de uma colocação desejada e adequada ao seu perfil. E, um dia, você sentirá orgulho de contar sua história.

Junho 2025, Marcos A F Franco

Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 18/6/2025

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Empreendedorismo da Terra

Dias atrás, fiquei admirado ao assistir a uma reportagem sobre uma empresa da Amazônia que resolveu industrializar o mingau da Amazônia, com o objetivo de disponibilizá-lo para além das fronteiras da região.

O mingau da Amazônia é um prato nutritivo e sustentável, feito com ingredientes locais como banana, castanha, cupuaçu, açaí, macaxeira e tapioca. É uma tradição dos povos indígenas e ribeirinhos da região, passado de geração em geração. 

Parafraseando Clarice Lispector em uma de suas belas crônicas, “o inesperado me tomou”. Voltei ao tempo do meu curso de mestrado em Administração de Empresas quando estudei sobre Tecnologia Intermediária — conceito que se baseia na adequação ao ambiente local, com o objetivo de aumentar a autonomia das comunidades, por meio de soluções de baixo custo.

Fui além: lembrei-me da infância, quando em busca de diversão e entretenimento, produzia meus próprios brinquedos — pipas e carrinhos feitos de restos de madeira ou papelão. Construí também pranchas de surfes de madeirite e o famoso “sonrisal” — um disco de madeirite com cerca de um metro de diâmetro — para surfar nas partes rasas da praia. Havia ainda o futebol de botão, com jogadores pintados em celuloides — aquelas coberturas de relógios de pulso, muito usadas na década de 1970.

A imaginação corria solta para criar brinquedos de baixo custo. Alguns amigos conseguiam vender suas invenções. Mal sabíamos que, além de nos entreter, estávamos desenvolvendo o nosso espírito empreendedor. Era um curso prático e gratuito, cujo professor era a necessidade — perfeitamente alinhado com o movimento ideológico da Tecnologia Intermediária, iniciado na década de 1970 pelo economista Ernst Friendrich Schumacher, descrito em seu livro Small is Beautiful.

Hoje, fico feliz ao ver que um alimento nutritivo carregado com a essência da cultura, biodiversidade e ancestralidade amazônica — uma verdadeira tecnologia local — está se tornando acessível para mais pessoas, deixando de ser um tesouro exclusivamente regional.

O mingau da Amazônia, agora em forma prática — desidratado dentro e embalado em copos plásticos —, ao entrar em contato com a água, levará saúde e bem-estar a crianças e adultos muito além da Amazônia.

A atitude dessa empresa prova que o empreendedorismo de qualidade, além do sucesso comercial que chancela o negócio, é composto por valores intangíveis como tenacidade pessoal, paixão, comprometimento com a qualidade e capacidade de resolver problemas.

Afinal, será que não é justamente da simplicidade que brotam as inovações mais genuínas?

Marcos A F Franco, abril 2025

Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 22/5/2025

sábado, 10 de maio de 2025

Quando a Prudência pede Passagem

Quase iniciando minha oitava década de vida, reflito sobre o aumento de atores no trânsito e testemunho seus efeitos. Ao mesmo tempo, sinto ...