quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Netos andarilhos e conectados

Tenho 3 netos, com 7, 5 e 3 anos. Mantenho contato com todos quase que semanalmente, em geral quando nos reunimos para um almoço de domingo. Momentos de muita alegria e intenso convívio como pedidos, reclamações, choros, brincadeiras, correrias, próprios da idade e que nos remete a nossa infância. A medida do possível interagimos com eles, ainda que de forma capenga, porque o nosso lado adulto nos coloca limites.

Mês passado, convivemos 1 semana completa com os netos mais novos: Gabriel e Mateus, devido a viagem do nosso filho Bruno e sua esposa Roberta, os pais dos dois. Fomos para São Paulo, no bairro da Vila Mariana, onde residem. Uma missão nova, avós cuidando de filhos do filho no seu dia a dia. Tarefas que já fizemos muito no passado, como levar à escola, refeições, hora do banho, hora de dormir, hora da TV, brincar com amiguinhos no prédio e uma nova super atração: joguinhos no tablet e celular, ah isso “é da hora”.

Gabriel, o neto mais velho, pergunta: - vô me dá seu Ipad? Quando ele pega o Ipad, seu olho brilha. Ele busca incessantemente novos jogos e pede para que o ajude a procurar e autorização para baixá-los, Depois insiste para jogar com ele e, explica com toda autoridade como funciona. São os tempos, duas gerações à frente, vô moderno tem que aprender. O mais novo, Mateus, mais tranquilo, mas tagarela, baixa um joguinho e fica mostrando suas vitórias: - oia vô, eu consegui!

No Sábado, logo cedo, depois de tomarmos café da manhã com “queca”, abreviação de panqueca com banana, farinha de aveia e um ovo, receia da Chef Claudia, super ajudante de alguns anos, saímos para um passeio no Parque Ibirapuera, fomos os 4 caminhando, um dando a mão para o vô e outro, dando a mão para a vovó. Os dois pequenos, durante o percurso estavam falantes, conversamos sobre coisas que víamos pelo caminho até chegar ao parque: árvores, flores, casas, carros, construção, uma feira. Andamos por uma passarela, sobre a avenida 23 de Maio e avistamos o Obelisco e o Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 32, registrando o feito em uma foto.

Andamos pelo parque, fomos ao playground, muita gente andando a pé, de bicicleta, de patins, de skate, jogando basquete, queimada, futebol, badminton e até frisbee, que o Mateus resolveu experimentar. Primeiro ficou olhando um casal jogar até que eles o convidaram para experimentar. Ele arriscou alguns arremessos e gostou.

Como ninguém é de ferro, o Gabriel pediu para descansar um pouco, tomamos água, eles comeram um doce, vimos os pássaros e muita gente passando. Após um tempo, já era hora de voltar, mas tinham quase 2 quilômetros em subida para serem percorridos, a pé, e aí a conversa foi se acabando. O menor, e bem robusto, queria colo, então o maior disse: - vovô, de carro seria mais rápido! Bem, o jeito foi falar sobre o menu do almoço, eles são bons de garfo e, falar também sobre o sorvete que teria depois do almoço.

Ah, o sorvete, rendeu mais de um quilometro de conversa. Cada um imaginou o seu sorvete. Falaram sobre vários tipos e sabores, enquanto o Gabriel queria um de menta, com granulados e chocolate por cima, o Mateus queria um picolé do Minions, personagem de filme infantil. Um tentando convencer o outro do que seria melhor. Assim chegamos na padaria para comer os sanduiches que eles queriam. O Gabriel pediu um hot dog e o Mateus com o seu famoso: - deixa eu falar? Quis um hamburguer.

Andaram 6 quilômetros e no meio da tarde ainda foram correr e brincar no parquinho do condomínio. Ah, mas antes, se banquetearam na sorveteria, com direito a fotos babadas.

Ouço falar que a convivência com os mais novos é fundamental para a manutenção mental dos mais velhos e, os netos nos dão essa oportunidade. Você não sabe se volta no tempo ou se está indo para além do seu tempo. Você se vê pequeno em um tempo que não é seu. Se eles ganharão algo conosco, o tempo irá dizer, mas nós, os avós, ganhamos muito, muitos sorrisos, gargalhadas, energia, carinhos, novas informações, conversas, atenção, amizade e muitas saudades. Sou feliz em poder conviver com meus netos, uma experiência impagável.

Setembro 2021, Marcos A F Franco

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