domingo, 3 de setembro de 2023

AjuBruno e AjuDante, coisas de criança

É muito prazeroso recordar momentos íntimos, vividos com os filhos, nas suas infâncias. São lembranças eternas do nosso coração. Ele bate forte quando elas surgem. Similar a uma paixão, fazem o tempo parar em nossas mentes. Invariavelmente, queremos revivê-las.

Quando meus filhos Dante e Bruno eram bem pequenos, após o trabalho, ao chegar em casa, no início da noite, inventávamos uma brincadeira. Eram várias, desde fazer aviãozinho, brincar com carrinhos, leitura, jogo de botão, pular, amarelinha, soltar pipa e até jogar bola. Houve uma noite, em especial, em que criamos uma rádio, onde gravávamos, em fitas cassetes, locuções, entrevistas e até canções com a pequena dupla “manteiguinha e requeijão”. Depois, era só risada ao reproduzirmos. Perdíamos a hora de dormir.

Fazíamos algumas brincadeiras lúdicas. Lembro da época que estávamos construindo a nossa casa, em São Roque. Os materiais de acabamento ficavam estocados no quarto. Resolvi, com eles, conferir as fechaduras, maçanetas e materiais de banheiro, comprados no final de semana. A brincadeira ficou séria. Contamos tudo e, o Dante começou a organizar as caixinhas desses materiais, em uma prateleira, fazendo uma pilha para cada tamanho. Quando terminou, eu disse que ele era o meu ajudante e, rapidamente, o Bruno acrescentou: “papai, eu sou o seu ajuBruno”.

Aos finais de semana, quando íamos ao clube, os dois queriam jogar tênis comigo. Eles já tinham as suas raquetes infantis, mas a diversão era mais do que um jogo e, também, cansativa. Cada bola que eles conseguiam rebater, quase todas não tinham direção. Eu tinha que buscá-las no fundo da quadra ou, mesmo, fora dela. Quando, cresceram, dez anos depois, o jogo se inverteu, mas ainda assim, continuei buscando as bolas no fundo da quadra, pois, não conseguia rebatê-las.

Era um tempo em que não havia computadores, celulares, pouca televisão. Isso, naturalmente, nos levava a uma forte interação física com os filhos. A pedagoga Maria Lucia Medeiros, do movimento Aliança pela Infância, mencionou em seu artigo (Revista Na Mochila): “Brincar é fundamental! Para a criança, funciona como um ensaio sobre o mundo. É onde ela pode desenvolver e ampliar suas percepções acerca de seu universo.” Quando essa brincadeira é feita com os pais, você cria vínculos com os filhos, tem a oportunidade de participar da vida deles, desenvolver a imaginação e liberar o stress do dia a dia. Você revive a sua molecagem e coloca sua fábrica de afetividade para funcionar. De quebra, ganha-se AjuDantes e AjuBrunos.

Dezembro 2021, Marcos A F Franco


Publicado no Jornal da Orla de Santos em 19/12/2025



 

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