Viva o Ceará.
O ano era o de 1987. Resolvemos conhecer um pouco do nordeste, fazendo uma
excursão em 4 estados. O grupo heterogêneo agregava paulistas, mineiros,
gaúchos e cariocas. Estes últimos já eram bem íntimos das areias das praias,
das ondas do mar e da vida caiçara. Se destacavam no grupo pela sua constante
verbalização em todos os momentos. Falavam sobre qualquer assunto.
Em cada
região explorada os passeios se concentraram em Igrejas, o artesanato, o
folclore, a gastronomia e principalmente as encantadoras e ensolaradas praias.
A praia de
Cumbuco, distante 30 quilômetros de Fortaleza, por mais majestosa, receptiva e
encantadora que o é, não conseguiu conquistar o casal carioca. Ao contrário dos
demais viajantes que se sentiam no paraíso, todos trajando bermudas, camisetas,
óculos escuros e bonés.
O mar verde,
quase azul parecia se emendar com o azul do céu, na linha do horizonte, uma
rara imagem que impressionava na retina dos que o admiravam.
O movimento
das jangadas com suas velas coloridas, construídas artesanalmente, davam mais
vida ao mar agitado que fabricavam ondas espumantes.
Tinha também
o passeio de Buggy pelas dunas movediças, a versão cearense da montanha russa. Era
emocionante! O motorista parava o veículo quando atingia o ponto mais alto da
duna para que todos olhassem a altura e depois acelerava para baixo. A gritaria
imperava e dividia o som com o barulho das ondas do mar.
O vento forte
e permanente na praia, amenizava a sensação do calor, convidando para ingerir
água de coco, cerveja, caipirinha e outros drinks praianos.
Depois de
caminhar pela praia, deslizar pelas dunas, tomar um banho de mar e ingerir
bebidas, com os estômagos desabastecidos, chegava a hora de experimentar a
gastronomia local. Opções não faltavam no restaurante da praia. Seu piso na
areia e coberto por sapé, deixava a temperatura ambiente extremamente
agradável.
A culinária
cearense tem como destaques a carne de sol com macaxeira, tapioca, sarapatel,
baião de dois e os peixes fisgados na hora, bem próximos de onde estávamos.
Cada um do grupo foi fazendo o seu pedido, com um atendimento simples e
atencioso feito pelo garçom, que não vestia nada em seus pés.
De repente se
escuta: - eu gostaria de uma lagosta ao thermidor. O garçom, olhou para um
lado, depois para outro, e com uma cara de quem: “será que estou no lugar certo?”
primeiro perguntou: - thermidor é nome de peixe? Quando soube que era um molho
francês respondeu que não havia esse prato. O casal carioca, então, pediu que
fosse preparada uma opção de carne. O garçom, anotou o pedido e foi para a
cozinha. Todos se entreolharam, imaginando que mágica o cozinheiro faria para
atender esse pedido extraordinário e estranho.
Após o farto
e delicioso almoço somente o casal carioca estava com cara de poucos amigos,
eles ficaram pebados, segundo os nativos. A opção solicitada por eles
aparentava a sola do sapato que o garçom não estava usando.
A conclusão
foi simples, cada peixe tem a sua praia, uma versão do ditado cada macaco no
seu galho. Apreciar a culinária local é uma das experiências das viagens de
turismo, é sempre surpreendente para todos os gostos.
Dezembro 2023, Marcos A F Franco

Nenhum comentário:
Postar um comentário