sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Desastrado famoso

De repente, estava olhando para trás e senti um forte esbarrão. Me assustei. Escutei dizer: Pardon (perdão) e, ele foi embora, muito rápido, nem tive tempo de falar. Por uma fração de segundo, me virei, tive a impressão de conhecer aquele rosto. Eu estava no Tennis de la Vall d'Hebron, em Barcelona, por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1992, junto com minha família. Estávamos indo em direção a saída. Tínhamos acabado de ver o jogo do brasileiro, tenista, Jaime Oncins.

Os pessimistas logo pensariam em assalto ou, que poderiam ter se machucado. Os otimistas, ao contrário, era um sinal de sorte. Já os supersticiosos, poderiam pensar que esbarrar com um francês, o deixariam sem pão e vinho por um ano.

Ele, o desastrado francês do esbarrão, tinha a minha altura. Pude vê-lo de costas, logo depois, o seu andar firme, mas com um certo swing, cabelo grande, quase cacheado. Então lembrei quem era. Mas, será ele mesmo? Sim, era o então, atual técnico da seleção francesa de futebol. Foi um dos maiores jogadores de futebol do mundo, ganhador de três bolas de ouro da FIFA, de forma consecutiva. Com seu sobrenome italiano, jogou na Juventus de Turim, por cinco temporadas, antes, jogou também pelo Nanci-Lorraine e Saint-Étienne. Foi artilheiro, por três vezes, do campeonato italiano, ganhando dois scudettos (título designado ao time campeão italiano) e um título da Copa dos Campeões da Europa.

Ele, também foi o principal jogador de Les Bleus, como é conhecida a seleção francesa, até aquela época. Atuava como meio de campo avançado, líder em assistência e fazia muitos e belos gols. Estou falando de Michel François Platini, ex-capitão da seleção francesa de futebol. Jamais imaginei que Michel Platini me pediria desculpas. Fiquei atônito, mas, ao mesmo tempo, muito orgulhoso. Um craque de futebol, grande driblador, não conseguiu me superar. Naquela época não havia o VAR, checagem de vídeo replay, para saber se foi falta, pênalti ou, apenas um jogo de corpo. Quando pensei em pedir um autógrafo, ele, muto ágil, já estava longe.

Às vezes, lembro desse momento, desse exato instante, que foi muito rápido, somente uma pequena fração de segundo. Para o Platini foi apenas mais um esbarrão, com um estranho. Para mim, esse instante, foi bem maior, ele dura até hoje. Fico imaginando como seria a minha reação, caso esse incidente, casual, ocorresse com alguém desconhecido. Ao invés de pensar em pedir autógrafo eu, certamente reclamaria e mostraria o cartão vermelho.

Outubro 2021, Marcos A F Franco

 

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