sábado, 2 de setembro de 2023

Dívida, melhor pagá-la

Me dá um crédito! Fácil pedir, difícil conseguir. Em geral, damos valor ao crédito, quando surge uma urgência inesperada ou, para realizarmos um bom negócio. Depois, vem a parte mais custosa, a hora do pagamento. Uma coisa está ligada a outra. Quando somos jovens, geralmente, são nossos pais ou, os amigos que nos emprestam dinheiro. Nesse caso, é fácil para pagar, eles não nos impõem um prazo, ou até, perdoam a dívida. Situação muito diferente daquela de quando o credor é uma organização profissional.

Quando estudante universitário, no final dos anos setenta, como vice-presidente nacional da AIESEC, Associação Internacional de Estudantes em Ciências Econômicas e Comerciais, tinha como uma das responsabilidades a tesouraria. Mal sabia, que estávamos herdando uma dívida razoável, no valor de sete passagens aéreas internacionais. A AIESEC tem por objetivo promover o intercâmbio internacional de estudantes, com empresas, em outros países. Anualmente era realizado um congresso internacional, em um determinado país, para definição das parcerias. A gestão anterior, obteve um empréstimo para custear a viagem de sete pessoas para participação nesse congresso. Um exagero, mas, estudante deixa para resolver os problemas no futuro. Por sorte, nosso credor era a FGV-SP, Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Lá fui eu, fazer uma reunião com o reitor, após a decisão da nossa diretoria. O objetivo era obter o perdão integral da dívida. Não tínhamos como pagá-la, as entradas de recursos da associação ocorriam através de uma taxa, que as empresas doavam, por ocasião dos estágios dos estudantes que recebíamos do exterior. Nesse caso os valores eram muito inferiores a dívida. Missão dada, missão quase cumprida. Eu estava muito apreensivo, era uma experiência totalmente nova para mim. O reitor, de aparência sóbria, simpático e solícito, me recebeu muito bem, indagando sobre as atividades e resultados da associação. Então, aproveitei a oportunidade, externei o problema e, fiz a proposta. Prontamente, após ele se certificar do valor, respondeu que iria colocá-la em reunião de diretoria. Ele, muito seguro, disse ter muita chance aprovação.

Ufa! Relaxei. Ainda inexperiente, nesse instante, pensei que tinha sido muito fácil e, tudo estaria resolvido. O reitor, muito cortes, me ofereceu um café e, fez uma pergunta: imagine, que a diretoria aprove a sua proposta e, no futuro a associação necessite de outro empréstimo ou, mesmo, um outro tipo de suporte. Você acredita que a nossa instituição iria ajudá-los? Imediatamente, falei para ele sobre a nossa dificuldade financeira, em função dos nossos parcos recebimentos. Ele, entendeu perfeitamente e, com toda sabedoria, respondeu: faça uma proposta pagamento, de um valor mensal que vocês possam, a médio ou, logo prazo, honrar esse compromisso. Dessa forma, vocês serão sempre bem-vindos e bem-vistos.

Foi uma grande lição, aprendemos muito. Assim foi feito, enviamos uma proposta, de acordo com as nossas possibilidades, tendo ela sido aceita pela FGV-SP. Buscar uma alternativa para honrar um compromisso é uma obrigação de quem deve, sob pena da perda de sua credibilidade. Um dos valores mais importantes para uma organização ou, pessoa, é a sua credibilidade. Ela não tem preço, é de valor incalculável. Quem tem crédito pode caminhar, a passos largos, para a realização de seus objetivos.

Outubro 2021, Marcos A F Franco

 

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