Em geral, todos nós fugimos de
assaltantes. Em Kuala Lumpur, na Malásia, é o oposto, o povo vai ao encontro
deles. Eles são considerados sagrados pelos hindus. Ninguém pode contestá-los,
ou mesmo bani-los.
Estou falando dos macacos que vivem ao
redor da Batu Caves. Esse local abriga três grandes cavernas, cada uma delas
com um templo sagrado, existentes há 400 milhões de anos. Uma vez por ano
recebe pouco mais de 1 milhão de pessoas para o Festival Hindu Thaipusam.
Ao chegar nesse lugar imenso, avista-se
da sua entrada uma grande estátua dourada de 43 metros de altura do Deus hindu
Murugan. Ao seu lado esquerdo está uma escadaria com 272 degraus estreitos e
coloridos, sendo a única opção de acesso as cavernas.
Esperando por todos, para dar as
boas-vindas, está a infinita família dos macacos da espécie Macaca
fascicularis, conhecida como macaco-cinomolgo ou macaco-de-cauda-longa. Eles
são comuns no Sudeste Asiático.
Simpáticos, e ligeiros assaltantes de
qualquer coisa que esteja em nossas mãos. Todos eles de cor amarelada, grandes,
médios e pequenos, filhotes e adultos competem com os pedestres, pulando pelos
corrimãos, e atentos para pegar algo quando o turista se distrai.
Sobe-se e se desce os degraus sob um
forte calor úmido, concorrendo com turistas de todo o mundo, e driblando os inesperados
assaltantes. Eles aguardam uma oportunidade para se apoderar de comidas, ou
qualquer coisa que esteja em suas mãos. Enquanto circulei pelas escadas, nenhum
deles atacou uma pessoa. Eles são malabaristas, cuidadosos, e assustam com os
seus pulos.
Quando se chega a primeira, e imensa
caverna com 60 metros de comprimento por 30 metros de altura, se enxerga mais
degraus internos a serem vencidos para prosseguir para as outras duas cavernas.
Nesse caso sem os macacos.
Ainda próximo à entrada do complexo, a estátua
de Murugan se destaca pelo seu tamanho, e imponência. Murugan, também conhecido
como Kartikeya é uma divindade importante no hinduísmo, especialmente no sul da
Índia. Ele é o deus da guerra, da vitória, da sabedoria, e do crescimento
espiritual.
Após a cansativa e exigente maratona o parque oferece a gastronomia malaia, bares e lojas
de suvenires. O registro de fotos é propício, mas impossível de fazê-lo sem a
presença dos assaltantes malabaristas. É um passeio interessante e perfeito,
entretanto é necessário incorporar o espírito de Indiana Jones.
Marcos A F Franco
Setembro 2024
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