domingo, 17 de dezembro de 2023

O número 1 é o craque do time


Em busca de soluções e referências, ouvimos muito que determinada pessoa é a número 1 naquele assunto, que tal empresa é a número 1 no seu segmento, que determinado país é o modelo em desenvolvimento humano.

Quando eu jogava bola na rua, na infância, existia o dono da bola e o craque do time. O craque era logo escolhido para liderar um dos times, o dono da bola também jogava, naturalmente, mas em alguma posição que não prejudicasse o grupo.

Ser o número 1 é a forma de como somos vistos. Enquanto ser o primeiro necessariamente implica em participar de uma competição ou exercer um comando formal. A figura da eminência parda, aquele que influencia constantemente a liderança formal em muitos governos, instituições, empresas e mesmo em um grupo social, ajuda a explicar o fator número 1. Mesmo não sendo o líder formal, o número 1 será a referência para a solução de vários assuntos. Em Cuba, onde a maior referência política se afastou da presidência, ainda é lembrado constantemente na política internacional. No mundo corporativo vemos muitas empresas tornarem-se grandes e novas referências por buscarem constantemente a inovação, provocando uma mudança na mente dos consumidores.

Ser visto como número 1 implica em possuir acessibilidade ao grupo, público ou comunidade na qual se convive, conhecimento específico, história pessoal conhecida, credibilidade, visão de futuro, bons exemplos e carisma. Predicados de uma liderança natural. O número 1 é uma referência consagrada para determinado assunto porque os outros o veem dessa forma e confiam em suas propostas. Ele impõe naturalmente suas ideias e conduz os processos de planejamento e decisões.

Recentemente testemunhamos o surgimento de um novo Papa da Igreja Católica. De repente, o Papa anterior Bento XVI resolveu se afastar e os cardeais de todo o mundo, reunidos em conclave, na Capela Sistina, decidiram emergir a nova liderança do então Cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco. Os cardeais viram em Bergoglio o número 1 da Igreja e uma liderança para se adaptar às novas demandas.

Em um mesmo grupo ou organização pode haver mais de um número 1. Cada assunto ou situação, como em uma empresa, onde há diversos departamentos, é conduzido por aquele que é mais experiente e perspicaz. Imagine no circo, onde existe um proprietário, é o domador que entra na jaula para conter o leão para apresentar o espetáculo, o palhaço é o responsável pela alegria e o bilheteiro faz a cobrança. Cada qual é o número 1 dentro do seu contexto. Se houver inversão de funções, o circo ficará triste.

Muitas vezes, por vaidade ou por outros interesses, buscamos ser o primeiro, ao invés de ser o número 1. Ser o primeiro gera competição e muitas turbulências pessoais, pois precisamos estar atentos aos que também têm esse objetivo, enquanto para ser o número 1 se requer um desenvolvimento pessoal e profissional constante.

E você está preparado para ser o número 1 na sua profissão?

Marcos A F Franco

Fevereiro 2014

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