quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Liderando rotarianos com empatia

Em conversas com presidentes de clubes, ouço relatos sobre as dificuldades em alcançar os resultados esperados, especialmente no que se refere ao desenvolvimento do quadro social.

O Rotary tem se preocupado intensamente com a capacitação de seus líderes de maneira geral.

A plataforma internacional My Rotary oferece dezenas de cursos e centenas de informações técnicas sobre os mais variados temas relacionados às atividades da organização. Qualquer rotariano cadastrado na plataforma tem acesso a esses cursos, além de notícias, artigos e reportagens sobre as atividades do Rotary, e seus projetos humanitários.

Ainda que o Rotary esteja fazendo sua lição de casa no aspecto administrativo e burocrático, seu quadro social não tem crescido. Esse indicador evidencia que há desafios a serem superados por uma instituição mundial, presente em praticamente todos os cantos do planeta.

Uma organização cujo custo de manutenção depende de seus associados precisa dedicar mais atenção à motivação e ao engajamento desses mesmos associados.

Em uma organização comercial, os sócios se preocupam com a gestão, enquanto os empregados remunerados produzem os resultados. No Rotary, os associados são tanto a força de trabalho quanto os responsáveis por mantê-lo e sustentar seus custos. É uma diferença que realmente faz a diferença.

Já o staff do Rotary International atua como uma assessoria técnica, mantida pelos associados. Enquanto isso, rotarianos experientes se revezam, voluntariamente, em cargos de direção.

É nesse ponto que as lideranças se destacam e onde as dificuldades de gestão se confundem. Muitos acreditam que um sistema de computador, um website, mensagens por celular ou palestras podem substituir sua atuação como líder. Ledo engano. Essas ferramentas são apenas apoios, não o objetivo final para alcançar resultados.

Em todo o mundo, seja no ambiente empresarial, político, religioso, comunitário ou familiar, o contato físico é indispensável para convencer as pessoas. O olho no olho, o toque, e o ato de escutar possibilitam o entendimento mútuo. É o instante que se vendem ideias, projetos, e se conquista a confiança de ambas as partes. É o momento que se desenvolve a empatia e compreensão, elementos para fortalecer relacionamentos e inspirar cooperação.  

Compreensão: o ato essencial para o desenvolvimento da paz, o grande objetivo do Rotary.

Um líder precisa escutar e compreender cada um dos seus liderados e o contato físico continua sendo o melhor caminho para isso. Pesquisas digitais, apesar de práticas, muitas vezes não refletem o verdadeiro sentimento das pessoas. É necessário ampliar e valorizar o contato humano, pois ele fortalece o entendimento, gera confiança e proporciona uma conexão mais genuína com os liderados.

Infelizmente, embora o mundo digital nos traga grandes avanços, ele também se torna um grande inimigo da convivência social. A facilidade de nos conectar globalmente acaba se tornando um ladrão do nosso tempo, afastando-nos das interações pessoais e da presença física, que são essenciais para o fortalecimento dos laços sociais e da empatia.

Todos os dias novos membros ingressam, muitos sem saber o que o Rotary realmente produz e qual a sua função nesse novo contexto. Cada clube tem sua própria cultura e vocação, e em muitos casos, essas características estão bem definidas e consolidadas.

É extremamente difícil reverter esse quadro ou implementar novos projetos em um ambiente onde o companheirismo e a alegria não são prioridades, e onde a empatia não é praticada.

O contato pessoal dos líderes é o radar mais acurado para entender e orientar os liderados na busca por mais projetos eficazes e mais braços para ações. Esse contato gera confiança, entusiasmo, motivação e alegria, criando um ambiente mais favorável para o desenvolvimento e o engajamento das pessoas. 

Marcos A F Franco

Dezembro 2024

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Mente acumulada


 

Um amigo se desculpou por uma grosseria que teria cometido. Ele explicou que estava com a cabeça quente, sobrecarregado de trabalho, preocupado com questões familiares, frustrado com questões pessoais e que sua vida estava uma loucura.

No mesmo instante, lembrei-me do Zé dos papéis, que conheci há tempos. Ele morava em uma pequena cidade do interior paulista. Quando entrei em sua sala de visitas, senti-me em um grande depósito de papéis. Ele acumulava revistas e jornais. Era impossível enxergar a mesa, as cadeiras e o sofá da sala. Eram pilhas e mais pilhas que atingiam à metade da altura do teto.

O ambiente cheirava a mofo, com alguns papéis úmidos, todos eles sendo consumidos pelas baratas, ratos e outros insetos.

É difícil entender como um alguém consegue chegar a esse ponto. Ele era um acumulador compulsivo, um verdadeiro juntador de objetos, que mantinha independentemente de seu valor real, mesmo não sendo um colecionador.  Tinha dificuldades para descartar ou separar-se de seus pertences, guardando tudo de forma desorganizada e sem a preocupação de encontrá-los posteriormente.

Imaginei a situação da mente do meu amigo com seus inúmeros problemas. Enquanto o Zé dos papéis acumulava muitas coisas palpáveis, meu amigo acumulava preocupações intangíveis.

Quanto peso existia em sua cabeça, dificultando o seu dia a dia? É impossível quantificar o espaço ocupado no seu cérebro, afetando, por vezes, até o seu coração.

Se a mente do meu amigo estivesse como a sala do Zé dos papéis, seria difícil para ele discernir seus problemas. Como ele poderia qualificar suas preocupações entre pequenas e simples e grandes e complexas. Todas juntas e desordenadas pareciam iguais. Seu cérebro já estava lotado. Se fosse um computador, precisaria de mais memória, o que é impossível

Certa vez, ouvi de um filósofo da vida, um senhor com seus 80 anos de experiência, que disse: “se o seu problema tem solução, para que se preocupar? E se o seu problema não tem solução, para que se preocupar?”

É como estar em pleno voo em um avião. A partir do momento que você opta por embarcar, você não tem mais controle sobre os problemas. Como passageiro, você não pode ajudar se ocorrer alguma pane.

Acumular preocupações impossíveis de serem solucionadas, raivas, decepções, rancores pessoais, frustrações e lembranças tristes, é como acumular coisas em sua sala de visitas. A quantidade de problemas absorvidos e não resolvidos gerará uma bagunça mental, dificultando suas decisões e afetando seu bem-estar. Isso criará uma fadiga que comprometerá a resistência do seu corpo.

As tristezas não podem ocupar mais espaço em nosso cérebro do que as alegrias. Nossos armários não são de elásticos, assim como nosso cérebro. Acumule boas lembranças. Trabalhe para produzi-las, pois são leves. Construa sua história de vida por boas estradas.

Armazene em sua memória somente o que você gosta. A vida é curta, aproveite-a. O amor é raro, agarre-o. A raiva é ruim, jogue-a fora. O medo é ridículo, enfrente-o. Memórias são doces, saboreie-as. Acumule alegrias.

Outubro 2024

Marcos A F Franco

Publicada no Jornal A Tribuna de Santos em 21/1/2025 e no Boletim do RC Corregidor de La Molina - Lima - Peru em 25/1/2025

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Macacos assaltantes de Kuala


 

Em geral, todos nós fugimos de assaltantes. Em Kuala Lumpur, na Malásia, é o oposto, o povo vai ao encontro deles. Eles são considerados sagrados pelos hindus. Ninguém pode contestá-los, ou mesmo bani-los.

Estou falando dos macacos que vivem ao redor da Batu Caves. Esse local abriga três grandes cavernas, cada uma delas com um templo sagrado, existentes há 400 milhões de anos. Uma vez por ano recebe pouco mais de 1 milhão de pessoas para o Festival Hindu Thaipusam.

Ao chegar nesse lugar imenso, avista-se da sua entrada uma grande estátua dourada de 43 metros de altura do Deus hindu Murugan. Ao seu lado esquerdo está uma escadaria com 272 degraus estreitos e coloridos, sendo a única opção de acesso as cavernas.

Esperando por todos, para dar as boas-vindas, está a infinita família dos macacos da espécie Macaca fascicularis, conhecida como macaco-cinomolgo ou macaco-de-cauda-longa. Eles são comuns no Sudeste Asiático.

Simpáticos, e ligeiros assaltantes de qualquer coisa que esteja em nossas mãos. Todos eles de cor amarelada, grandes, médios e pequenos, filhotes e adultos competem com os pedestres, pulando pelos corrimãos, e atentos para pegar algo quando o turista se distrai.

Sobe-se e se desce os degraus sob um forte calor úmido, concorrendo com turistas de todo o mundo, e driblando os inesperados assaltantes. Eles aguardam uma oportunidade para se apoderar de comidas, ou qualquer coisa que esteja em suas mãos. Enquanto circulei pelas escadas, nenhum deles atacou uma pessoa. Eles são malabaristas, cuidadosos, e assustam com os seus pulos.

Quando se chega a primeira, e imensa caverna com 60 metros de comprimento por 30 metros de altura, se enxerga mais degraus internos a serem vencidos para prosseguir para as outras duas cavernas. Nesse caso sem os macacos.

Ainda próximo à entrada do complexo, a estátua de Murugan se destaca pelo seu tamanho, e imponência. Murugan, também conhecido como Kartikeya é uma divindade importante no hinduísmo, especialmente no sul da Índia. Ele é o deus da guerra, da vitória, da sabedoria, e do crescimento espiritual.

Após a cansativa e exigente maratona o parque oferece a gastronomia malaia, bares e lojas de suvenires. O registro de fotos é propício, mas impossível de fazê-lo sem a presença dos assaltantes malabaristas. É um passeio interessante e perfeito, entretanto é necessário incorporar o espírito de Indiana Jones.


Marcos A F Franco

Setembro 2024

sábado, 19 de outubro de 2024

ROTARY, UM FUTURO SEM TERNO

“As mãos que ajudam são mais sagradas do que os lábios que rezam”. Frase proferida por Santa Madre Teresa de Calcutá.

Antes de ser canonizada, ela participou da Convenção International do Rotary de São Paulo, em 1981. Com certeza influenciou os rotarianos a adotarem o nome de Pessoas em Ação como lema do nosso atual plano estratégico. O Plano instituído a partir de 2018, na verdade é um Plano de Ação.

A Santa Teresa falava para confortar as pessoas, mas agia pessoalmente buscando fornecer cuidados médicos, abrigos, alimentos e educação aos pobres e doentes, sendo reconhecida mundialmente por seu trabalho humanitário.

Através de uma grande pesquisa mundial, cujo resultado foi exposto na Convenção International de Atlanta, em 2017, o Rotary pode entender que seus membros são vistos como Pessoas em Ação.

Internamente existem aqueles que discordam, quando afirmam que a vaidade pessoal e o uso demasiado da oratória ainda predominam. Entretanto, os rotarianos líderes na prestação de serviço, comprovam que viabilizar ações sociais e serviços para as comunidades mais vulneráveis, motiva e estimula o crescimento do nosso exército de voluntários.

Stephanie Urchick, atual presidente do Rotary International e presidente da comissão de planejamento estratégico, quando este foi implantado, disse: “O Plano nos ajudará a perceber o que é possível quando Pessoas em Ação se unem, se conectam com outras pessoas que compartilham dos nossos valores e se comprometem a criar mudanças em si mesmas e no mundo”.

Criar mudanças requer inovação, ou seja, fazer o melhor para as pessoas, de uma forma que as atraia, para se obter um resultado diferente e maior. Isso ocorre quando se desenvolve um projeto de subsídio global, em que levamos para muitas pessoas, soluções para carências em suas comunidades.

Para isso acontecer é necessário ação, mãos à obra, esforço pessoal, envolvimento, comprometimento e lideranças legítimas. São condições em que as pessoas envolvidas devem estar motivadas, não basta estarem informadas.

Muito se fala que a grande revolução atual é a inteligência artificial. Ela, certamente reinará doravante, porém ela se alimenta do que já é sabido, do que já foi feito. Enquanto a inovação é o novo, é o futuro. É um novo jeito de fazer, é escolher a estratégia correta para atingir as necessidades.

O futuro, o novo, a inovação e a ação não combinam com o terno. Sim, o terno dos rotarianos, símbolo das reuniões sociais. É um traje elegante e imponente, porém em decadência junto às novas gerações. O terno nos engessa, não permitindo a agilidade necessária para um Rotary gigante.

Para ampliar nosso impacto, expandir nosso alcance, aumentar o engajamento de todos os participantes e melhorar a nossa capacidade de adaptação, é necessária uma profunda reflexão e revisão de nossos modos operandi. Do contrário, continuaremos a fazer mais do mesmo, sem um crescimento de nossas fileiras e, consequentemente de nossas ações em todo o mundo.

Marcos A F Franco

Outubro 2024

 

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

UM VELHO SEDUTOR


Você, certamente sabe quem eu sou. Eu te conheço!

Eu sou um caroço quase marrom. Nasci vermelhinho, em uma planta, após 12 meses de boa adubação, sob sóis e chuvas.

A história da minha família teve início em Kaffa, na Etiópia, no século IX. Meu avô me contou que a minha família foi descoberta por que as cabras daquela região ficavam mais ativas quando tinham contato conosco. O Monge que vivia por lá acreditava que éramos filhos do diabo, até que certo dia em contato com o sol intenso, a gente produziu um cheiro agradável e mudamos de cor. Depois disso, todos começaram a nos apreciar, inclusive o senhor Monge.

A minha família se espalhou por todo o planeta. Em qualquer lugar, em diversos cantos é fácil de nos identificar. É só fechar o olho e ativar o seu olfato. Temos um aroma especial e inconfundível. Por ele ser agradável as pessoas nos procuram várias vezes ao dia.

O nosso gosto é inesquecível, por isso somos lembrados em inúmeros momentos sociais e de negócios. Criamos um ambiente leve e agradável, jogando a tensão para longe.

Fazemos boas parcerias, não existe quem não queira melhorar o seu paladar se misturando pouco ou muito, criando aromas e sensações diferentes. O leite nos deixa mais descorados e diminuindo a nossa intensidade. Os amigos alcoólicos como a cachaça e o whisky oferecem um relaxamento. A água colocada pelos cariocas incentiva os adeptos dos chás a nos conhecerem.

Se fossemos políticos, certamente não teríamos dificuldades em nos eleger. Convivemos com diversas classes sociais, diferentes ideologias e com todas as religiões, estando presentes em todas as atividades deles. Cada qual nos trata de uma forma e, apesar de escutarmos tudo o que eles dizem, não somos espiões.

Estamos presentes em qualquer lugar e em diversos momentos do dia de qualquer pessoa, de qualquer raça, sexo e gênero. Em momentos alegres somos lembrados e disputados para celebrações. Em momentos tensos e tristes somos lembrados para criar disposição e entusiasmo. Somos convidados para escutar depoimentos e insatisfações, substituindo por vezes um terapeuta.

Faça sol, chuva, calor ou frio, somos como um camaleão, nos adaptamos a qualquer ambiente e gosto. Suportamos guerras, terremotos, aventuras esportivas, alpinismo, multidões, longas jornadas intelectuais e viagens pelo deserto.

Temos nome de cor. Uma cor forte e vibrante que ao ser vista produz no cérebro das pessoas a sensação do aroma inconfundível que pede a nossa presença. Por vezes o relógio é substituído pela nossa hora, servindo de referência para agendamentos de compromissos.

Trazemos benefícios para saúde física e mental de quem nos procura, provocando efeito anti-inflamatório, auxiliando na digestão, melhorando o funcionamento do sistema cardiovascular, aliviando o estresse e ajudando na memória.

Sim, eu sou o café. Um pequeno e simples nome, mas um grande sedutor e alquimista. Consigo atrair milhões de pessoas e transformar alguns de seus minutos em momentos inesquecíveis.

Fevereiro 2024, Marcos A F Franco

Crônica finalista no Concurso Conteporânea de Literatura 2024.

Publicada no Jornal A Tribuna de Santos em 01/10/2024

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

O DIA EM QUE OS CANGURUS DESCOBRIRAM PELÉ


 

Até os cangurus aplaudiram Pelé.

Existem marcas e produtos que são conhecidas globalmente, como o café e a Coca-Cola. Recentemente, durante uma viagem a Singapura, pude comprovar que uma marca brasileira também possui esse alcance internacional.

Naquela cidade-estado, fui abordado por um simpático australiano de Five Dock. Ao perceber que eu era brasileiro, ele logo exclamou: “Eu conheci o Pelé!” De imediato, pensei: Bingo! Como assim? Pelé já faleceu. No entanto ele insistiu, com um entusiasmo contagiante.

Sua alegria era evidente enquanto narrava, em detalhes, a façanha do Santos Futebol Clube, liderado pelo imortal Pelé, em um amistoso contra a seleção de futebol da Austrália. O jogo aconteceu em 17 de junho de 1972, no Sidney Sports Ground, em Sidney.

Peter John Komander, o australiano, aparentava cerca de 70 anos de idade e foi um dos 32 mil espectadores presentes naquele histórico jogo na terra dos cangurus. Sua empolgação aumentou ainda mais ao descobrir que eu era santista, vindo da cidade adotada pelo nosso querido Rei.

Entusiasmado, John, pegou o celular e me mostrou a foto de um jornal do dia seguinte ao jogo. Ele guarda aquela imagem como um troféu, um símbolo para compartilhar com as gerações mais jovens. Em seguida, começou a narrar, com riqueza de detalhes, o gol do Pelé que ele presenciou bem próximo da trave do goleiro australiano.

Rico em detalhes, descreveu como o jogador santista Edu, após receber um lançamento, driblou seu adversário e deu o passe perfeito para o Pelé marcar um dos dois gols do Santos. O jogo terminou empatado, mas o espetáculo ficou gravado na memória de todos os presentes.

John continuou a narrativa com entusiasmo, elogiando os jogadores brasileiros e destacando a excelente performance de Edu, em especial o Pelé. Fez questão de ressaltar a habilidade de Edu no controle da bola e a sua ginga de corpo, que permitiu driblar o adversário com elegância. Após aquele jogo, John tornou-se fã do Santos e, claro, do Rei do Futebol.

É incontestável, em qualquer parte do mundo, o carinho, a admiração e o reconhecimento pelo desempenho do time do Santos Futebol Clube nos anos 60 e 70, assim como pelo jogador excepcional e incomparável, o inexplicável Pelé. Como brasileiro, escutar e sentir a vibração de uma pessoa do outro lado do mundo, de um país sem tradição no futebol, é algo emocionante e motivo de profundo orgulho.

Pelé construiu sua marca em uma época em que a comunicação era feita por rádio, revistas, jornais, uma televisão ainda incipiente, sem as mídias sociais que hoje tornam tudo instantâneo. Mesmo assim, sua imagem permanece viva na mente de milhões de pessoas em todo o mundo, sendo perpetuada para as gerações mais jovens.

Com sua simplicidade e genialidade, Pelé construiu um legado que transcenderá as gerações ao redor do planeta. Ele driblou adversários, conquistou nações e, sem dúvida, até os cangurus aplaudiram o Rei. 

Setembro 2024, Marcos A F Franco

Publicada no Jornal A Tribuna de Santos em 03/01/2025

domingo, 22 de setembro de 2024

INTELIGÊNCIA IMAGINÁRIA


 

Opa! Existe a inteligência imaginária?

Não é raro observarmos a motivação das pessoas em se posicionar sobre milhares de assuntos. Poderíamos chamar essa postura como inteligência imaginária? Afinal, nos dias de hoje com o desenvolvimento da inteligência artificial, parece que o nosso cérebro age como tal.

Nele, ficam guardadas as informações que aprendemos desde os primeiros momentos de nossas vidas. Quando necessário, os dados que armazenamos são mobilizados e conseguimos criar respostas.

É uma explosão de notícias minuto a minuto. Será que os novos cérebros virão atualizados para processar tamanha quantidade de informações? Confesso que apesar do frequente esforço, sinto-me incapaz de entender e captar tudo que ouço e vejo. Será que meu cérebro registra tudo sem que eu perceba e os mantém em um arquivo? Se ele fosse um celular teríamos que expandi-lo com mais gigabytes.

O cérebro se desgasta? As nossas sinapses não se deterioram? Ouço com frequência que apesar de envelhecermos, o cérebro se mantém jovem. Então, por que eu não consigo reter tantos nomes, estatísticas, números e informações? Ou essa afirmativa, é só um alento?

Com a expansão das mídias sociais milhões de pessoas se transformaram, como em um passe de mágica, em jornalistas, advogados, médicos, professores. Sem frequentar cursos, eles criam páginas, colunas e programas para ensinar e informar, utilizando a sua inteligência imaginária. Grande parte com um conteúdo sem qualquer conhecimento comprovado e ferindo a ética.

Diante de inúmeros absurdos é necessário um cérebro mais potente para processarmos rapidamente o nosso raciocínio. É preciso um treinamento especializado igual ao dos atletas de alto rendimento. Como ter certeza de que todas essas informações são verdadeiras e confiáveis? É difícil processar.

Presencio, constantemente, debates ineficazes, em que ambos os lados não conseguem desenvolver e consolidar suas teses. Será que Freud explicaria? Percebo intuitivamente que a questão midiática interfere em nosso dia a dia. É a inteligência imaginária em ação. Antes do convívio com a internet era comum a busca de informações em fontes confiáveis, seguras e confirmações junto a pessoas qualificadas em suas especialidades. Hoje, ao contrário, qualquer informação pode ser tomada como verdade.

Eu acredito que o poder de nossa imaginação seja mais forte do que qualquer inteligência artificial. Percebo, que mesmo sem um conhecimento pleno, as pessoas desenvolvem seus pensamentos a respeito de qualquer assunto. Tem muito a ver com suas experiências, conhecimentos acumulados, seus estímulos visuais e suas vontades.

Imagino que seja como os algoritmos utilizados nas inteligências artificiais que permitem identificar nossas preferências. Essa capacidade de construir conteúdos está diretamente relacionada à possibilidade de gerar, armazenar e processar informações. E o que é a nossa linguagem, aquela que usamos para nos comunicar, senão um grande conjunto de informações que geramos, armazenamos e processamos.

Em ambas as inteligências, artificial ou imaginária a validação da veracidade das informações é essencial para um desenvolvimento pleno dos objetivos. Sem o conhecimento da verdade e dos fundamentos não existe inteligência.

Setembro 2024, Marcos A F Franco

Pubicado no Jornal A Tribuna de Santos em 22/9/2024

Quando a Prudência pede Passagem

Quase iniciando minha oitava década de vida, reflito sobre o aumento de atores no trânsito e testemunho seus efeitos. Ao mesmo tempo, sinto ...