Sou um andarilho!
Todos os dias caminho para me exercitar.
Enquanto ativo meus músculos, oxigeno meu cérebro e converso comigo mesmo. Seja
para ver e sentir a nossa praia, para tomar um café, para passear ou para fazer
compras eu vou somando quilômetros em meu odômetro corporal. Felizmente vejo um
volume grande de pessoas que me acompanham. São crianças, jovens, idosos,
deficientes físicos, cadeirantes e cegos.
Minhas estradas, a exceção das areias da
praia, são as calçadas. São elas que asseguram o meu caminho. Como um pedestre veterano,
posso garantir que há dias mais difíceis para se chegar ao meu destino. Além da
necessidade se atravessar as ruas competindo com motoristas que não respeitam as
faixas de pedestres, me deparo com outros obstáculos perigosos e que podem
provocar acidentes.
Caminhando eu vejo o lixo produzido por
alguns edifícios e estabelecimentos comerciais. Estes são visitados por
catadores, que após uma vistoria desorganizada, ficam espalhados pelas
calçadas. As vezes provocando acidentes nos transeuntes como desequilíbrios,
quedas e cortes.
Caminhando eu vejo as árvores que nos
protege do sol e que generosamente produzem o oxigênio. Quanto mais elas
crescem, mais desnivelam as calçadas, expondo suas raízes. Já presenciei
pessoas que tiveram fraturas ou sérias escoriações, inclusive a minha
progenitora.
Caminhando eu vejo os abrigos de pontos
de ônibus. Alguns, devido ao fluxo de passageiros em determinados horários, nos
obrigam a utilizar a rua. Isso também ocorre enquanto aguardamos o tempo de
duração das novas construções. Nesse caso as calçadas provisórias e precárias
diminuem suas larguras e por vezes sem a devida sinalização.
Caminhando eu vejo as lindas calçadas de
pedras portuguesas com seus desenhos artísticos e assentadas por exímios
artesãos. Um trabalho deslumbrante. Entretanto, os pequenos desníveis
provocados pelo tempo e a falta de manutenção são um risco para torções e
quedas. Há também os pisos abandonados, os remendados, os esburacados, os
quebrados, os de paralelepípedos irregulares e até aqueles em estados naturais
não cobertos.
O poder público municipal, através de lei
específica aprovada em 2017, estabeleceu responsabilidades para a manutenção de
calçadas, inclusive adotando como padrão um piso adequado que tem sido
utilizado em novas construções e reformas. É um piso de concreto econômico,
resistente, seguro e confortável. Ele se distingue dos demais criando uma
aparência de limpeza.
A cidade dos idosos, como é conhecida no
Brasil, vem evoluindo e se adensando com a construção de prédios mais altos. Já
existe uma preocupação clara com a segurança viária como as ciclovias, o
investimento em transportes coletivos e o cuidado com o sufocante trânsito de
veículos. Coisas do desenvolvimento que contribui para o crescimento do número
de pedestres.
Como as calçadas não são de borracha
fica o sentimento de que a largura delas vai diminuindo lentamente. A esperança
é de que as soluções aconteçam para que os obstáculos não concorram conosco e
permitam um caminhar tranquilo e seguro. Seja intensificando a fiscalização, a
conscientização dos proprietários de imóveis sobre suas responsabilidades e a
adequação dos equipamentos públicos que interferem nas calçadas.
Março 2024
Marcos A F Franco
Publicado no Jornal A Tribuna de Santos em 26/4/2024
%2009.47.50_7fd046ce.jpg)
