Opa! Existe a inteligência imaginária?
Não é raro observarmos a motivação das
pessoas em se posicionar sobre milhares de assuntos. Poderíamos chamar essa
postura como inteligência imaginária? Afinal, nos dias de hoje com o
desenvolvimento da inteligência artificial, parece que o nosso cérebro age como
tal.
Nele, ficam guardadas as informações que
aprendemos desde os primeiros momentos de nossas vidas. Quando necessário, os
dados que armazenamos são mobilizados e conseguimos criar respostas.
É uma explosão de notícias minuto a
minuto. Será que os novos cérebros virão atualizados para processar tamanha
quantidade de informações? Confesso que apesar do frequente esforço, sinto-me incapaz
de entender e captar tudo que ouço e vejo. Será que meu cérebro registra tudo
sem que eu perceba e os mantém em um arquivo? Se ele fosse um celular teríamos
que expandi-lo com mais gigabytes.
O cérebro se desgasta? As nossas
sinapses não se deterioram? Ouço com frequência que apesar de envelhecermos, o
cérebro se mantém jovem. Então, por que eu não consigo reter tantos nomes,
estatísticas, números e informações? Ou essa afirmativa, é só um alento?
Com a expansão das mídias sociais
milhões de pessoas se transformaram, como em um passe de mágica, em jornalistas,
advogados, médicos, professores. Sem frequentar cursos, eles criam páginas,
colunas e programas para ensinar e informar, utilizando a sua inteligência
imaginária. Grande parte com um conteúdo sem qualquer conhecimento comprovado e
ferindo a ética.
Diante de inúmeros absurdos é necessário
um cérebro mais potente para processarmos rapidamente o nosso raciocínio. É preciso
um treinamento especializado igual ao dos atletas de alto rendimento. Como ter
certeza de que todas essas informações são verdadeiras e confiáveis? É difícil
processar.
Presencio, constantemente, debates
ineficazes, em que ambos os lados não conseguem desenvolver e consolidar suas
teses. Será que Freud explicaria? Percebo intuitivamente que a questão
midiática interfere em nosso dia a dia. É a inteligência imaginária em ação.
Antes do convívio com a internet era comum a busca de informações em fontes confiáveis,
seguras e confirmações junto a pessoas qualificadas em suas especialidades.
Hoje, ao contrário, qualquer informação pode ser tomada como verdade.
Eu acredito que o poder de nossa
imaginação seja mais forte do que qualquer inteligência artificial. Percebo,
que mesmo sem um conhecimento pleno, as pessoas desenvolvem seus pensamentos a
respeito de qualquer assunto. Tem muito a ver com suas experiências,
conhecimentos acumulados, seus estímulos visuais e suas vontades.
Imagino que seja como os algoritmos
utilizados nas inteligências artificiais que permitem identificar nossas
preferências. Essa capacidade de construir conteúdos está diretamente
relacionada à possibilidade de gerar, armazenar e processar informações. E o
que é a nossa linguagem, aquela que usamos para nos comunicar, senão um grande
conjunto de informações que geramos, armazenamos e processamos.
Em ambas as inteligências, artificial ou
imaginária a validação da veracidade das informações é essencial para um
desenvolvimento pleno dos objetivos. Sem o conhecimento da verdade e dos
fundamentos não existe inteligência.
Setembro 2024, Marcos A F Franco
Pubicado no Jornal A Tribuna de Santos em 22/9/2024

