terça-feira, 5 de setembro de 2023

Pólio, um passo a mais, para afastarmos esse risco.


              Falar com rotarianos sobre o nosso maior projeto, a Erradicação da Pólio, é chover no molhado. Muitos tomam conhecimento da nossa histórica luta, ainda antes de serem admitidos. São quase 40 anos buscando parcerias e fundos para evitar que crianças sejam acometidas dessa doença.

Esse imenso trabalho, realizado por milhares de institutos e organizações, liderados pelos rotarianos, produziu excelentes resultados, a tal ponto, que muitos jovens não têm conhecimento da doença. Esse fato, hoje, dificulta a conscientização de milhares de pais, que não levam seus filhos para serem vacinados. A consequência é um índice de vacinação baixíssimo que favorece o retorno do vírus causador da doença.

Entretanto, nós, rotarianos conscientes, sabemos dessa gravidade. Percebo a inquietação em boa parte. O estímulo pela divulgação da importância da vacinação sempre foi feito pelas lideranças rotárias, até mesmo campanhas e concursos para esse fim.

Mal comparando, estamos em uma situação de guerra contra esse vírus. Ele está ameaçando o nosso maior objetivo que é o da erradicação da doença. Necessitamos mais envolvimento no problema, sob pena de jogar por terra o trabalho já realizado, por vários anos, por milhares de rotarianos.

Não podemos deixar isso acontecer!

Muitos rotarianos, com toda legitimidade, defendem suas ideias com fervor, investindo seu tempo e dinheiro, seja repassando informações, tomando consciência de propostas, saindo nas ruas para manifestações, enfim defendendo o seu ponto de vista.

Por que não fazermos o mesmo para defender o futuro das crianças livre da poliomielite?

Está na hora de exercemos, na prática, as nossas lideranças junto ao poder público para, de fato, aumentarmos a adesão a vacinação. Levar a vacina às comunidades vulneráveis socialmente. Essas pessoas estão longe de postos de vacinação, não têm recursos e tempo para levar suas crianças para se vacinarem, não são focos nas campanhas de vacinação.

Temos que ir efetivamente aonde as crianças estão. Elas dependem de um adulto para se vacinarem.

O caminho é o de advogar junto às secretarias de saúde, buscando soluções de curto, médio e longo prazo. Sabemos que para se alterar o rumo das rotinas no poder público leva-se tempo, devido a necessidade de se alterar leis e normas. Será necessário, cada Rotary Clube, entender as disponibilidades de cada município e, oferecer recursos materiais e pessoal para a solução no curto prazo.

Fazer um projeto piloto em um bairro que esteja com o índice muito baixo de vacinação, custa muito pouco para todos e pode ser o incentivo para o convencimento de muitas pessoas e, assim, mudarmos essa situação.

Advogar, ou advocacy em inglês, é se envolver, influenciar, defender a causa, praticar a cidadania, defender interesses e construir políticas.

Essa iniciativa pode ser feita por todos os clubes, contatando as autoridades de sua cidade, levando o problema, que já é sabido, porém, oferecendo a disposição de ombrear essa ação em favor do nosso principal projeto mundial.

Essa ação implica em tomar iniciativas e decisões que envolverão trabalho e tempo, mas é o que o momento pede para um líder do Rotário.

Chegamos em nosso limite de ação solitária, agora temos que avançar junto com quem tem o poder de combater esse vírus, que é o poder público. A cobrança é necessária sim, mas mostrar o caminho e apoiar as novas ações é fundamental. Na Índia e no Afeganistão o Rotary já faz esse papel. Vamos copiá-los.

Ouvimos muito sobre chegar ao chão de fábrica. Precisamos ir ao chão das favelas e às casas daqueles que não têm como levar suas crianças até um posto de saúde. Precisamos convencer o poder público a ir até lá. Será um trabalho de várias formiguinhas, em cada cidade, em cada região, em cada bairro.

Em Santos, por meio do meu Rotary Club já iniciamos essa ação. Iremos em conjunto, com a Secretaria de Saúde, realizar a vacinação em residências em um bairro, durante um mês. Para isso custearemos uma pessoa que auxiliará nos controles e o transporte diário dos agentes e das doses de vacina.

Outras ações também podem contribuir para a melhoria do atual panorama, mas é necessário medir o resultado.

Vamos dar um passo a mais para afastarmos esse risco.

             Outubro 2022, Marcos A F Franco 

             GD 2010-11 D4420 

             Publicado na Rotary Brasil Dez 2022

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cego, Surdo e Bem-casado

Enquanto caminhava na esteira da academia, ouvi de um personal trainer uma afirmação curiosa: “O casamento afeta os sentidos, especialmente ...