quarta-feira, 26 de junho de 2024

XÔ CULTURA EXTRATIVISTA

Desde que o nosso imenso Brasil foi descoberto, em sua maioria, o povo brasileiro imita os índios. Estes nativos buscam na natureza, ao seu redor, alimentos e materiais prontos para sua subsistência. Eles estão certos?

Sob o ponto de vista ecológico eles seriam elogiados. Mas, sob o ponto de vista da evolução humana e da longevidade eles não lograriam êxito. Infelizmente, no Brasil, os índios vivem em média, pouco mais de 40 anos.

Por definição, a cultura extrativista é a prática de obter recursos naturais para fins econômicos ou subsistência. Ela abrange três tipos: extrativismo animal, extrativismo vegetal e extrativismo mineral.

Os cuidados com a saúde e com a educação são determinantes para que um país se desenvolva plenamente. Infelizmente o ranço do extrativismo embute nas crianças a lei do pouco esforço, a falácia das aparências se sobrepõe ao técnico, tal qual como os índios. Eles colhem o que a natureza lhes dá, caçam animais e se pintam. Nas cidades de hoje, através dos deliverys a caça chega em casa e já preparada. Basta ligar para um restaurante.

O Brasil tem se desenvolvido, mas em uma velocidade inferior ao seu potencial. As melhoras ocorrem graças a pessoas que insistem em investir seu tempo e dinheiro por acreditar que o conhecimento e o estudo é a base de um país desenvolvido. Infelizmente se houvessem no país dois partidos políticos, o partido do extrativismo estaria na frente das pesquisas em relação ao partido do desenvolvimento.

É trabalhoso se desenvolver. Não basta ensinar a pescar, é muito pouco. É preciso saber o que, onde e como pescar. Isso exige pesquisas, conhecimento, monitoramentos e trabalho. Exige uma postura de melhorar a qualidade e de pensar no futuro.

Poderíamos estar em outro patamar caso o ranço da cultura extrativista fosse menos influente.  Desde pequeno escutamos de diversas pessoas, em várias situações, de que neste país em se plantando tudo dá, vamos aguardar que as coisas acontecerão, você verá que tudo vai dar certo.

Infelizmente ainda existe, veladamente, o pensamento de que na escola se aprende pouco, que os políticos garantirão um futuro melhor para o país, que jogar na loteria é o caminho para a riqueza, obter um emprego público produzirá uma aposentadoria tranquila. É a dependência pura.

O Brasil é um imenso país de contrastes. Fazemos parte do seleto grupo da indústria da aviação, mas existem pessoas com fome e vivendo em favelas miseráveis. Mal comparando é como estarmos com a cabeça no forno e os pés no congelador. Teoricamente, a temperatura média seria suportável.

Felizmente existem bolhas de excelência que provam que investir em uma educação de qualidade produz cidadãos capacitados. Preparados, os jovens irão superar a busca pelo trabalho ao invés do emprego, o investimento ao invés da imobilidade, da pesquisa ao invés da suposição e encontrarão soluções viáveis e econômicas para os problemas.

É necessário somente um pouco mais para atingirmos o estágio de um melhor desenvolvimento, um ingrediente sem custo financeiro, uma atitude permanente da população, um chamado conjunto dos líderes da iniciativa privada e governamental: a valorização dos professores.

E se houver um investimento permanente na profissão deles, poderemos atingir em pouco tempo um estágio de desenvolvimento invejável. Substituiríamos com orgulho a expressão usual de vai dar certo para deu certo.

Março 2024,  Marcos A F Franco

Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 26/6/2024

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Netinho guloso

Netos já nascem com um chip especial. É interessante como de geração para geração há uma evolução desses adoráveis pequeninos seres. Hoje, eles saem do ventre de suas mães com um celular na mão. Você pode não enxergar o aparelho, mas eles já sabem pilotá-lo.

Os avós se assustam e ao mesmo tempo se divertem com o que esses espertos netinhos e netinhas com pouca idade, ainda em suas fraldas, são capazes de fazer e falar.

Eu tenho uma história interessante, quando eu e a vovó do Gabriel fomos para casa dele, em São Paulo, passar o dia para que os seus papais pudessem trabalhar.

O Gabriel tinha quase 3 anos de idade, um pirralhinho, ainda filho único, reinava altivo com um olhar astuto, comandando os avós com comentários curtos e certeiros.

Comportando-se como um príncipe em formação, tinha a Sil, a babá, como sua cuidadora ferrenha.

Brincando, passeando, vendo filmes, tomando banho ou dormindo a avó acompanhava toda a rotina do pequeno, com sugestões como se fosse uma Chef adicionando temperos nos preparos dos pratos.

O nosso príncipe, ouvia, brincava, tornava a ouvir e a observar desferindo os seus olhares de aprovações e reprovações.

Na hora do jantar, após um belo banho tomado junto com os seus brinquedos, o nosso anjinho chegou cheiroso e se sentou em seu pequeno trono: o cadeirão da papinha. Este, todo branco, alto, com uma mesa na frente dele.

O Gabriel sempre foi autônomo. Comia sozinho com sua pequena colher. Sua vassala, a Sil, trouxe o prato do jantar que escondia o seu desenho, devido a quantidade generosa de comida dentro dele. A refeição elaborada exclusivamente para o nosso príncipe produzia um aroma instigante. De cima do seu trono, instalado na sala, ele controlava toda a situação: o avô lendo um livro, a avó assistindo a TV e contemplava até o pôr do sol que insistia em entrar pela janela.

O aroma provocante para os famintos, rapidamente, chegou ao nariz da vovó Adela. Imediatamente ela foi de encontro ao trono do pequeno comensal. Pediu para que ele lhe desse um pouco dela, mencionando que devia estar deliciosa. Ele, levantou a sua cabeça e com um olhar decidido em direção a ela, disparou: — Vai jantar na sua casa. Em seguida olhou para comida, pegou mais uma colherada. Depois a levou na boca e olhou de rabo de olho para a vovó, fazendo uma discreta provocação. Ela, insistiu em pedir, mas não teve sucesso. Teve que ir à cozinha fazer o seu prato.

De volta para a sala, ela o viu terminar a sua missão, deixando o prato limpinho, aparecendo todo o desenho em seu fundo. Ele, com a barriguinha cheia, não se deu ao trabalho de olhar para a desapontada vovó, levantando os seus braços em direção a Sil, para que ela o retirasse do cadeirão.

Netinhos novos são uns amores, engraçadinhos, surpreendentes, mas seus instintos de sobrevivência falam mais alto, quando ameaçados. 

Marcos A F Franco

Fev 2024

 

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