quinta-feira, 7 de março de 2024

Cumbuco ao thermidor


Viva o Ceará. O ano era o de 1987. Resolvemos conhecer um pouco do nordeste, fazendo uma excursão em 4 estados. O grupo heterogêneo agregava paulistas, mineiros, gaúchos e cariocas. Estes últimos já eram bem íntimos das areias das praias, das ondas do mar e da vida caiçara. Se destacavam no grupo pela sua constante verbalização em todos os momentos. Falavam sobre qualquer assunto.

Em cada região explorada os passeios se concentraram em Igrejas, o artesanato, o folclore, a gastronomia e principalmente as encantadoras e ensolaradas praias.

A praia de Cumbuco, distante 30 quilômetros de Fortaleza, por mais majestosa, receptiva e encantadora que o é, não conseguiu conquistar o casal carioca. Ao contrário dos demais viajantes que se sentiam no paraíso, todos trajando bermudas, camisetas, óculos escuros e bonés.

O mar verde, quase azul parecia se emendar com o azul do céu, na linha do horizonte, uma rara imagem que impressionava na retina dos que o admiravam.

O movimento das jangadas com suas velas coloridas, construídas artesanalmente, davam mais vida ao mar agitado que fabricavam ondas espumantes.

Tinha também o passeio de Buggy pelas dunas movediças, a versão cearense da montanha russa. Era emocionante! O motorista parava o veículo quando atingia o ponto mais alto da duna para que todos olhassem a altura e depois acelerava para baixo. A gritaria imperava e dividia o som com o barulho das ondas do mar.

O vento forte e permanente na praia, amenizava a sensação do calor, convidando para ingerir água de coco, cerveja, caipirinha e outros drinks praianos.

Depois de caminhar pela praia, deslizar pelas dunas, tomar um banho de mar e ingerir bebidas, com os estômagos desabastecidos, chegava a hora de experimentar a gastronomia local. Opções não faltavam no restaurante da praia. Seu piso na areia e coberto por sapé, deixava a temperatura ambiente extremamente agradável.

A culinária cearense tem como destaques a carne de sol com macaxeira, tapioca, sarapatel, baião de dois e os peixes fisgados na hora, bem próximos de onde estávamos. Cada um do grupo foi fazendo o seu pedido, com um atendimento simples e atencioso feito pelo garçom, que não vestia nada em seus pés.

De repente se escuta: - eu gostaria de uma lagosta ao thermidor. O garçom, olhou para um lado, depois para outro, e com uma cara de quem: “será que estou no lugar certo?” primeiro perguntou: - thermidor é nome de peixe? Quando soube que era um molho francês respondeu que não havia esse prato. O casal carioca, então, pediu que fosse preparada uma opção de carne. O garçom, anotou o pedido e foi para a cozinha. Todos se entreolharam, imaginando que mágica o cozinheiro faria para atender esse pedido extraordinário e estranho.

Após o farto e delicioso almoço somente o casal carioca estava com cara de poucos amigos, eles ficaram pebados, segundo os nativos. A opção solicitada por eles aparentava a sola do sapato que o garçom não estava usando.

A conclusão foi simples, cada peixe tem a sua praia, uma versão do ditado cada macaco no seu galho. Apreciar a culinária local é uma das experiências das viagens de turismo, é sempre surpreendente para todos os gostos.

Dezembro 2023, Marcos A F Franco

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