Qual o melhor momento para o primeiro emprego?
Duvido que haja uma resposta exata.
Muitas vezes, é a necessidade que nos empurra: falta de dinheiro, desejo de
independência, vontade de aprender, pressão dos amigos. Alguns seguem um
caminho tradicional — escola, faculdade, carreira. Outros, sem condições
financeiras, trabalham para sustentar os estudos. Há também quem precise fazer
bicos apenas para sobreviver ou ajudar a família. São muitas as realidades que
a vida nos impõe.
Independentemente do motivo, iniciar
cedo no mundo do trabalho é sempre enriquecedor. Mesmo atividades que não têm
relação direta com a profissão desejada proporcionam aprendizados e
relacionamentos valiosos para o futuro.
Aos 15 anos, decidi buscar um emprego,
sem saber ainda qual carreira seguir. Queria ser independente. Talvez por ver
meu pai, que chegou a ter quatro empregos — professor e escrevente na Justiça —
sempre tão ativo. Foi ele quem me contou sobre uma vaga de office boy em um
escritório de contabilidade. Transferi minhas aulas para a noite e comecei a
trabalhar.
Foi uma mudança enorme para um garoto.
Precisei aprender a respeitar horários, superiores, clientes e tarefas. O mundo
se abriu diante de mim como se eu enxergasse através de um binóculo.
Minha primeira tarefa foi furar papéis
para arquivamento. Quando o patrão perguntou se eu sabia, respondi que sim —
com a segurança típica da juventude. Mas ao ver meu trabalho, ele corrigiu
gentilmente: “Você não dobrou a folha para achar o centro. Assim, os furos
ficam alinhados.” Nunca mais esqueci essa lição.
Passei a observar atentamente os colegas
mais experientes. Cada detalhe era uma oportunidade de aprendizado. Com o
tempo, tive outros empregos, até me formar em Administração de Empresas. Cada
experiência me trouxe conhecimento, amigos e crescimento — e abriu portas para
cargos importantes, até eu fundar minha própria empresa.
Percebi, ao longo da vida, que os
vencedores são aqueles que geram valor para a comunidade por meio do seu
trabalho. Por isso, quanto antes você se envolver com o mundo profissional —
seja por emprego, estágio ou atividade informal —, menos dependerá da sorte.
Seu diferencial estará no que você sabe, no que viveu e nas conexões que
construiu.
O primeiro emprego fortalece a
autoestima para a busca de uma colocação desejada e adequada ao seu perfil. E,
um dia, você sentirá orgulho de contar sua história.
Junho 2025, Marcos A F Franco
Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 18/6/2025

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