domingo, 22 de setembro de 2024

INTELIGÊNCIA IMAGINÁRIA


 

Opa! Existe a inteligência imaginária?

Não é raro observarmos a motivação das pessoas em se posicionar sobre milhares de assuntos. Poderíamos chamar essa postura como inteligência imaginária? Afinal, nos dias de hoje com o desenvolvimento da inteligência artificial, parece que o nosso cérebro age como tal.

Nele, ficam guardadas as informações que aprendemos desde os primeiros momentos de nossas vidas. Quando necessário, os dados que armazenamos são mobilizados e conseguimos criar respostas.

É uma explosão de notícias minuto a minuto. Será que os novos cérebros virão atualizados para processar tamanha quantidade de informações? Confesso que apesar do frequente esforço, sinto-me incapaz de entender e captar tudo que ouço e vejo. Será que meu cérebro registra tudo sem que eu perceba e os mantém em um arquivo? Se ele fosse um celular teríamos que expandi-lo com mais gigabytes.

O cérebro se desgasta? As nossas sinapses não se deterioram? Ouço com frequência que apesar de envelhecermos, o cérebro se mantém jovem. Então, por que eu não consigo reter tantos nomes, estatísticas, números e informações? Ou essa afirmativa, é só um alento?

Com a expansão das mídias sociais milhões de pessoas se transformaram, como em um passe de mágica, em jornalistas, advogados, médicos, professores. Sem frequentar cursos, eles criam páginas, colunas e programas para ensinar e informar, utilizando a sua inteligência imaginária. Grande parte com um conteúdo sem qualquer conhecimento comprovado e ferindo a ética.

Diante de inúmeros absurdos é necessário um cérebro mais potente para processarmos rapidamente o nosso raciocínio. É preciso um treinamento especializado igual ao dos atletas de alto rendimento. Como ter certeza de que todas essas informações são verdadeiras e confiáveis? É difícil processar.

Presencio, constantemente, debates ineficazes, em que ambos os lados não conseguem desenvolver e consolidar suas teses. Será que Freud explicaria? Percebo intuitivamente que a questão midiática interfere em nosso dia a dia. É a inteligência imaginária em ação. Antes do convívio com a internet era comum a busca de informações em fontes confiáveis, seguras e confirmações junto a pessoas qualificadas em suas especialidades. Hoje, ao contrário, qualquer informação pode ser tomada como verdade.

Eu acredito que o poder de nossa imaginação seja mais forte do que qualquer inteligência artificial. Percebo, que mesmo sem um conhecimento pleno, as pessoas desenvolvem seus pensamentos a respeito de qualquer assunto. Tem muito a ver com suas experiências, conhecimentos acumulados, seus estímulos visuais e suas vontades.

Imagino que seja como os algoritmos utilizados nas inteligências artificiais que permitem identificar nossas preferências. Essa capacidade de construir conteúdos está diretamente relacionada à possibilidade de gerar, armazenar e processar informações. E o que é a nossa linguagem, aquela que usamos para nos comunicar, senão um grande conjunto de informações que geramos, armazenamos e processamos.

Em ambas as inteligências, artificial ou imaginária a validação da veracidade das informações é essencial para um desenvolvimento pleno dos objetivos. Sem o conhecimento da verdade e dos fundamentos não existe inteligência.

Setembro 2024, Marcos A F Franco

Pubicado no Jornal A Tribuna de Santos em 22/9/2024

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

EQUIPE DE VENDA SOLITÁRIA

 


Você já ouviu falar de que na prática a teoria é outra?

Ao constituir a minha empresa de vendas no varejo de conveniência, busquei a contratação de 7 profissionais experientes. Eles seriam os nossos vendedores e principais elos com os clientes. Teriam como primeiro objetivo formar uma carteira básica para dar suporte ao novo negócio.

Oriundo da área de recursos humanos, com uma larga experiencia em contratações, iniciei a procura divulgando as vagas nos meios de comunicação e visitando potenciais clientes que pudessem indicar bons profissionais.

O tempo para formação do futuro time da Barcelona Distribuidora era exíguo. O cronograma para o começo do jogo, o início do funcionamento da empresa, já estava determinado, assim como uma partida de futebol. Os ingressos estavam sendo vendidos, nesse caso, a aquisição das mercadorias a serem distribuídas.

Após uma criteriosa análise de diversos currículos e intensas entrevistas individuais acertamos a contratação deles, agendando o início para o primeiro dia do Ano Novo. A expectativa de contarmos com os melhores do mercado foi sendo arrefecida. Começamos a entender melhor as características dessa função. Por ser comissionado, o próprio vendedor é quem faz o seu salário. Para atrair os melhores não bastavam promessas e intenções.

O fato de a empresa ser nova era uma questão a ser superada no convencimento com os futuros campeões de venda. Quem quer apostar no desconhecido? Tivemos que considerar a contratação de vendedores mais novos e apostar em seus potenciais.

Durante as entrevistas, os candidatos preferem expor suas experiências positivas. Todos eles seriam capazes de vender um lugar no céu. À medida que iam sendo submetidos a perguntas, o paraíso ficava mais longe.

Ainda assim, o otimismo permanecia. Iniciar um novo negócio, sem o total conhecimento dele é um imenso desafio. A todo instante surgem novas informações e obstáculos. A gente se sente andando em uma imensa montanha russa. Chegaremos ao ponto final, mas não temos noção das curvas, subidas e descidas que experimentaremos durante o trajeto. Haja emoção!

As demais providências, como a reforma do depósito, aquisição dos veículos para entrega, contratação de motoristas, auxiliares de estoque, o programa moderno de faturamento foram se concretizando.

O dia previsto para a inauguração da empresa era 2 de janeiro. Ano Novo, empresa nova. Cheguei cedo para preparar as pastas com catálogos dos produtos para os vendedores. Na hora marcada, chegou o nosso primeiro recruta. Ele pegou a pasta, recebeu as instruções e saiu para o seu combate.

O tempo foi passando, a nossa ansiedade crescendo, mas os demais 6 contratados não apareceram. O telefone também não tocou. Todo o funcionamento e sucesso da empresa dependeria deles. A frustação foi imensa, mas seguimos em frente.

Aprendemos muito com esse amargo episódio. Apesar de parecer estranho, a escolha final no processo de contratação de um vendedor é decidida por ele. Essa função requer de um profissional com habilidades, atitudes e conhecimentos específicos para conviver com compradores heterogêneos nas mais diversas situações. A sua sensibilidade, a empatia e a capacidade de decisão são determinantes para o sucesso nos negócios.

Com paciência e contando com a experiência de outros profissionais montamos uma equipe que durante 15 anos ganhou diversos campeonatos. Vários vendedores passaram por nossa empresa, em sua maioria bons profissionais que ajudaram a construir uma marca sólida e prestando um excelente serviço para os clientes.

Marcos A F Franco - Março 2024


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