Tenho 3 netos, com 7, 5 e 3 anos.
Mantenho contato com todos quase que semanalmente, em geral quando nos reunimos
para um almoço de domingo. Momentos de muita alegria e intenso convívio como
pedidos, reclamações, choros, brincadeiras, correrias, próprios da idade e que
nos remete a nossa infância. A medida do possível interagimos com eles, ainda
que de forma capenga, porque o nosso lado adulto nos coloca limites.
Mês passado, convivemos 1 semana
completa com os netos mais novos: Gabriel e Mateus, devido a viagem do nosso
filho Bruno e sua esposa Roberta, os pais dos dois. Fomos para São Paulo, no
bairro da Vila Mariana, onde residem. Uma missão nova, avós cuidando de filhos do
filho no seu dia a dia. Tarefas que já fizemos muito no passado, como levar à
escola, refeições, hora do banho, hora de dormir, hora da TV, brincar com
amiguinhos no prédio e uma nova super atração: joguinhos no tablet e celular,
ah isso “é da hora”.
Gabriel, o neto mais velho, pergunta:
- vô me dá seu Ipad? Quando ele pega o Ipad, seu olho brilha. Ele busca
incessantemente novos jogos e pede para que o ajude a procurar e autorização
para baixá-los, Depois insiste para jogar com ele e, explica com toda
autoridade como funciona. São os tempos, duas gerações à frente, vô moderno tem
que aprender. O mais novo, Mateus, mais tranquilo, mas tagarela, baixa um
joguinho e fica mostrando suas vitórias: - oia vô, eu consegui!
No Sábado, logo cedo, depois de tomarmos
café da manhã com “queca”, abreviação de panqueca com banana, farinha de aveia
e um ovo, receia da Chef Claudia, super ajudante de alguns anos, saímos para um
passeio no Parque Ibirapuera, fomos os 4 caminhando, um dando a mão para o vô e
outro, dando a mão para a vovó. Os dois pequenos, durante o percurso estavam
falantes, conversamos sobre coisas que víamos pelo caminho até chegar ao parque:
árvores, flores, casas, carros, construção, uma feira. Andamos por uma
passarela, sobre a avenida 23 de Maio e avistamos o Obelisco e o Monumento
Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 32, registrando o feito em uma foto.
Andamos pelo parque, fomos ao
playground, muita gente andando a pé, de bicicleta, de patins, de skate, jogando
basquete, queimada, futebol, badminton e até frisbee, que o Mateus resolveu
experimentar. Primeiro ficou olhando um casal jogar até que eles o convidaram
para experimentar. Ele arriscou alguns arremessos e gostou.
Como ninguém é de ferro, o Gabriel
pediu para descansar um pouco, tomamos água, eles comeram um doce, vimos os
pássaros e muita gente passando. Após um tempo, já era hora de voltar, mas tinham
quase 2 quilômetros em subida para serem percorridos, a pé, e aí a conversa foi
se acabando. O menor, e bem robusto, queria colo, então o maior disse: - vovô,
de carro seria mais rápido! Bem, o jeito foi falar sobre o menu do almoço, eles
são bons de garfo e, falar também sobre o sorvete que teria depois do almoço.
Ah, o sorvete, rendeu mais de um
quilometro de conversa. Cada um imaginou o seu sorvete. Falaram sobre vários
tipos e sabores, enquanto o Gabriel queria um de menta, com granulados e
chocolate por cima, o Mateus queria um picolé do Minions, personagem de filme
infantil. Um tentando convencer o outro do que seria melhor. Assim chegamos na
padaria para comer os sanduiches que eles queriam. O Gabriel pediu um hot dog e
o Mateus com o seu famoso: - deixa eu falar? Quis um hamburguer.
Andaram 6 quilômetros e no meio da
tarde ainda foram correr e brincar no parquinho do condomínio. Ah, mas antes,
se banquetearam na sorveteria, com direito a fotos babadas.
Ouço falar que a convivência com os
mais novos é fundamental para a manutenção mental dos mais velhos e, os netos
nos dão essa oportunidade. Você não sabe se volta no tempo ou se está indo para
além do seu tempo. Você se vê pequeno em um tempo que não é seu. Se eles
ganharão algo conosco, o tempo irá dizer, mas nós, os avós, ganhamos muito,
muitos sorrisos, gargalhadas, energia, carinhos, novas informações, conversas,
atenção, amizade e muitas saudades. Sou feliz em poder conviver com meus netos,
uma experiência impagável.
Setembro 2021, Marcos A F Franco

Nenhum comentário:
Postar um comentário