Os 50
centímetros de água não foi obstáculo para que, junto com um amigo, eu pudesse
mergulhar em um pequeno trecho da maior barreira de corais do mundo.
A Grande
Barreira de Corais pode ser vista do espaço e é a maior estrutura do mundo
feita por organismos vivos. Foi eleita como patrimônio mundial da Humanidade e
muitos a consideram como uma das Sete Maravilhas naturais do mundo.
Quando
comprei a passagem para Cairns, imaginava fazer um mergulho assistido e
profundo nesse paraíso australiano, e realizar uma aventura radical como um
jovem da terceira idade.
Ao entrar em uma
lancha veloz, atracada no porto de Cairns, a euforia ia aumentando. O mar azul
e limpo de almirante, indicava que o passeio seria um sucesso. Durante o
percurso, os coordenadores da aventura passaram as instruções de segurança e, os
cuidados em tocar nos corais. Eles ofereceram a roupa de mergulho de Neoprene
para proteção do frio, os óculos, respirador e os pés de pato.
O tempo
estava perfeito, o sol que nos acompanhava sorria alegre como um autêntico
anfitrião para um mergulhador internacional de primeira viagem.
Ao atracar na
bela ilha, bem cuidada e habitada por árvores nativas e frondosas, era possível
ver no fundo no mar os desejados corais em suas cores variadas, predominando o
amarelo. Uma paisagem deslumbrante que pude fotografá-la por vários ângulos.
O próximo
passo era o de vestir as apertadas roupas de mergulho. Um desafio, que só não
foi maior do que retirá-las, após a nossa aventura. Situação em que, carregados
de areia, foi necessário a ajuda de terceiros.
Com os
equipamentos no corpo, o próximo desafio era o de entrar no mar. Caminhar pela
areia da praia, com os pés de pato na mão, foi uma tarefa cumprida com louvor.
Vestir os pés
de pato, em pé, foi o indício de que a aventura não seria para amadores.
Naturalmente, os pés de pato são apertados, mas vencemos essa etapa. Ainda bem
que não alugamos o equipamento por tempo, se assim o fosse, não haveria dólares
australianos suficiente.
Ninguém nos
explicou que andar na parte rasa do mar, vestidos com os pés de pato, seria
impossível se não fosse de costas. De costas, sem olhar para onde se pisa,
tendo as ondas como inimigas naturais, nos remeteu à infância, na fase de
aprender a andar. Mais uma alegre e divertida etapa, com alguns tombos. O nosso
consolo é que, poucas pessoas conseguiam se manter em pé.
Com a água na
altura dos joelhos, faltava o rápido e longo treino para adaptação da boca ao
snorkel. Nele, você o segura em uma das pontas, com os dentes, para poder
aspirar o ar pela boca e, posteriormente, soltá-lo pelo nariz. Qualquer
deslize, nessa angustiosa operação, você ganha de presente água salgada, ao
invés do ar. O snorkel fica acoplado aos óculos grandes, cuja regulagem tem que
estar perfeita a sua cabeça para que a água não atrapalhe a sua visão.
Ufa,
conseguimos! O próximo passo, foi esticar as pernas e bater os pés de pato,
conduzindo com os braços o mergulho deslizante. Aí, foi uma maravilha. Me senti
um peixe dentro d´água. Apesar de raso, o local possuía imensa coleção de
corais, habitadas por pequenos peixes, animais marinhos e uma linda vegetação
aquática.
É
indescritível a sensação de poder serpentear por cima dos corais, tocá-los e
apreciar os peixes curiosos a nos observarem, em um ambiente com águas
cristalinas.
O susto da
aventura ficou reservado para o retorno, sem qualquer culpa dos maravilhosos
corais. Eles, assistiram impassíveis a uma corrida de tripulantes atrasados na
hora de embarcar na lancha que nos levaria de volta ao continente, para a linda
cidade de Cairns.
A viagem foi
longa, mas não menos intensa do que a sensação de vitória de uma aventura
natural, singular e doce, apesar dos mergulhos nas águas salgadas.
Agosto
2023, Marcos A. F. Franco

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