quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Passar por Itapuã é massa

Pronto! Cheguei em Salvador, Bahia.

É assim que os nossos irmãos baianos demonstram sua concordância, quando colocamos uma objeção. Fácil e rápido.

Em minha passagem por lá, para participar de um torneio de tênis, vivi, por uma semana, o clima hospitaleiro e gentil desses seres musicais e alegres. É fácil se contagiar.

Assim que cheguei, quando fui pagar o táxi que me levou ao hotel, o motorista experiente, tentou por quase uma hora ativar a sua máquina de cartão de crédito para fazer a cobrança. Não tendo sucesso, sugeriu que eu fizesse um depósito em sua conta bancária. Sem ter como fazê-lo naquele instante, ele imediatamente, falou para não me preocupar, anotou os seus dados em um cartão e disse para que eu o fizesse, quando possível. Assim que o olhei com uma expressão duvidosa ele, rapidamente, afirmou que eu, como ele, tínhamos cabelos brancos, isso bastava para confiar em mim. Coincidentemente, no dia seguinte, utilizei dos seus serviços novamente. Foi uma recepção porreta.

O hotel, localizado na famosa praia de Itapuã, cantada e frequentada por renomados artistas como Dorival Caymmi, Jorge Amado, Vinícius de Moraes, permitiu imaginar que estávamos no portão de entrada do Paraíso. Esses artistas, embora, reconhecidamente talentosos, não conseguiram descrever com perfeição a beleza natural dessa praia. A cada momento, ela se apresenta diferente, pedindo que registremos fotos de seus mutáveis encantos. O Farol da ponta de Itapuã, com seus 21 metros de altura, construído a 150 anos está lá para assegurar que ninguém se apodere das águas azuis inigualáveis.

Em Itapuã tem o acarajé da Cira, o mais famoso de Salvador. De tão bom, Deus já a chamou, mas ele continua conquistando todos que passam por lá. Tem também outros quitutes baianos saborosos, como o caruru, o vatapá e a moqueca. É um pedaço do mundo onde você se sente um verdadeiro rei, aliás, é assim que os nativos nos tratam, nos chamam por: “meu rei”. Somando-se ao sol escaldante, temperado por uma brisa inigualável, passei a acreditar que estava reinando nesse canto abençoado do planeta.

Por falar em sol, ao entrar em um taxi, o motorista disse que devolvemos o sol que tinham roubado deles durante a semana anterior. É muito raro não ter sol por mais de 2 dias. É barril para o soteropolitano ficar sem o sol.

Além da presença de estátuas dos artistas locais, consagrados internacionalmente, foi nessa praia que o nosso poeta Vinicius de Moraes viveu com Vina. Foi ali que ele escreveu a famosa música Tarde em Itapoã. A antiga casa se transformou em restaurante e, posteriormente em hotel, bem de frente para a praia, chamado Casa de Vina. Alguns pertences e fotos estão expostos em um local dedicado aos dois, inclusive os trajes de banho que utilizavam.

Para um paulista, como eu, é muto fácil perceber as diferenças de hábitos além do sotaque característico dos baianos. Observando o caminhar dos conterrâneos de Rui Barbosa, percebe-se o movimento calmo e tranquilo, raramente eles se avexam. E, quando passam por alguém que os olhem, rapidamente, eles sorriem e cumprimentam. Praticam uma simpatia irritante.

Ao deixar a cidade, no aeroporto, no guichê de embarque, um passageiro, ao meu lado tentava fazer o seu check-in. Quando foi indagado sobre o código da sua reserva, respondeu ao atendente: “oxente, tenho não, foi um amigo que comprou o bilhete e disse para me apresentar no guichê de embarque”. Não sei o fim da história, mas certamente, para um bom baiano foi massa.

Desta vez, na semana que faleceu a grande cantora baiana Gal Costa, não pude retornar à Igreja de Nosso Senhor do Bonfim e amarrar uma fita na sua grade, nem mesmo ao Mercado Modelo, Elevador Lacerda e ao Pelourinho. São locais obrigatórios para todos que visitam Salvador.

Como um apaixonado por viagens, a Bahia é um destino obrigatório. Você retorna à sua casa feliz, reabastecido de bons fluídos e com mais temperos humanos capazes de ativar suas sensibilidades sociais. Foi massa conviver com os baianos.

Novembro 2022, Marcos A F Franco

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...