A primeira
vez que visitei Dubai, estava acompanhado de outros compatriotas de diferentes
estados brasileiros. Cada qual deles, carregando suas culturas, costumes, forma
de falar e o seu modo, inconfundível de agir, característico de cada região de
origem.
Tinha
paulista preocupado com o cumprimento dos horários da excursão, tinha gaúcho
buscando água quente para o seu chimarrão, tinha mineiro procurando o pão de
queijo, tinha baiano tentando visitar igrejas e os cariocas desapontados por
não encontrarem um boteco. Todos eles diferentes um do outro, e mais ainda em
relação ao jeito de ser do povo árabe, habitantes dessa cidade-emirado dos
Emirados Árabes Unidos, a magnífica Dubai.
Assim que
desembarcamos do avião, pudemos admirar a imensidão e a suntuosidade do
aeroporto. É um aeroporto HUB, que serve como centro de distribuição de
milhares de voos entre o ocidente e o oriente.
Ao passarmos
pela inspeção de segurança, nos deparamos com agentes barbados e utilizando o
seu característico kufiyya, o famoso lenço branco ou xadrez, utilizado na
cabeça, e que originariamente servia para proteção do vento do deserto. Uma
marca do povo local. Eram homens fortes e sérios, não distribuíam sorrisos de
boas-vindas.
Quando,
saímos do aeroporto recebemos uma acalorada recepção do sol. Em Dubai chove em
média 30 dias por ano e a temperatura, na sombra, pode chegar a 45 graus
centígrados. Compreendemos o porquê da vestimenta da cor branca, utilizada pela
maioria dos poucos mais de 2 milhões de emiradenses. Os meios de transportes
são equipados com ar-condicionado, especialmente o luxuoso metro de superfície.
Em Dubai fica
patente o sangue mercador dos árabes. Você encontra centenas de suqs, mercado
para os brasileiros. Existem diversos suqs de ouro, tapetes, roupas, alimentos
e frutas secas. Há também 2 shoppings centers imensos, frequentados por
turistas de todo o mundo.
A bebida mais
consumida pelos árabes é o chá. Eles o ingerem durante todo o dia e durante as
refeições. A bebida alcoólica é proibida, sendo permitido o seu consumo apenas nas
residências e em alguns hotéis internacionais, mediante o pagamento de um alto
imposto. Nem mesmo a cerveja, a queridinha dos brasileiros, é permitida. A sede
só é saciada através da água. Produto que é importado por eles. A água é um
líquido precioso por lá, tanto que eles a produzem, em parte, através de usinas
de dessalinização da água do mar.
Percorrendo
as imensas avenidas, bem planejadas, avistamos centenas de edifícios gigantes
com uma arquitetura moderna e arrojada. Subimos no mais alto do mundo, o Burj
Khalifa, com 828 metros de altura. Você se sente pequenino, quando, próximo da sua
entrada, ao olhar para cima e tentar enxergar o seu último andar. Ele possui um
elevador tão rápido, onde os milhares de turistas que fazem a reserva, de sua
utilização, com no mínimo um mês de antecedência, sentem-se em um foguete.
Ao chegar no
topo do Burj, a sensação é de estar pousando na lua. Lá do alto, ao olhar para
baixo, é como se estivesse enxergando um mapa pequeno da cidade em um papel,
tal é a distância para o solo.
Existem
prédios de diversos formatos, inclusive um hotel que se assemelha a um barco a
vela. Esse prédio está situado próximo a entrada de um condomínio de ilhas
artificiais. Quando vistas de cima, as ilhas formam o desenho de uma imensa
palmeira.
Os sheiks
souberam investir suas riquezas, originadas da abundância petrolífera, na
construção de uma cidade suntuosa.
A religião
islâmica é praticada pela maioria dos residentes. Eles fazem o salat voltados
para Meca, pelo menos 5 vezes ao dia. As mesquitas disparam suas sirenes para
lembrá-los, em cada horário estabelecido. Onde estiverem, ao ouvir o som delas,
eles se dirigem às mesquitas ou, a espaços reservados para suas orações
obrigatórias.
A culinária
local é diversificada e conquistadora. Os quibes, esfirras, charutos, tabules,
falafel, tahine, homus, kafta e todas as demais iguarias típicas são elaboradas
com diversos temperos de todo o mundo. Dubai sempre foi um porto de passagem de
navios do oriente, que seguiam para o ocidente, alguns deles, carregados de
especiarias.
Visitamos o
deserto e conhecemos o camelo, o principal meio de transporte desse ambiente
árido. Mas a modernidade permitiu que um outro veículo pudesse ser utilizado
por lá. Andamos em uma pick-up especial, com os pneus murchos, subindo e
descendo as areias, quase vermelhas, como se fossem grandes quebra-molas.
Em cada local
que conhecíamos, a reação da torre de babel brasileira era uma. Ao final da
aventura no deserto, com o sol se pondo, já cansados e suados, fomos conhecer
um acampamento de nômades. Um local para descansar e beber água, provido de
tendas, no piso de areia. Mas esse, em especial, era para turistas, portanto,
encontramos uma diversidade de comidas típicas, água, sucos e, a cerveja Heineken.
Foi um
momento mágico para os brasileiros, enquanto aguardávamos um show típico. O mineiro exclamou bem alto: “eita trem
bão”, o gaúcho falou: “bá tchê”, o baiano deu risada, falando
calmamente: “é massa”, o paulista arregalou os olhos e disse: “mó
legal” e o carioca gritou: “isso é maneiro”.
Entretanto, o
mineiro ao ver o preço da cerveja falou: - uai, tá muito caro sô! Ele ficou
indignado e exclamou: - como pode uma lata de 350 ml custar 5 vezes mais caro, que
pago no supermercado do meu bairro? Tive que lembrá-lo que ele estava no
deserto, que para uma cerveja chegar até lá, além do custo do transporte, tinha
um imposto alto, taxado pelo governo. Claro que ele comprou a cerveja e, provou
que como um bom mineiro, conseguiu degustá-la no deserto.
É assim,
viajar é experimentar, é sentir, é viver situações novas, é ver o que os povos
são capazes de fazer, é ouvir sons inusitados, é saborear iguarias com temperos
particulares, é sentir o tempo e o vento, é se queimar no sol, é andar muito, é
subir e descer escadas e ladeiras, é degustar bebidas típicas, é se perder em
mercados, é admirar obras de artes, é se contagiar com a cordialidade das
pessoas desconhecidas, enfim, é se emocionar.
Viajando,
você descortina o desconhecido, arquivando suas sensações em sua memória.
Ao entender
como cada povo vive, percebemos que as diferenças entre nós são apenas os
costumes, sotaques e dialetos de cada região do mundo.
Outubro
2023, Marcos A F Franco

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