Pronto!
Cheguei em Salvador, Bahia.
É assim que
os nossos irmãos baianos demonstram sua concordância, quando colocamos uma
objeção. Fácil e rápido.
Em minha
passagem por lá, para participar de um torneio de tênis, vivi, por uma semana,
o clima hospitaleiro e gentil desses seres musicais e alegres. É fácil se
contagiar.
Assim que
cheguei, quando fui pagar o táxi que me levou ao hotel, o motorista experiente,
tentou por quase uma hora ativar a sua máquina de cartão de crédito para fazer
a cobrança. Não tendo sucesso, sugeriu que eu fizesse um depósito em sua conta
bancária. Sem ter como fazê-lo naquele instante, ele imediatamente, falou para
não me preocupar, anotou os seus dados em um cartão e disse para que eu o
fizesse, quando possível. Assim que o olhei com uma expressão duvidosa ele,
rapidamente, afirmou que eu, como ele, tínhamos cabelos brancos, isso bastava
para confiar em mim. Coincidentemente, no dia seguinte, utilizei dos seus
serviços novamente. Foi uma recepção porreta.
O hotel,
localizado na famosa praia de Itapuã, cantada e frequentada por renomados
artistas como Dorival Caymmi, Jorge Amado, Vinícius de Moraes, permitiu
imaginar que estávamos no portão de entrada do Paraíso. Esses artistas, embora,
reconhecidamente talentosos, não conseguiram descrever com perfeição a beleza
natural dessa praia. A cada momento, ela se apresenta diferente, pedindo que
registremos fotos de seus mutáveis encantos. O Farol da ponta de Itapuã, com
seus 21 metros de altura, construído a 150 anos está lá para assegurar que
ninguém se apodere das águas azuis inigualáveis.
Em Itapuã tem
o acarajé da Cira, o mais famoso de Salvador. De tão bom, Deus já a chamou, mas
ele continua conquistando todos que passam por lá. Tem também outros quitutes
baianos saborosos, como o caruru, o vatapá e a moqueca. É um pedaço do mundo
onde você se sente um verdadeiro rei, aliás, é assim que os nativos nos tratam,
nos chamam por: “meu rei”. Somando-se ao sol escaldante, temperado por uma
brisa inigualável, passei a acreditar que estava reinando nesse canto abençoado
do planeta.
Por falar em
sol, ao entrar em um taxi, o motorista disse que devolvemos o sol que tinham
roubado deles durante a semana anterior. É muito raro não ter sol por mais de 2
dias. É barril para o soteropolitano ficar sem o sol.
Além da
presença de estátuas dos artistas locais, consagrados internacionalmente, foi
nessa praia que o nosso poeta Vinicius de Moraes viveu com Vina. Foi ali que
ele escreveu a famosa música Tarde em Itapoã. A antiga casa se transformou em
restaurante e, posteriormente em hotel, bem de frente para a praia, chamado
Casa de Vina. Alguns pertences e fotos estão expostos em um local dedicado aos
dois, inclusive os trajes de banho que utilizavam.
Para um
paulista, como eu, é muto fácil perceber as diferenças de hábitos além do
sotaque característico dos baianos. Observando o caminhar dos conterrâneos de
Rui Barbosa, percebe-se o movimento calmo e tranquilo, raramente eles se
avexam. E, quando passam por alguém que os olhem, rapidamente, eles sorriem e
cumprimentam. Praticam uma simpatia irritante.
Ao deixar a
cidade, no aeroporto, no guichê de embarque, um passageiro, ao meu lado tentava
fazer o seu check-in. Quando foi indagado sobre o código da sua reserva,
respondeu ao atendente: “oxente, tenho não, foi um amigo que comprou o bilhete
e disse para me apresentar no guichê de embarque”. Não sei o fim da história,
mas certamente, para um bom baiano foi massa.
Desta vez, na
semana que faleceu a grande cantora baiana Gal Costa, não pude retornar à
Igreja de Nosso Senhor do Bonfim e amarrar uma fita na sua grade, nem mesmo ao
Mercado Modelo, Elevador Lacerda e ao Pelourinho. São locais obrigatórios para
todos que visitam Salvador.
Como um
apaixonado por viagens, a Bahia é um destino obrigatório. Você retorna à sua
casa feliz, reabastecido de bons fluídos e com mais temperos humanos capazes de
ativar suas sensibilidades sociais. Foi massa conviver com os baianos.
Novembro
2022, Marcos A F Franco

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