sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Suntuosidades do Japão

Pokemon! Pokemon!

Foi assim que um motorista de táxi, no Japão, reagiu quando mostrei o endereço da loja Pokemon, em Kyoto. Coisas de avô. Ele, um senhor aparentando 70 anos, vestindo um terno preto e com luvas brancas, não entendia o português e, nem o inglês, mas distribuía sorrisos e boa vontade em servir. Demonstrava com perfeição a aparente ingenuidade japonesa.

Pude entender o que representa para os japoneses o fenômeno do jogo eletrônico Pokemon, videogame “monstro de bolso” ou, monstrinhos, criado por Satoshi Tajiri em 1996.

O serviço de táxi funciona perfeitamente, sendo em sua maioria pequenos veículos da cor preta e da marca Toyota, com origem em Nagoya. Todos eles impecáveis.

Era o meu segundo dia no Japão e já sentia a forte empatia da cultura japonesa no relacionamento com as pessoas. Ainda criança, pratiquei judô, tive contato com esse povo simpático, quando me ensinaram a contar até dez. Eles priorizam, em seus relacionamentos, o respeito, especialmente aos mais velhos.

A humildade que aprendi na prática do judô ficou escancarada, nos 9 dias em que visitei 7 cidades do Japão. Além dos magníficos templos que esbanjam simplicidade, o povo japonês reserva a suntuosidade para outros aspectos.

As pessoas evitam gerar lixo. Lá, não existem lixeiras nas vias públicas e, não se vê resíduos nas ruas e calçadas, nem mesmo bitucas de cigarros. Quem produz lixo, guarda-o consigo para descartá-lo em sua residência. Os fumantes dispõem de alguns pontos para fumar, principalmente em estações de trem e metro. Percebe-se que não é uma questão legal e, sim, cultural.

As estações de trem são outras suntuosidades do Japão. Nelas se vê um tráfico imenso de pessoas, porém, a fluidez é espantosa. Nelas também se concentram shoppings e restaurantes. É fácil e rápido se deslocar para qualquer bairro ou, para as diversas cidades do Japão. O trem bala é fiel ao seu nome, rápido e confortável, um tiro certeiro.

Quando em contato pela primeira vez com as ruas, impacta a tranquilidade das pessoas caminhando, ou dirigindo seus veículos. Eles não se afobam, não se esbarram, não fazem barulho e nem buzinam. Cada um ao seu tempo, aguarda os sinais e com velocidades reduzidas. Para as pessoas com deficiência visual, em cada semáforo, existe um assobio característico. Quanto as ruas e calçadas, todas elas são, rigorosamente bem construídas e regulares, sem buracos ou, marcas de consertos.

A língua não é uma barreira para recepcionar os ocidentais. Eles mantêm muitas placas em inglês e tem boa vontade em ajudar os turistas.

O Japão é um arquipélago formado por mais de cem ilhas, ocupadas por centenas de milhões de pessoas. Seu principal alimento é o arroz. Fácil de identificar. Eles aproveitam os terrenos de casa para plantar arroz. Os peixes, em especial o atum, também compõe a culinária dos nipônicos. Poder degustá-los em uma visita no mercado de peixes de Tokyo, o maior do mundo, é uma sensação inexplicável. 

Foi encantador e fascinante conhecer um pouco desse pequeno país, e ao mesmo tempo gigante. Um país milenar e atual. Percebe-se, nitidamente, a preocupação com a Educação, tanto na formação como no relacionamento pessoal. O Japão deve ser conhecido e copiado. Estar no Japão é sentir a verdadeira suntuosidade de um país acolhedor e desenvolvido. Arigato.

            Junho 2023, Marcos A F Franco

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