Estive em Bizâncio,
uma das cidades mulçumanas mais antigas do mundo. Ela foi fundada no século VII
a.C., hoje chamada de Istambul, na Turquia. Já foi conhecida por outros nomes como:
Nova Roma, Constantinopla, Cidade das Sete Colinas, Rainha das Cidades e Porta
da felicidade.
Seus quinze
milhões de habitantes vivem em dois continentes, o europeu e o asiático,
separados pelo estreito de Bósforo no mar de Mármara, no estuário do Corno de
Ouro. A palavra corno geralmente diz respeito a traição, tão utilizada nas diversas
guerras que essa cidade viveu, mas neste caso, refere-se a 2 chifres que
existiam antigamente, em uma torre construída no estreito de Bósforo, para
proteção da cidade.
Por apenas
500 metros se consegue transitar entre os dois continentes, a pé, de bicicleta,
de moto ou de automóvel, pela ponte de Gálata ou, através de barcos. Sobre a
ponte, diariamente, trafegam milhares de veículos e, por de baixo dela, navegam
centenas de navios e embarcações, todos eles observados por uma paisagem
esplêndida.
Devido a sua
localização estratégica para o comércio, a cidade foi possuída por vários povos,
até que no meio do século XV os otomanos, liderados por Maomé II a conquistaram
definitivamente, reconhecendo-a como a capital do seu império.
É fácil
perceber nos Istanbullus a imensa história impregnada em sua forma de ser e no
tratamento com os turistas. No Grande Bazar, onde cerca de 300 mil pessoas
circulam diariamente por suas 2.000 lojas, cuja construção se deu no início da
era otomana, predomina o comércio de tapetes, especiarias, joias e cerâmica. Os
bons guerreiros conseguem vencer batalhas com os mercadores do Bazar, ou pelo
menos, eles nos fazem nos sentir assim. São hábeis em sua lida. Visitar esse
grande centro comercial é um desafio para os nossos desejos e um verdadeiro
laboratório para se desenvolver no comércio.
Fui derrotado
em uma pequena batalha quando comprei um sanduíche. Como turista, fiquei encantado
com tudo que vi em Istambul, como a Basílica Santa Sofia, a Mesquita Azul, o
Banho Turco, a cidade nova e centro financeiro Taksim, o transporte fácil, a
Cisterna da Basílica, seus museus, palácios e inúmeras construções antigas.
A magnífica
praça da Basílica Santa Sofia, abriga o comércio de rua de alimentação. Lá, eu
não resisti à imagem de um sanduíche bem elaborado em uma baguete, onde o
queijo e o presunto se mostravam dobrados. Ele era oferecido em uma pequena
barraca. Imediatamente o pedi ao soldado turco, sim, após o ato consumado, foi dessa
forma que eu passei a enxergar esse comerciante de lanches. Ele, envolveu o
belo sanduíche em um guardanapo e me entregou. Claro que o nosso negócio
aconteceu por mímica, pois não falávamos uma língua comum. Ao me sentar em um
banco, desejoso por saborear esse sanduíche turco, após morder o primeiro
pedaço, percebi que o recheio, que aparentava ser consistente, existia em
somente um dos lados, justamente o lado que ficava amostra na barraca do
soldado turco. Como derrotado, foi assim que me senti. Não ousei discutir com o
nativo soldado.
As nossas
origens são o nosso DNA. Somente o tempo e a interação com outras culturas promoverão
mudanças em nossas gerações. Minha esperança é que meus netos possam no futuro,
provar um sanduíche completo e que o espírito da paz entre as nações seja um
objetivo de todos os cidadãos.
Dezembro 2023, Marcos A F Franco
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