Desde que o nosso imenso Brasil foi
descoberto, em sua maioria, o povo brasileiro imita os índios. Estes nativos buscam
na natureza, ao seu redor, alimentos e materiais prontos para sua subsistência.
Eles estão certos?
Sob o ponto de vista ecológico eles
seriam elogiados. Mas, sob o ponto de vista da evolução humana e da longevidade
eles não lograriam êxito. Infelizmente, no Brasil, os índios vivem em média,
pouco mais de 40 anos.
Por definição, a cultura extrativista
é a prática de obter recursos naturais para fins econômicos ou subsistência.
Ela abrange três tipos: extrativismo animal, extrativismo vegetal e
extrativismo mineral.
Os cuidados com a saúde e com a
educação são determinantes para que um país se desenvolva plenamente.
Infelizmente o ranço do extrativismo embute nas crianças a lei do pouco
esforço, a falácia das aparências se sobrepõe ao técnico, tal qual como os
índios. Eles colhem o que a natureza lhes dá, caçam animais e se pintam. Nas
cidades de hoje, através dos deliverys a caça chega em casa e já preparada.
Basta ligar para um restaurante.
O Brasil tem se desenvolvido, mas em
uma velocidade inferior ao seu potencial. As melhoras ocorrem graças a pessoas
que insistem em investir seu tempo e dinheiro por acreditar que o conhecimento
e o estudo é a base de um país desenvolvido. Infelizmente se houvessem no país
dois partidos políticos, o partido do extrativismo estaria na frente das
pesquisas em relação ao partido do desenvolvimento.
É trabalhoso se desenvolver. Não
basta ensinar a pescar, é muito pouco. É preciso saber o que, onde e como
pescar. Isso exige pesquisas, conhecimento, monitoramentos e trabalho. Exige
uma postura de melhorar a qualidade e de pensar no futuro.
Poderíamos estar em outro patamar
caso o ranço da cultura extrativista fosse menos influente. Desde pequeno escutamos de diversas pessoas,
em várias situações, de que neste país em se plantando tudo dá, vamos aguardar
que as coisas acontecerão, você verá que tudo vai dar certo.
Infelizmente ainda existe,
veladamente, o pensamento de que na escola se aprende pouco, que os políticos garantirão
um futuro melhor para o país, que jogar na loteria é o caminho para a riqueza,
obter um emprego público produzirá uma aposentadoria tranquila. É a dependência
pura.
O Brasil é um imenso país de
contrastes. Fazemos parte do seleto grupo da indústria da aviação, mas existem
pessoas com fome e vivendo em favelas miseráveis. Mal comparando é como
estarmos com a cabeça no forno e os pés no congelador. Teoricamente, a
temperatura média seria suportável.
Felizmente existem bolhas de
excelência que provam que investir em uma educação de qualidade produz cidadãos
capacitados. Preparados, os jovens irão superar a busca pelo trabalho ao invés
do emprego, o investimento ao invés da imobilidade, da pesquisa ao invés da
suposição e encontrarão soluções viáveis e econômicas para os problemas.
É necessário somente um pouco mais
para atingirmos o estágio de um melhor desenvolvimento, um ingrediente sem
custo financeiro, uma atitude permanente da população, um chamado conjunto dos
líderes da iniciativa privada e governamental: a valorização dos professores.
E se houver um investimento
permanente na profissão deles, poderemos atingir em pouco tempo um estágio de
desenvolvimento invejável. Substituiríamos com orgulho a expressão usual de vai
dar certo para deu certo.
Março 2024, Marcos A F Franco
Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 26/6/2024

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