segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Macacos assaltantes de Kuala


 

Em geral, todos nós fugimos de assaltantes. Em Kuala Lumpur, na Malásia, é o oposto, o povo vai ao encontro deles. Eles são considerados sagrados pelos hindus. Ninguém pode contestá-los, ou mesmo bani-los.

Estou falando dos macacos que vivem ao redor da Batu Caves. Esse local abriga três grandes cavernas, cada uma delas com um templo sagrado, existentes há 400 milhões de anos. Uma vez por ano recebe pouco mais de 1 milhão de pessoas para o Festival Hindu Thaipusam.

Ao chegar nesse lugar imenso, avista-se da sua entrada uma grande estátua dourada de 43 metros de altura do Deus hindu Murugan. Ao seu lado esquerdo está uma escadaria com 272 degraus estreitos e coloridos, sendo a única opção de acesso as cavernas.

Esperando por todos, para dar as boas-vindas, está a infinita família dos macacos da espécie Macaca fascicularis, conhecida como macaco-cinomolgo ou macaco-de-cauda-longa. Eles são comuns no Sudeste Asiático.

Simpáticos, e ligeiros assaltantes de qualquer coisa que esteja em nossas mãos. Todos eles de cor amarelada, grandes, médios e pequenos, filhotes e adultos competem com os pedestres, pulando pelos corrimãos, e atentos para pegar algo quando o turista se distrai.

Sobe-se e se desce os degraus sob um forte calor úmido, concorrendo com turistas de todo o mundo, e driblando os inesperados assaltantes. Eles aguardam uma oportunidade para se apoderar de comidas, ou qualquer coisa que esteja em suas mãos. Enquanto circulei pelas escadas, nenhum deles atacou uma pessoa. Eles são malabaristas, cuidadosos, e assustam com os seus pulos.

Quando se chega a primeira, e imensa caverna com 60 metros de comprimento por 30 metros de altura, se enxerga mais degraus internos a serem vencidos para prosseguir para as outras duas cavernas. Nesse caso sem os macacos.

Ainda próximo à entrada do complexo, a estátua de Murugan se destaca pelo seu tamanho, e imponência. Murugan, também conhecido como Kartikeya é uma divindade importante no hinduísmo, especialmente no sul da Índia. Ele é o deus da guerra, da vitória, da sabedoria, e do crescimento espiritual.

Após a cansativa e exigente maratona o parque oferece a gastronomia malaia, bares e lojas de suvenires. O registro de fotos é propício, mas impossível de fazê-lo sem a presença dos assaltantes malabaristas. É um passeio interessante e perfeito, entretanto é necessário incorporar o espírito de Indiana Jones.


Marcos A F Franco

Setembro 2024

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