terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Marujos ou piratas no comando da nau Brasil


 

Senhor presidente.

Você está convicto que o Brasil zarpará do porto em que está atracado?

Somente discursos não são combustíveis suficientes para mover o nosso grande Brasil.

Discursos podem motivar pessoas a embarcarem no navio, mas tem lugar para todos os passageiros? Tem alimento para todos? Tem infraestrutura compatível? Tem marujos experientes para o plano da viagem e da lida diária?

O famoso ditado cão que ladra não morde está patente em suas nomeações para a maioria dos 37 ministérios. São esses marujos que viabilizarão o pleno funcionamento do navio? Onde estão as grandes lideranças técnicas?

Quem acredita que um professor com formação em direito e político profissional possa liderar a nossa Economia? Quem o senhor quer convencer? O ministério motor do nosso grande navio merece um marujo altamente qualificado nessa área. Independente da postura pessoal dele e de seu trabalho, a aparente ambição maior, do seu nomeado, é somente a política. É necessário muito mais para suportar a força desse motor.

Pergunto: Quando seu filho fica doente, quem é mais capaz para resolver o problema: um médico ou um professor? O nosso navio deve ser conduzido por marujos preparados, ou por piratas?

Tem mais exemplos, como o Ministério da Previdência e o da Indústria. Como zarparemos o nosso Brasil? Todos esses notórios políticos têm capacidade de aprender um novo ofício, mas o Brasil não tem tempo para eles e, nem mesmo o senhor. Esses políticos profissionais serão capazes de conduzir o navio desviando de rochedos e tempestades, ou utilizarão os ministérios como ferramenta de promoção pessoal?

Em outros ministérios, como o da Saúde e o dos Esportes, os condutores possuem experiências técnicas e políticas compatíveis com seus objetivos. Estes terão mais chance de vingar, podendo melhorar as condições dos porões dessa grande embarcação.

Infelizmente, nós brasileiros, insistimos em buscar atalhos pessoais, iniciando cada mandato como se o Brasil estivesse todo errado. São discursos irreais. Graças ao trabalho de milhões de brasileiros e investimentos da iniciativa privada o país é forte. Já, a estrutura política no Brasil é uma carga pesada demais para o navio prosseguir e atingir o porto que os passageiros desejam. A culpa não é só sua, mas o senhor pode ajudar a mudar essa história. Essa navegação lenta e com muitas curvas dificulta embarcar mais brasileiros no maravilhoso navio que é o Brasil.

O Brasil é um imenso transatlântico, que necessita de reconhecidas lideranças técnicas e conhecimentos comprovados para ser conduzido no rumo certo, em velocidade compatível e segura. Ainda que centenas de braços fortes se proponham a remá-lo, com esforços incomuns, como se fosse uma simples barcaça, terão imensas dificuldades em movê-lo. É necessário que esses braços remem para um mesmo lado. É fundamental que os líderes tenham legitimidade, conhecimento e bons estrategistas para ter êxito nessa imensa e difícil viagem.

Presidente, dificilmente o nosso Brasil suportará mais acidentes e, nem mesmo, um naufrágio.

Janeiro 2023, Marcos A F Franco

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

O casamento deu bolo

Tem casamento? Então, tem festa.

Qualquer festa de casamento, seja pequena, grande, simples ou luxuosa, em geral é complexa. Já vivi a expectativa de algumas delas: a minha e de meus filhos. Elas são um desafio para a futura aliança dos noivos. Conseguem abalar as estruturas das famílias envolvidas.

As festas de casamentos, ao logo dos tempos, ganharam mais importância, sendo, por vezes, prioridade para se definir a data e a época em que os futuros noivos se casem. Nem mesmo os desejos dos corações apaixonados conseguem dominar a força de uma festa de casamento.

 Os tempos atuais tornaram essas festas um evento midiático. São criados Websites, Instagram, grupos de WhatsApp e listas de presentes em lojas de departamentos. É um verdadeiro arsenal de comunicação utilizado para promoções em famílias, amigos e na comunidade.

Fazer uma grande festa passou a ser um dos motivos para se casar, além daqueles originais já conhecidos, que são o de formar uma família, sair de casa, ter a sua independência ou ter filhos. Afinal, é um motivo ímpar para celebrar com os amigos e familiares.

Para as providências de uma festa de casamento, os pais roubam o comando das decisões, como se o evento fosse para eles. São capazes de investir valores acima de sua capacidade financeira. Alguns fazem uma poupança prévia, ainda que seus filhos não estejam namorando. Há também a quotização pelas famílias após longas negociações. Pode ser pela capacidade financeira ou pela distribuição de convites, dentre outros critérios.

A confecção dos convites exige um cuidado especial. Os detalhes são avaliados por uma supercomissão, com extremo carinho. A sua distribuição, em geral esbarra na quantidade inferior ao desejado por todos e ganha ares de guerra. Contagens são feitas e refeitas. Cada convite é negociado criteriosamente entre os familiares.

Além dos cuidados com o local, as músicas a serem executadas, os pratos a serem servidos, os doces artesanais a serem garimpados, o tradicional e indispensável bem-casado, as roupas a serem combinadas, as decorações e o bolo, a contratação de um cerimonialista é fundamental para que o conjunto de todos os detalhes funcionem para o sucesso do melhor evento de todos os tempos.

Tem também o bolo fake, instituído para as fotos e selfs. Pois acreditem, que um amigo, fabricante desses bolos, recebeu a visita de um casal de noivos, já em final dos preparativos do casório, para escolherem o modelo a ser utilizado na festa. Cada um deles optou por um tipo. Houve um impasse e não conseguiam se entender. A discussão foi acalorada, um treinamento para a futura vida conjugal. A noiva não teve dúvidas, ao argumentar sobre a sua escolha, disparou e definiu a situação: - eu quero escolher o bolo, pois este, é o meu primeiro casamento.

Fico imaginando a cara que o noivo fez. O que passou pela cabeça dele? Não sei o desfecho dessa história, mas imagino que a noiva tenha dado bolo no noivo.

Marcos A F Franco - Fevereiro 2024

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Um certo garçom grego


 

Synchóresi, foi a palavra que mais ouvi no restaurante de um navio grego.

Foi uma linda viagem de sete dias navegando durante o verão europeu, em que qualquer foto registrava as cores azuis do mar e do céu, realçadas por um sol intenso, alegre e generoso. Visitei várias cidades históricas, em sua maioria, com casas em penhascos, pintadas de branco, um contraste perfeito com o azul das águas vibrantes do mar Egeu.

Conheci um pouco de Athenas, Agrigento, Chios, Creta, Éfeso, Istanbul, Kusadasi, Mikonos, Rodes, Santorini e Symi. Cada qual dessas joias guarda segredos, abriga monumentos e mostram com naturalidade suas belezas milenares.

O nosso hotel ambulante, navegável, zarpou do porto de Istanbul com mil pessoas a bordo. Sua rotina diária, além promover o merecido descanso na cabine, priorizava o restaurante, onde 3 vezes ao dia as refeições eram servidas. Invariavelmente, pouco antes do início dos serviços, formava-se uma fila do lado de fora. No primeiro dia, você conhece onde será o seu lugar dentro dele. Tem um ditado grego que diz: procure o melhor, espere o pior e aceite o que vier. Essa é a expectativa a caminho da sua mesa.

Os ditados existem, não é por acaso. Assim que mais três casais se sentaram na mesa, o nosso garçom oficial se apresentou, com a expectativa em demonstrar a sua performance. Um tipo grego simpático, um pouco acima do peso normal, de baixa estatura, conseguia se comunicar com certa dificuldade e mantinha visível, um bloco de anotações em suas mãos. Ele nos entregou os cardápios, que para sua sorte, era pequeno, contendo poucas opções. Ficamos mais tranquilos, pois, seria difícil haver erros.

Pedidos realizados, passamos para as apresentações pessoais dos ansiosos ocupantes da mesa, iniciando uma grande viagem pelo mundo. Cada qual dos casais residia em um canto do planeta, desde a Oceania, Europa, até as Américas. De repente, o nosso prudente garçom nos interrompe para conferir os pedidos. Um a um, ele foi confirmando os pratos escolhidos e cravou o seu primeiro “efcharistó”, é o costumeiro obrigado em grego.

Entre traduções dos integrantes da Torre de Babel, degustando vinho e o inigualável azeite grego com pão, o tempo passou rápido. Logo, os pratos foram servidos. Entretando, o nosso precavido e atrapalhado garçom, conseguiu errar. Ele, se confundiu em quase todos os pedidos. Então, teve início a troca dos pratos, alguns ele acertava e outros ele errava novamente, pois, também havia pratos de outra mesa que fazia parte do seu setor. Tira prato, põe prato, confere com a anotação, vai na cozinha, volta com outro prato. Foi uma verdadeira dança de pratos, um show não previsto no restaurante.

Esse foi só o primeiro jantar. Mas, como dizia o ditado grego, aceite o que vier. Afinal a viagem era de turismo. Então vamos nos divertir.

No dia seguinte, aconteceu o importante jantar do comandante, obrigatório em todos os cruzeiros. As pessoas se vestem melhor, é oferecido um coquetel, o capitão aparece para cumprimentar os passageiros e todos os tripulantes se esmeram em suas tarefas.

O nosso atencioso garçom acordou disposto a nos mostrar que além de exercer com maestria a sua função, também era um excelente equilibrista. Desta vez, os pedidos viriam certos, mas antes, a caminho de nossa mesa, carregando os pratos, embalados em um plástico duro protetor, um, sobre o outro, ao olhar para um dos lados, ele esbarrou em uma cadeira de outro lado. Os pratos, por pura teimosia ou animosidade a ele, caíram no chão. Bum! Talvez o garçom tenha imaginado que era a hora da quebra de pratos de uma festa grega.

A nossa história com o garçom grego não acabava ali. No quarto dia da nossa aventura gastronômica, resolvemos trocar de mesa. Buscamos uma outra, em outro setor, longe do que estávamos. Afinal, o restaurante comportava ao menos 500 pessoas e, pensamos em conhecer um outro colega do nosso surpreendente garçom. Após nos acomodarmos na nova mesa, escutamos uma voz conhecida nos cumprimentando, com muito entusiasmo: kalinychta. Acredite, era ele, o garçom acrobata, tentando nos conquistar.

Apesar, das trapalhadas, o garçom da terra de Platão, nos compensou com sua gentileza, nos ensinando que a palavra grega synchóresi, significa perdão em português, por tantas que foram as vezes que ele a proferiu. O ditado grego poderia ser completado, acrescentando em seu final: .... aceite o que vier, você aprenderá algo.

Dezembro 2023, Marcos A F Franco

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...