quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Coincidência com um gajo irmão gêmeo


            De tempos em tempos nos deparamos com uma coincidência. Algumas mais óbvias, outras improváveis, algumas desagradáveis e até inimagináveis. Todos nós, de alguma forma, já vivemos uma experiência dessas.

Sempre que isso ocorre, imediatamente, em um instante, algo acontece em nossa cabeça e, até mesmo, em nosso corpo. Pode ser um sentimento agradável, até de felicidade, ou nem tanto assim. Por vezes é o oposto, causando-nos tristeza ou raiva.

A repetição inesperada de algo, ou um fato inimaginável, não é comum. Também é incomum a justaposição ou a identificação de duas coisas. Mas em nossas vidas, não sabemos por qual motivo, elas ocorrem. Essas situações nos fazem refletir sobre o porquê disso. É sorte, é azar, ou simplesmente é a vida?

Em uma das viagens, a passeio, que meu sogro fez para a Europa, quando estava dentro de um elevador de um hotel na Alemanha, entrou uma senhora espanhola. Percebendo que meu sogro era brasileiro ela disse que o seu irmão, chamado Pablo, residia no Brasil.

Meu sogro, muito conversador, por pura curiosidade, perguntou a ela onde o seu irmão residia, com o intuito apenas de travar um contato. Ela respondeu que ele residia em uma pequena cidade do estado de São Paulo, chamada São Roque. Meu sogro ficou admirado, porque eu residia lá. Então ele perguntou qual era a atividade profissional dele. Ela respondeu que ele era empreiteiro-construtor de casas.

Por uma incrível coincidência, eu estava construindo uma casa, cujo empreiteiro era o Pablo, irmão dela. Meu sogro respondeu a ela que o conhecia. A partir daí, continuaram a conversa, podendo se conhecer um pouco mais. Já o meu sogro, quando retornou de viagem, acrescentou em seu cardápio de assuntos essa coincidência. Ele contava a história com muitos detalhes, transbordando alegria.

O que pode explicar o fato de ambos se encontrarem em um país diferente para eles, em um determinado instante único, em um elevador, em um lugar que ambos jamais tinham visitado e, jamais retornariam lá. Por apenas alguns segundos eles não saberiam da existência um do outro, caso tivessem utilizado o elevador em outro momento.

Em 1992, viajando com a minha família, ao cruzarmos a Fronteira entre a Espanha e o norte de Portugal, apresentei meu passaporte para um gajo, inspetor de fronteira. Ele verificou o documento, olhou cuidadosamente a minha foto e o meu rosto. Em seguida me pediu que eu o seguisse até o escritório.

Fiquei receoso, sem entender nada. Quando chegamos ao escritório ele me mostrou o seu documento de identidade. Pude ver, em seu documento, que o primeiro nome era igual ao meu. O mais incrível, foi verificar que a sua data de nascimento era idêntica a minha: dia, mês e ano. Encontrei, por pura casualidade, um irmão gêmeo de pais diferentes. Ele sou eu em Portugal e, eu sou ele no Brasil. Oh pá!

A sensação é muito estranha. Você fica pensando e tentando entender por que ocorre esse instante único. Existem no mundo várias pessoas que nasceram no mesmo dia que eu, mas com o mesmo nome devem ser pouquíssimas. Encontrá-las ao acaso, em um outro país, é como ganhar na loteria.

Há quem não acredite em coincidências. Para o professor de matemática e autor do livro Fluke: The Maths and Myths of Coincidences Joseph Mazur, da faculdade de Marlboro, em Vermont, Estados Unidos, tudo se resume a probabilidades, até nos casos mais inacreditáveis.

É de Albert Einstein a frase: “Coincidência é o nome de Deus quando ele quer permanecer anônimo”. Já os espanhóis convivem com um ditado popular, muito conhecido em todo o mundo, de origem galega: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

Penso que a coincidência é um pouco de tudo: probabilidades matemáticas, sincronismo místico, um pouco de tempero das bruxas, mas com Deus orquestrando nossas vidas. 

Junho de 2022, Marcos A F Franco

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