Falar com rotarianos sobre o nosso maior projeto, a Erradicação da Pólio, é chover no molhado. Muitos tomam conhecimento da nossa histórica luta, ainda antes de serem admitidos. São quase 40 anos buscando parcerias e fundos para evitar que crianças sejam acometidas dessa doença.
Esse imenso
trabalho, realizado por milhares de institutos e organizações, liderados pelos
rotarianos, produziu excelentes resultados, a tal ponto, que muitos jovens não
têm conhecimento da doença. Esse fato, hoje, dificulta a conscientização de
milhares de pais, que não levam seus filhos para serem vacinados. A
consequência é um índice de vacinação baixíssimo que favorece o retorno do
vírus causador da doença.
Entretanto,
nós, rotarianos conscientes, sabemos dessa gravidade. Percebo a inquietação em
boa parte. O estímulo pela divulgação da importância da vacinação sempre foi
feito pelas lideranças rotárias, até mesmo campanhas e concursos para esse fim.
Mal
comparando, estamos em uma situação de guerra contra esse vírus. Ele está
ameaçando o nosso maior objetivo que é o da erradicação da doença. Necessitamos
mais envolvimento no problema, sob pena de jogar por terra o trabalho já
realizado, por vários anos, por milhares de rotarianos.
Não podemos
deixar isso acontecer!
Muitos
rotarianos, com toda legitimidade, defendem suas ideias com fervor, investindo
seu tempo e dinheiro, seja repassando informações, tomando consciência de
propostas, saindo nas ruas para manifestações, enfim defendendo o seu ponto de
vista.
Por que não
fazermos o mesmo para defender o futuro das crianças livre da poliomielite?
Está na hora
de exercemos, na prática, as nossas lideranças junto ao poder público para, de
fato, aumentarmos a adesão a vacinação. Levar a vacina às comunidades vulneráveis
socialmente. Essas pessoas estão longe de postos de vacinação, não têm recursos
e tempo para levar suas crianças para se vacinarem, não são focos nas campanhas
de vacinação.
Temos que ir
efetivamente aonde as crianças estão. Elas dependem de um adulto para se
vacinarem.
O caminho é o
de advogar junto às secretarias de saúde, buscando soluções de curto, médio e
longo prazo. Sabemos que para se alterar o rumo das rotinas no poder público leva-se
tempo, devido a necessidade de se alterar leis e normas. Será necessário, cada
Rotary Clube, entender as disponibilidades de cada município e, oferecer
recursos materiais e pessoal para a solução no curto prazo.
Fazer um
projeto piloto em um bairro que esteja com o índice muito baixo de vacinação,
custa muito pouco para todos e pode ser o incentivo para o convencimento de
muitas pessoas e, assim, mudarmos essa situação.
Advogar, ou advocacy
em inglês, é se envolver, influenciar, defender a causa, praticar a cidadania,
defender interesses e construir políticas.
Essa
iniciativa pode ser feita por todos os clubes, contatando as autoridades de sua
cidade, levando o problema, que já é sabido, porém, oferecendo a disposição de
ombrear essa ação em favor do nosso principal projeto mundial.
Essa ação
implica em tomar iniciativas e decisões que envolverão trabalho e tempo, mas é
o que o momento pede para um líder do Rotário.
Chegamos em
nosso limite de ação solitária, agora temos que avançar junto com quem tem o
poder de combater esse vírus, que é o poder público. A cobrança é necessária
sim, mas mostrar o caminho e apoiar as novas ações é fundamental. Na Índia e no
Afeganistão o Rotary já faz esse papel. Vamos copiá-los.
Ouvimos muito
sobre chegar ao chão de fábrica. Precisamos ir ao chão das favelas e às casas
daqueles que não têm como levar suas crianças até um posto de saúde. Precisamos
convencer o poder público a ir até lá. Será um trabalho de várias formiguinhas,
em cada cidade, em cada região, em cada bairro.
Em Santos, por
meio do meu Rotary Club já iniciamos essa ação. Iremos em conjunto, com a
Secretaria de Saúde, realizar a vacinação em residências em um bairro, durante
um mês. Para isso custearemos uma pessoa que auxiliará nos controles e o
transporte diário dos agentes e das doses de vacina.
Outras ações
também podem contribuir para a melhoria do atual panorama, mas é necessário
medir o resultado.
Vamos dar um
passo a mais para afastarmos esse risco.
Outubro 2022, Marcos A F Franco
GD 2010-11 D4420
Publicado
na Rotary Brasil Dez 2022

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