Conheci uma
pessoa de personalidade muito peculiar, em uma fábrica que trabalhei, no início
de minha vida profissional. Seu nome era Ângelo, que em grego significa
mensageiro e, no latim, significa anjo. Um senhor dos seus 45 anos, falante e
vigoroso. Era o chefe do departamento chamado de ferro-liga. São ligas de ferro
com outro elemento químico, que são usados na fabricação de aços, como também
para as ligas ferrosos. Durante o processo da fabricação, quando o aço se
encontra em estado líquido, são adicionados os ferros-liga para mudar a
composição química do aço e dar uma característica especial a este. Essa foi uma
das primeiras atividades dessa empresa que, posteriormente, passou a fabricar,
também, ligas de alumínio, para a indústria automobilística. Nesse departamento
eram processados alguns produtos, utilizando-se diversas peneiras para se obter
tamanhos variados, de acordo com as encomendas.
Ângelo era
responsável pelo bom andamento dos serviços, comandando um grupo de trabalhadores
desse setor. Ele era um verdadeiro leão no trabalho, um tipo de liderança
natural, também conhecida como paternalista, cujas características são
marcantes na defesa e proteção do seu grupo. Qualquer falha, ocorrida no
processo, que dependia muito das pessoas, ele, naturalmente, defendia o grupo,
muitas vezes argumentando que o erro não era motivado pela sua equipe. Ele
trabalhava na empresa desde rapaz, e desde a fundação da empresa, quando só
existia essa atividade e a produção de alumínio estrela. Gozava de total
confiança dos sócios, com muita justiça.
Certa vez, em
uma reunião realizada pela gerência, após o controle de qualidade identificar
um erro na moagem de um produto, ele foi indagado sobre esse problema. Sem
saída, para defender o responsável pelo erro, ou se era um problema do
processo, ele, imediatamente falou, em alto e bom som: “Vocês querem saber qual
é o certo? Pois bem, o certo, é o certo mesmo!” Desta feita foi a forma que ele
encontrou para defender o seu grupo. A reunião acabou e essa explicação
viralizou na boca de todos, por meio da rádio peão.
A primeira
reação que temos, ao sermos inquiridos por um erro é a da negação. É uma
atitude instintiva de defesa que, muitas vezes, nem esperamos o interlocutor
terminar a sua fala e já nos defendemos. Existem outros estilos de liderança, como
o coercitivo, o consultivo e o participativo, que devem ser aplicados em
momentos e situações diferentes, sempre que necessário. Ângelo optou por ser o
anjo do seu grupo, fazendo jus a origem latina do seu nome.
Outubro 2021, Marcos A F Franco

Nenhum comentário:
Postar um comentário