domingo, 24 de dezembro de 2023

Tocando nos corais

Os 50 centímetros de água não foi obstáculo para que, junto com um amigo, eu pudesse mergulhar em um pequeno trecho da maior barreira de corais do mundo.

A Grande Barreira de Corais pode ser vista do espaço e é a maior estrutura do mundo feita por organismos vivos. Foi eleita como patrimônio mundial da Humanidade e muitos a consideram como uma das Sete Maravilhas naturais do mundo.

Quando comprei a passagem para Cairns, imaginava fazer um mergulho assistido e profundo nesse paraíso australiano, e realizar uma aventura radical como um jovem da terceira idade.

Ao entrar em uma lancha veloz, atracada no porto de Cairns, a euforia ia aumentando. O mar azul e limpo de almirante, indicava que o passeio seria um sucesso. Durante o percurso, os coordenadores da aventura passaram as instruções de segurança e, os cuidados em tocar nos corais. Eles ofereceram a roupa de mergulho de Neoprene para proteção do frio, os óculos, respirador e os pés de pato.

O tempo estava perfeito, o sol que nos acompanhava sorria alegre como um autêntico anfitrião para um mergulhador internacional de primeira viagem.

Ao atracar na bela ilha, bem cuidada e habitada por árvores nativas e frondosas, era possível ver no fundo no mar os desejados corais em suas cores variadas, predominando o amarelo. Uma paisagem deslumbrante que pude fotografá-la por vários ângulos.

O próximo passo era o de vestir as apertadas roupas de mergulho. Um desafio, que só não foi maior do que retirá-las, após a nossa aventura. Situação em que, carregados de areia, foi necessário a ajuda de terceiros.

Com os equipamentos no corpo, o próximo desafio era o de entrar no mar. Caminhar pela areia da praia, com os pés de pato na mão, foi uma tarefa cumprida com louvor.

Vestir os pés de pato, em pé, foi o indício de que a aventura não seria para amadores. Naturalmente, os pés de pato são apertados, mas vencemos essa etapa. Ainda bem que não alugamos o equipamento por tempo, se assim o fosse, não haveria dólares australianos suficiente.

Ninguém nos explicou que andar na parte rasa do mar, vestidos com os pés de pato, seria impossível se não fosse de costas. De costas, sem olhar para onde se pisa, tendo as ondas como inimigas naturais, nos remeteu à infância, na fase de aprender a andar. Mais uma alegre e divertida etapa, com alguns tombos. O nosso consolo é que, poucas pessoas conseguiam se manter em pé.

Com a água na altura dos joelhos, faltava o rápido e longo treino para adaptação da boca ao snorkel. Nele, você o segura em uma das pontas, com os dentes, para poder aspirar o ar pela boca e, posteriormente, soltá-lo pelo nariz. Qualquer deslize, nessa angustiosa operação, você ganha de presente água salgada, ao invés do ar. O snorkel fica acoplado aos óculos grandes, cuja regulagem tem que estar perfeita a sua cabeça para que a água não atrapalhe a sua visão.

Ufa, conseguimos! O próximo passo, foi esticar as pernas e bater os pés de pato, conduzindo com os braços o mergulho deslizante. Aí, foi uma maravilha. Me senti um peixe dentro d´água. Apesar de raso, o local possuía imensa coleção de corais, habitadas por pequenos peixes, animais marinhos e uma linda vegetação aquática.

É indescritível a sensação de poder serpentear por cima dos corais, tocá-los e apreciar os peixes curiosos a nos observarem, em um ambiente com águas cristalinas.

O susto da aventura ficou reservado para o retorno, sem qualquer culpa dos maravilhosos corais. Eles, assistiram impassíveis a uma corrida de tripulantes atrasados na hora de embarcar na lancha que nos levaria de volta ao continente, para a linda cidade de Cairns.

A viagem foi longa, mas não menos intensa do que a sensação de vitória de uma aventura natural, singular e doce, apesar dos mergulhos nas águas salgadas.

Agosto 2023, Marcos A. F. Franco

 

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