quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente os masculinos!” E ele não parou por aí, compartilhando episódios da sua vida conjugal.

Veja a audição. Ela se torna preguiçosa, desenvolvendo uma surdez seletiva e protetora. Sou capaz de ouvir o estalo de uma tampinha de cerveja se abrindo a três quarteirões, mas não consigo decifrar a frase: “Precisamos conversar sobre a cor das cortinas”. Deve ser um fenômeno biológico: após cinco anos, a voz da minha esposa alcançou uma frequência que meu cérebro masculino simplesmente ignora — como uma chuva suave. Eu balanço a cabeça como se estivesse escutando, mas minhas sinapses estão, na verdade, mergulhadas no lance de gol que decretou a derrota do meu time.

Empolgado, o personal continuou: “Minha esposa, invariavelmente, afirma que estou perdendo a visão”. Diz que consigo identificar uma jogada de impedimento na TV, mas sou incapaz de enxergar a manteiga que está bem diante do meu nariz na geladeira. "Não está aqui!", eu grito. Ela caminha até a cozinha, move um pote de iogurte dois centímetros, e a manteiga surge como num truque de mágica do David Copperfield. É feitiçaria doméstica.

Como se não bastasse, meu olfato começou a falhar, especialmente após a chegada dos filhos e das fraldas. Minha esposa frequentemente me alertava sobre a presença delas na sala.

Quanto ao paladar, tornou-se diplomático. Após anos ouvindo "você não sente o gosto do coentro nessa comida?", desisti de ter papilas gustativas próprias. Passei a comer jaca achando que era frango e sorria, porque aprendi que o melhor tempero da vida a dois não é o sal, mas a paz.

Por fim, o tato. Com o tempo, ele desapareceu nas manhãs de domingo em que meu braço servia de travesseiro para ela. O braço formigava, o sangue parava de circular, a gangrena parecia iminente, mas eu não me mexia. Preferi arriscar perder o braço a despertar a fera.

Dizem que o amor é cego, mas ninguém avisa que ele traz surdez, sinusite crônica, perda de apetite e uma dormência generalizada nos braços.

No fim das contas, a perda dos sentidos é um mecanismo evolutivo. Se o homem mantivesse todos os sentidos aguçados, não sobreviveria a uma tarde de sábado no shopping ou a uma discussão sobre quem deixou a toalha molhada em cima da cama. O casamento ajusta os sentidos para o modo "sobrevivência irônica".

 Janeiro 2026, Marcos A F Franco

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Luz Que o Vento Não Apaga

Era um dia de vendaval. Buscando me proteger, corri para casa como uma criança, como quem retorna ao colo materno em busca de um porto seguro. O vento forte e implacável, assobiava triste pelas frestas, as portas batiam, o lustre dançava no teto e os papéis da mesa deslizavam pelo chão como crianças brincando no jardim.

O pequeno vaso de orquídea vermelha, tombado sobre a mesa da sala, deixava escorrer sua terra seca, suplicando por cuidado. As luzes apagadas desenhavam um vazio incomum. O bule de café, já frio, repousava em cima da mesa da cozinha, ao lado de uma xícara solitária — sinal de que ela me esperava para juntos saborearmos o bolo de fubá.

Mas ela não estava. O coração disparou. Gritei seu nome, bati com ansiedade à porta do banheiro, mas o silêncio respondeu. Ao abri-la, apenas a toalha pendurada, imóvel, como se guardasse um segredo. A inquietação crescia dentro do meu peito.

Era como viver um pesadelo, correndo desenfreado atrás de alguém que nunca alcanço. No quarto, janelas fechadas, sua cama impecavelmente arrumada, roupas nos cabides, mas ela não estava lá.

O sentimento era como chegar à estação de trem segundos após a partida dele. O vazio espalhou-se pelo meu corpo ao imaginar que ela, principal testemunha da minha história, partira.

Sentei-me em sua cama, respirei fundo e deixei que as lágrimas caíssem. Cada gota lembrava os 68 anos de convivência com minha mãe. Menina valente da roça, de um cantinho do interior, apaixonada por um professor, transformou sua vida ao decidir constituir uma linda família.

Levantei-me, ainda carregando esse aperto no peito. Fechei a janela da sala, recolhi os papéis do chão, ergui o vaso de orquídea e reguei sua terra seca. Fui à cozinha, aqueci o bule, sentei-me à mesa e, como se ela estivesse ali, cortei um pedaço do bolo de fubá, bebi o último café que ela preparou e sorri dessa doce lembrança. 

Enquanto esperava o vento passar, imaginando seus olhos azuis me olhando com ternura, recordei com orgulho seus ensinamentos, gestos de carinho, de sua coragem, determinação e dos alicerces da família que ela construiu. 

Quando seus pais escolheram o nome Aurora, talvez já pressentissem: ela nasceu para iluminar nossas vidas, clarear nossos dias antes mesmo do sol chegar. E assim, mesmo na ausência, sua presença floresce. Ela constituiu uma família que se multiplica em filhos, netos e bisnetos, espalhando sementes de afeto, valores e esperança.

O vento pode soprar forte, mas jamais apagará a luz que ela acendeu em nossos corações.


Novembro 2025

Marcos A F Franco

             Publicado no Jornal A Tribuna de Santos 16/11/2025

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

A Liderança que Constrói


         Às vezes, encontro pessoas que assumem cargos de liderança antes mesmo de perceber o quão transformadora essa jornada pode ser. Para alguns, parece fácil desempenhá-la, enquanto outros descobrem desafios grandiosos — são caminhos preciosos, que nos convida a crescer e nos reinventar.

A liderança é muito mais do que ocupar um cargo ou exercer autoridade; é uma arte que transforma ambientes, pessoas e resultados. Ela combina habilidades interpessoais e visão estratégica. O líder é aquele que constrói, inspira e guia sua equipe rumo ao sucesso, agindo como uma bússola e motivando. Liderar é, acima de tudo, influenciar positivamente, promovendo crescimento e realização coletiva.

Um dos segredos para exercer a liderança de forma memorável é saber delegar. Muitos líderes cometem o erro de centralizar tarefas, o que limita o potencial da equipe e leva ao esgotamento. Delegar não significa abandonar responsabilidades, mas sim confiar nos colaboradores, oferecendo autonomia e oportunidades de desenvolvimento. Essa confiança mútua fortalece o grupo e permite ao líder focar em questões estratégicas, ampliando o impacto de sua atuação.

Outro aspecto essencial é o ambiente de trabalho. O líder eficaz cria um espaço seguro, inclusivo e estimulante, onde todos compartilham ideias, aprendem com os erros e crescem. Esse ambiente favorece a sintonia da equipe, promovendo colaboração e harmonia. O líder atua como maestro, potencializando resultados.

O exemplo é o cerne da liderança. Mais do que palavras, são as atitudes que inspiram. O líder deve ser o primeiro a praticar os valores e a ética que espera dos outros, demonstrando integridade, dedicação e resiliência, especialmente em momentos de crise. Essa postura confere autoridade moral e serve de referência para a equipe.

Dar direção e propósito ao trabalho é outro papel fundamental do líder. As pessoas precisam entender o significado do que fazem e como suas ações contribuem para objetivos maiores. Quando o propósito é claro e inspirador, a motivação cresce e o engajamento se fortalece. O líder eficaz conecta tarefas cotidianas à missão da organização, transformando o “o quê” e o “como” no “porquê”.

Por fim, liderar é inspirar. A inspiração é a chama que desperta paixão e excelência, alimentada pelo carisma e pela capacidade de se conectar genuinamente com as pessoas. O líder inspirador comunica sua visão com entusiasmo, faz cada indivíduo se sentir valorizado e parte de algo grandioso, transformando seguidores em embaixadores.

Em resumo, a liderança é uma jornada contínua de autodesenvolvimento e serviço, onde o maior sucesso é o crescimento e a realização da equipe.

Marcos A F Franco

Outubro 2025


Do Troco do Pão ao Tesouro Pessoal

Tudo começou em uma mercearia antiga de cidade pequena, onde bar, padaria, restaurante e mercado se integravam. O aroma da corda de fumo se misturava ao do café. Eu, ainda criança, ia comprar pão para as tias, usando calças curtas. Foi ali que aprendi as primeiras lições sobre dinheiro.

É nesse ambiente, com a cédula amassada na mão da criança, que se planta a semente de uma vida adulta mais próspera. Ensinar crianças a lidarem com o dinheiro não é para transformá-las em mini investidores, mas em cidadãos conscientes e preparados para o futuro.

Robert Kiyosaki em "Pai Rico, Pai Pobre", ensina a diferença, entre ativos e passivos, a fazer o dinheiro trabalhar para nós. Para uma criança, isso pode ser assim: se ela gasta R$ 5,00 no pão, esse dinheiro desaparece (passivo). Mas se ela guarda R$ 1,00 desses R$ 5,00 no cofrinho para comprar algo maior depois (ativo), a história muda. O cofrinho se torna uma poupança promissora na mente infantil. Cada dinheiro que ela coloca dentro dele é uma conquista. Seja ele uma lata decorada, um porquinho ou mesmo uma conta bancária.

George S. Clason, em "O Homem Mais Rico da Babilônia" ensina a regra de ouro: “pague a si primeiro”. Se ensinarmos a criança a separar dez por cento de qualquer dinheiro que ganhe, ela terá um futuro melhor.

A matemática lúdica e prática de Malba Tahan, em "O Homem que Calculava", mostra que as contas podem ser divertidas e úteis. A ida à padaria é um laboratório: o pão custa R$ 1,50. Se tenho R$ 5,00, quanto sobra de troco? Se comprar dois pães, dá para comprar uma bala? É o cálculo em ação! É matemática na realidade!

Mais do que apenas dar o troco exato ou comprar o que se deseja imediatamente, a educação financeira para crianças ensina a ter paciência e planejar. Se a criança economiza o troco do pão por uma semana, ela pode comprar a figurinha ou o brinquedo que tanto quer, em vez de gastar em algo impulsivo. Assim, aprende a esperar e valorizar o dinheiro como um recurso que cresce e realiza sonhos.

Não se trata de criar gênios das finanças, mas de libertar a próxima geração das armadilhas da dívida e do consumo por impulso. As lições da padaria, do cofrinho e do planejamento são a base para que, no futuro, esses pequenos compradores de pão construam suas próprias Babilônias. A semente de um futuro financeiro saudável é plantada desde criança, muitas vezes, no cheiro do pão quentinho!


Marcos A F Franco

Outubro 2025

             Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 01/01/2026

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Herói Invisível

Ao refletir sobre a definição de um herói como uma pessoa corajosa, valente, altruísta, que supera adversidades e desafios para proteger os outros e, muitas vezes, deixa um legado inspirador, lembrei-me de alguém que fez parte da minha vida por muitos anos.

Ele era natural de Santos, filho de um simples lusitano oriundo da Batalha. Talvez essa palavra o tenha instigado, desde pequeno, a vontade de superar inúmeras dificuldades. Com seus pais, aprendeu o valor do trabalho árduo e, através da religião, foi atraído para os estudos, tendo desenvolvido uma vasta cultura.

No dia em que ele escolheu passar para o outro plano, às vésperas da primavera, o sol brilhava, e o vento característico fazia as folhas secas caírem das árvores. Ele aguardou a noite chegar e, em silêncio, partiu para uma dimensão superior. Era típico dele, um homem humilde, desprovido de vaidade, que se orgulhava de sua família e do trabalho que realizava com dedicação e qualidade.

Como educador, conquistou milhares de pessoas com sua dedicação, simpatia e carinho, incluindo sua esposa, com quem formou uma família com quatro filhos, seis netos e três bisnetos. Ele foi um empreendedor da harmonia, buscando valorizar e promover o bem-estar das pessoas.

Apesar de sua personalidade discreta, deixou rastros invisíveis e inspiradores em todos os lugares em que esteve. Ele estimulou a prática de bens e valores intangíveis — como a gratidão, caridade, solidariedade, alegria, união e o valor da família — que não podem ser tocados ou mensurados.

Em um mundo competitivo, dividido e fragmentado, onde prevalece a busca por ser o maior ou o melhor, sua maior ambição era superar a si mesmo, competindo apenas consigo. Ele se esforçava para agir com retidão e excelência.

Um dos seus desejos era se reencontrar com seu pai. Assim, entre muitos familiares, parentes e amigos, nos despedimos dele no Cemitério do Paquetá, ao lado de seu pai. Enquanto isso, avistei um gato cinza, deitado em cima de um jazigo, que também observava sua partida.

O gato, impassível e envolto pelo silêncio, com seus grandes

olhos escuros, parecia fazer uma longa retrospectiva da vida

do meu herói invisível. Naquele instante, tive plena certeza de

que muito do que sou e alcancei é herança dele — um legado

não escrito, mas repleto de exemplos concretos. Afinal, com

imenso orgulho, como filho, sou um pedaço do professor

Oswaldo Ferreira Franco

Setembro 2025

Marcos A F Franco

Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 21/9/2025
 

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Peixe Voando, Caixa Faturando

Todos os Mercados Municipais são barulhentos. Há pessoas conversando, caixas sendo jogadas ao chão, telefones tocando, carrinhos deslizando pelos corredores, eletrodomésticos vibrando, cortadores de carnes e geladeiras preenchendo o ar com seus sons e, às vezes, pode-se ouvir gatos miando. No entanto, no histórico Pike Place Fish Market, o animado mercado de agricultores de Seattle, localizado na parte alta do porto, existe um som especial – único e repleto de diversão.

Enquanto caminhava pelo mercado, admirando lindas flores, provando frutas, descobrindo doces locais e absorvendo o aroma característico do mercado, ouvi um grito alto: “Salmon!” Ao mesmo tempo, diversas pessoas se aglomeravam em volta dos balcões com peixes empilhados sobre pedras de gelo.

Aproximando-me da peixaria, escutei novamente: “Salmon!” e, nesse instante, observei um peixeiro lançando, bem alto, um peixe para outro colega — escolhido por um cliente —, que o recebia com habilidade.

São peixes de aproximadamente 60 centímetros, pesando três quilos. Quanto mais se vende, mais se grita o nome do tipo de peixe que está sendo comprado. É como se fosse um canto uníssono.

É impossível não parar por alguns minutos para ver os arremessos em que os peixes não escorregam das mãos dos peixeiros. A sensação é a de que o peixe irá cair durante o percurso de sete metros, ou mesmo, de que escapará da mão do peixeiro que o recebe. Mas ao final, o que se vê é a plateia batendo palmas, fotografando e filmando o êxito da acrobacia. No Pike Place, peixe voando é sinônimo de caixa faturando.

Essa tradição divertida iniciou-se nos anos oitenta, para transferir o peixe do balcão para área de embalagem, sem precisar ficar indo e voltando. Esse método transformou-se em um show tão popular que hoje é a principal atração do mercado. Turistas se aglomeram para assistir o tempo todo à energia e à união dos funcionários, que gritam e se divertem.

Além de encantar os visitantes, a ideia ajudou a loja a aumentar suas vendas devido à exposição na mídia nacional, e salvou o negócio de uma possível falência. O que parecia uma ideia louca transformou-se em referência de marketing aliado à eficiência operacional, atraindo compradores e promovendo o mercado.

É impossível não desejar retornar para rever o espetáculo e saborear um autêntico selvagem Salmão Rei do Alasca, reconhecido como o melhor do mundo. 


Setembro 2025

Marcos A F Franco

 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Carros Desaplicados

Quando viajo, tenho o hábito de andar de táxi. Em geral, são carros coloridos — como os “cabs” amarelos de Nova York — com que fazemos sinais com as mãos ou, às vezes, o pegamos em pontos fixos de muito movimento.

Como todo a economia é competitiva, surgiu uma nova modalidade de transporte: o carro por aplicativo, fruto da tecnologia e embutida no celular, que chega onde você está, traz o preço pré-definido e cobra automaticamente no cartão de crédito. Tenho vivido experiências surpreendentes ao utilizá-lo.

Ao contrário dos pequenos e elegante táxis pretos que circulam pelo Japão — com motoristas experientes vestindo terno preto e luvas brancas —, os inúmeros motoristas de carros de aplicativo surpreendem. Em sua maioria, trabalham para complementar a renda pessoal, não sendo a atividade principal. Seus carros não seguem um padrão, assim como a apresentação pessoal dos motoristas. A diversidade reina absoluta.

Pode ser bom, ou ruim. Agradar ou não. Essa nova atividade é exercida por quem não é profissional, e um aplicativo determina sua rotina. Cada embarque é uma experiência diferente: desde um veículo bem cuidado ou sujo, motorista atento, corredor de Fórmula 1, cantor, simpático ou arrogante, comediante e até curioso.

Em Aracaju, o motorista de um pequeno carro simples, em um percurso curto, assumiu o papel de guia turístico, exaltando sua cidade. Questionado sobre a segurança da região, foi certeiro: “aqui, só se comete crime uma vez; se houver a segunda vez, o cabra morre”. Para nossa sorte, assim que ele disse isso, estávamos chegando ao destino.

No aeroporto de Singapura, houve uma motorista bem simpática, com uma minivan preta — multi-purpose vehicle (mpv) —, bem cuidada, confortável, com portas e poltronas automáticas, parecendo a primeira classe de um avião. Fez questão de acomodar as malas dentro do veículo, perguntou sobre a preferência de música, sobre minha procedência e informou o tempo estimado até o hotel. Sentindo-me quase um rei, observei, confortavelmente, a rica vegetação da cidade.

Já em Houston, percebi a chegada do carro de aplicativo pelo som do motor antes de vê-lo. Ainda amanhecia, certamente ele despertou muitos vizinhos. Era uma picape RAM preta, cabine dupla, com rodas de aro cromado. O motorista, gentil e simpático, era um cara forte, barbudo, tatuado, vestia camisa preta e anéis prateados. Acomodou rapidamente as malas na caçamba e seguiu ao aeroporto. E adivinha que estilo de música tocava na picape? Rock. Ao saber que era do Brasil, sorriu e revelou que a brasileira Sepultura era sua banda favorita.

Quando viajar, considere utilizar os carros de aplicativo. Certamente você terá histórias interessantes para contar. 

 

Agosto 2025

Marcos A F Franco

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...