De passagem pelo Rio, a Cidade Maravilhosa, fui convidado para assistir à apresentação de uma orquestra de violinos. Mal desembarquei do avião, a gentil anfitriã me recebeu e, seguimos para o nosso destino.
Era um dia
ensolarado próprio para admirar as famosas belezas naturais do Rio, realçadas
pelo movimento suave do mar. Lentamente as paisagens foram se alterando para
viadutos e morros ocupados por centenas de pequenas moradias. Junto com o
intenso tráfego de veículos, igual a outros de grandes cidades.
Estávamos
longe do centro, em ruas estreitas, repletas de pilhas de lixo, construções
precárias, veículos mal estacionados, que dificultavam o trânsito. De repente,
Yvonne, a nossa guia, parou o carro e pediu que descêssemos. Estranhei, não vi
nenhum galpão, teatro ou sequer uma bilheteria.
Pensei: “Esse
mundo é completamente diferente do meu”. Parecia uma zona de guerra. Havia
pessoas conversando e, ao mesmo tempo, nos observando, como se estivessem nos vigiando.
Motos passavam buzinando de um lado para o outro da rua.
Após
estacionar o veículo, Yvonne nos disse:
— Bem-vindos
ao Projeto UERÊ. Aqui é a Favela da Maré, onde crianças tentam sobreviver em um
cenário como o da Faixa de Gaza.
A Tia Didi,
uma das 20 funcionárias, nos esperava com um feijão preto especial, servido em
um ambiente simples e limpo.
O projeto,
que existe há 26 anos, é uma escola de ensino fundamental, com método próprio,
desenvolvido pela extraordinária e premiada internacionalmente Yvonne:
Pedagogia UERÊ-MELLO. O projeto mantém 12 salas de aulas com ar-condicionado e
professores capacitados para atender 270 crianças. As salas seguem o estilo
arquitetônico da favela, separadas uma das outras, pintadas e com mensagens
motivadoras.
Após o almoço,
em busca da cereja do bolo, entramos no modesto estúdio musical, onde 15
crianças de várias idades, acompanhadas por um maestro e 3 professores, nos
esperavam para executar algumas músicas, dentre elas a clássica “Cidade
Maravilhosa”. Naquele instante, vendo os rostos alegres dos futuros músicos
e ouvindo o som harmonioso dos instrumentos, me senti dentro da Sala São Paulo.
Foi emocionante.

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