De tempos em tempos nos deparamos com uma coincidência. Algumas mais óbvias, outras improváveis, algumas desagradáveis e até inimagináveis. Todos nós, de alguma forma, já vivemos uma experiência dessas.
Sempre que isso
ocorre, imediatamente, em um instante, algo acontece em nossa cabeça e, até
mesmo, em nosso corpo. Pode ser um sentimento agradável, até de felicidade, ou
nem tanto assim. Por vezes é o oposto, causando-nos tristeza ou raiva.
A repetição
inesperada de algo, ou um fato inimaginável, não é comum. Também é incomum a
justaposição ou a identificação de duas coisas. Mas em nossas vidas, não
sabemos por qual motivo, elas ocorrem. Essas situações nos fazem refletir sobre
o porquê disso. É sorte, é azar, ou simplesmente é a vida?
Em uma das viagens,
a passeio, que meu sogro fez para a Europa, quando estava dentro de um elevador
de um hotel na Alemanha, entrou uma senhora espanhola. Percebendo que meu sogro
era brasileiro ela disse que o seu irmão, chamado Pablo, residia no Brasil.
Meu sogro, muito
conversador, por pura curiosidade, perguntou a ela onde o seu irmão residia,
com o intuito apenas de travar um contato. Ela respondeu que ele residia em uma
pequena cidade do estado de São Paulo, chamada São Roque. Meu sogro ficou
admirado, porque eu residia lá. Então ele perguntou qual era a atividade
profissional dele. Ela respondeu que ele era empreiteiro-construtor de casas.
Por uma incrível
coincidência, eu estava construindo uma casa, cujo empreiteiro era o Pablo, irmão
dela. Meu sogro respondeu a ela que o conhecia. A partir daí, continuaram a
conversa, podendo se conhecer um pouco mais. Já o meu sogro, quando retornou de
viagem, acrescentou em seu cardápio de assuntos essa coincidência. Ele contava
a história com muitos detalhes, transbordando alegria.
O que pode explicar
o fato de ambos se encontrarem em um país diferente para eles, em um
determinado instante único, em um elevador, em um lugar que ambos jamais tinham
visitado e, jamais retornariam lá. Por apenas alguns segundos eles não saberiam
da existência um do outro, caso tivessem utilizado o elevador em outro momento.
Em 1992, viajando
com a minha família, ao cruzarmos a Fronteira entre a Espanha e o norte de Portugal,
apresentei meu passaporte para um gajo, inspetor de fronteira. Ele verificou o
documento, olhou cuidadosamente a minha foto e o meu rosto. Em seguida me pediu
que eu o seguisse até o escritório.
Fiquei receoso, sem
entender nada. Quando chegamos ao escritório ele me mostrou o seu documento de
identidade. Pude ver, em seu documento, que o primeiro nome era igual ao meu. O
mais incrível, foi verificar que a sua data de nascimento era idêntica a minha:
dia, mês e ano. Encontrei, por pura casualidade, um irmão gêmeo de pais
diferentes. Ele sou eu em Portugal e, eu sou ele no Brasil. Oh pá!
A sensação é muito
estranha. Você fica pensando e tentando entender por que ocorre esse instante
único. Existem no mundo várias pessoas que nasceram no mesmo dia que eu, mas
com o mesmo nome devem ser pouquíssimas. Encontrá-las ao acaso, em um outro
país, é como ganhar na loteria.
Há quem não
acredite em coincidências. Para o professor de matemática e autor do livro Fluke:
The Maths and Myths of Coincidences Joseph Mazur, da faculdade de Marlboro,
em Vermont, Estados Unidos, tudo se resume a probabilidades, até nos casos mais
inacreditáveis.
É de Albert
Einstein a frase: “Coincidência é o nome de Deus quando ele quer permanecer
anônimo”. Já os espanhóis convivem com um ditado popular, muito conhecido
em todo o mundo, de origem galega: “No creo en brujas, pero que las hay, las
hay”.
Penso que a
coincidência é um pouco de tudo: probabilidades matemáticas, sincronismo
místico, um pouco de tempero das bruxas, mas com Deus orquestrando nossas vidas.
Junho de
2022, Marcos A F Franco

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