Quase
que semanalmente faço compras em uma loja de cereais, onde se pesa a quantidade
de cada produto que se queira comprar.
Desta
vez ouvi uma voz mineira, bem próxima, de prosódia diferenciada da
costumeiramente ouvida aqui em Santos. Era uma senhora fazendo seus pedidos
para outro atendente. Seu sotaque, em uma voz suave, com um “jentin” bem
característico de Minas não deixava dúvidas.
Após
concluir os meus pedidos, dirigindo-me ao caixa, parei diante da geladeira dos
queijos e a voz mineira, com muita amabilidade, me perguntou se eu já havia
experimentado aquele queijo. Tinha dúvidas e achou o pedaço grande para ela.
Então,
quando lhe perguntei se poderia guardar uma parte do queijo no freezer, para
consumo posterior, ela olhou firme nos meus olhos e, respondeu com todo
conhecimento, autoridade e orgulho mineiro: “sou de São Lourenço. Não se guarda
queijo no freezer. Na minha terra os queijos são uma delícia. Adoro a minha
cidade e quando viajo para lá, ao chegar em Cruzeiro meu coração já bate mais
forte”.
Ela
pegou o queijo da geladeira, com muito cuidado, e disse que Santos também é uma
boa cidade para se viver. Agradeci a lição, peguei um queijo meia cura na certeza
de que esse trem é bom, “dimaidaconta”, mas fora do freezer.
Nenhum
encontro é casual porque todos trazem uma finalidade. E, nesse caso, a senhora
mineira, com a sua maneira mansa de falar, alertou-me para algo, para mim,
ainda era pouco conhecido. E, agora,
arrisco afirmar que sempre é tempo de aprender. E o melhor exercício é aquele
que é adquirido a partir da convivência e do imediato compartilhamento,
práticas essenciais para o verdadeiro aprendizado.
Julho 2021, Marcos A F Franco

Nenhum comentário:
Postar um comentário