quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Legado generoso


          Você conhece alguém generoso? alguém que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem, que assume compromissos em melhorar a vida de pessoas além da sua família, sem saber previamente da dimensão das responsabilidades futuras?

Eu conheci o Toninho, que neste ano de 2022, o grande criador o chamou. Mas ele deixou o seu legado para ser replicado pela sua família e amigos. Imagino que a diretoria da Céu S/A, decidiu chamá-lo em reconhecimento pelos seus imensos e valorosos atos de generosidades praticados. Dezembro é o mês mais sensível para estes gestos.

O sonho do Toninho era o de ver todas as crianças sempre sorrindo, brincando, estudando e bem alimentados. Ele viveu sua infância assim. Não se conformava que outras crianças não tivessem a mesma oportunidade.

O Toninho cresceu, ainda muito jovem formou sua família e assumiu a direção da empresa do seu pai. Ele ficou adulto, mas o seu espírito de menino irrequieto ficou impregnado em seu coração.

Ainda criança, levava diariamente para sua casa um amiguinho de 2 anos de idade, cuja mãe necessitava trabalhar, e por 3 horas ela não tinha como cuidar do seu filho.

Junto com sua eterna companheira Leila manteve e administrou por 25 anos 2 creches que abrigavam 350 crianças, de mães que trabalhavam durante o dia.

Certa vez, antes da existência do bolsa família, inconformado com a impossibilidade de aquisição de alimentos por parte da população de uma pequena cidade no Nordeste, resolveu, em tratativas com o pároco local, enviar um caminhão carregado com 12 toneladas de feijão, para que fosse distribuído entre os mais vulneráveis.

Contribuiu com diversas entidades e patrocinou inúmeros projetos sociais que envolvia o cuidado com crianças, como fornecimento de alimentos, brinquedos e educação. O fazia com alegria porque tinha a certeza de que essas crianças, por receberem a devida atenção e cuidados, quando adultas, seriam capazes de dar retorno para a sociedade.

O Toninho, era um empreendedor, orgulhoso pelo grande progresso obtido com a empresa que o pai iniciou, mas que utilizava esse espírito competitivo de empresário para ajudar crianças vulneráveis socialmente.

Em família, o Russo, nome pelo qual tinha orgulho de ser chamado, fazia questão de participar de inúmeras decisões. Sempre cuidou pessoalmente de seus pais, não medindo esforços para o bem-estar deles. Da mesma forma, com seu irmão, irmã e com suas 3 filhas, genros e 3 netos. Fazia questão da presença de todos na sua empresa e no seu lazer. O seu espírito materno também era aguçado.

Tinha tempo também para os amigos, principalmente para os ouvintes, com quem dividia as suas preocupações sociais e vitórias. Dessa forma, contaminava-os com mais generosidade.

A generosidade é uma virtude que pode ser desenvolvida e deve ser experimentada por todos. É um investimento social que retorna para si. Ajudar alguém vulnerável é um ato de amor e um privilégio. Cada um de nós tem um estoque de bondade em nossos corações, uma quantidade que é de cada um, muito pessoal, e que deve ser liberada na prática.

O meu cunhado ANTONINO RUSSO JUNIOR, com quem tive a honra de conviver por 45 anos, provou que praticar a generosidade, constantemente, é ser querido e vitorioso. Ele foi magnânimo.

Dezembro 2022, Marcos A F Franco

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...