É muito
prazeroso recordar momentos íntimos, vividos com os filhos, nas suas infâncias.
São lembranças eternas do nosso coração. Ele bate forte quando elas surgem.
Similar a uma paixão, fazem o tempo parar em nossas mentes. Invariavelmente,
queremos revivê-las.
Quando meus
filhos Dante e Bruno eram bem pequenos, após o trabalho, ao chegar em casa, no
início da noite, inventávamos uma brincadeira. Eram várias, desde fazer
aviãozinho, brincar com carrinhos, leitura, jogo de botão, pular, amarelinha, soltar
pipa e até jogar bola. Houve uma noite, em especial, em que criamos uma rádio,
onde gravávamos, em fitas cassetes, locuções, entrevistas e até canções com a pequena
dupla “manteiguinha e requeijão”. Depois, era só risada ao reproduzirmos. Perdíamos
a hora de dormir.
Fazíamos
algumas brincadeiras lúdicas. Lembro da época que estávamos construindo a nossa
casa, em São Roque. Os materiais de acabamento ficavam estocados no quarto. Resolvi,
com eles, conferir as fechaduras, maçanetas e materiais de banheiro,
comprados no final de semana. A brincadeira ficou séria. Contamos tudo e, o
Dante começou a organizar as caixinhas desses materiais, em uma prateleira, fazendo
uma pilha para cada tamanho. Quando terminou, eu disse que ele era o meu
ajudante e, rapidamente, o Bruno acrescentou: “papai, eu sou o seu ajuBruno”.
Aos finais de
semana, quando íamos ao clube, os dois queriam jogar tênis comigo. Eles já
tinham as suas raquetes infantis, mas a diversão era mais do que um jogo e, também,
cansativa. Cada bola que eles conseguiam rebater, quase todas não tinham
direção. Eu tinha que buscá-las no fundo da quadra ou, mesmo, fora dela. Quando,
cresceram, dez anos depois, o jogo se inverteu, mas ainda assim, continuei
buscando as bolas no fundo da quadra, pois, não conseguia rebatê-las.
Era um tempo
em que não havia computadores, celulares, pouca televisão. Isso, naturalmente,
nos levava a uma forte interação física com os filhos. A pedagoga Maria Lucia
Medeiros, do movimento Aliança pela Infância, mencionou em seu artigo (Revista
Na Mochila): “Brincar é fundamental! Para a criança, funciona como um
ensaio sobre o mundo. É onde ela pode desenvolver e ampliar suas percepções
acerca de seu universo.” Quando essa brincadeira é feita com os pais, você cria
vínculos com os filhos, tem a oportunidade de participar da vida deles,
desenvolver a imaginação e liberar o stress do dia a dia. Você revive a sua
molecagem e coloca sua fábrica de afetividade para funcionar. De quebra,
ganha-se AjuDantes e AjuBrunos.
Dezembro
2021, Marcos A F Franco
Publicado no Jornal da Orla de Santos em 19/12/2025

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