sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Frequência 100% em Rotary, estratégia incomum


 

Qual é o ex-governador de distrito que não tem uma boa história para contar sobre o seu ano rotário?

Histórias são as munições utilizadas nos encontros de ex-governadores. Mais do que contar vantagens, elas agregam experiências e muitas risadas. Basta um pequeno fato pitoresco para que ele seja lembrado e contado com algumas ênfases, artifícios e temperos próprios. Afinal, quem conta um conto aumenta um ponto.

Ainda como um aprendiz de ex-governador, fui representar o Presidente do Rotary International na Conferência do Distrito 4500, que abrange os clubes dos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. É o Distrito dos ex-diretores Mário Antonino e Bira. Foi um prêmio que eu ganhei. Pude conviver com grandes líderes e vivenciar a cultura rotária nordestina da gema.

Oh lugar de caba bom! Além de se dedicarem ao desenvolvimento do Rotary, são musicais, excelentes anfitriões e gostam de uma boa prosa, especialmente durante um farto almoço. Foi em um desses momentos, em uma mesa composta por grandes rotarianos, especialmente os ex-governadores Mário Antonino, Aluísio Almeida, Alberto Bittencourt e pelo compositor, teatrólogo, escritor e contista, Reinaldo Oliveira. Uma figura ímpar e imperdível. Todos falando sobre o Rotary e de suas aventuras nas Visitas Oficiais. Oportunidade em que Reinaldo fez questão de revelar algo incomum.

Diferente dos dias de hoje a frequência dos associados nas reuniões de seus clubes, no século passado, era uma exigência bem monitorada pelos governadores. Em determinado momento, da reunião administrativa com o Presidente e Secretário de um clube, em uma pequena cidade da Paraíba, Reinaldo perguntou qual era a frequência média nas reuniões do clube. O Presidente, sem titubear afirmou que era de 100%. Reinaldo insistiu perguntando qual seria a frequência sem considerar as recuperações. Novamente o Presidente repetiu que era de 100%.

Reinaldo, admirado da incomum performance, perguntou como funcionava o controle e o que motivava os companheiros a serem tão devotos das reuniões. O Presidente respondeu com muita simplicidade. Governador o nosso clube possui 25 associados e a nossa cidade é pequena, o que facilita atingirmos esse percentual. Entretanto, temos como aliadas as nossas esposas.

— Esposas? Explica melhor — perguntou Reinaldo demonstrando curiosidade.

— Sim, são elas que incentivam os seus maridos a não faltarem em nossas reuniões. Existia até um tempo atrás ausências nas reuniões. Então, por uma atenção pessoal, quando isso ocorria, a maioria dos companheiros do clube ia fazer uma visita ao ausente, em sua residência. Essa visita acontecia no horário do almoço de sábado, momento mais provável para encontrá-lo. Depois de duas ocorrências dessas, ninguém mais faltou.

O controle da frequência caiu em desuso pela maioria dos clubes, entretanto a ausência de companheiros continua sendo sentida. Fica a lição de que boas estratégias para melhorar a frequência dão resultados e fortalece o clube.

Abril 2024, Marco A F Franco

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