Eu falei com um anjo rotário! Só pode
ser.
Dizem que eles passam pelas nossas vidas
e não deixam pegadas.
Era o ano de 2008, quando eu retornava
do excelente Instituto Rotary Brasil de Belo Horizonte. Enquanto aguardava o
meu voo, um ex-Governador de um distrito do interior de São Paulo resolveu
tomar seu cafezinho acompanhado do imperdível pão de queijo. Justamente, no
mesmo local em que eu estava.
Eu e ele portávamos o pin rotário. Nessa
época eu já era Governador designado do meu distrito. Fase em que nossos
olhares e curiosidades ficam aguçados. Rapidamente nos apresentamos e para
minha sorte os voos atrasaram. Pude ouvir uma história de uma experiência
incrível que ajudou a nortear as minhas decisões e iniciativas relativas ao
desenvolvimento do quadro associativo.
Como ex-presidente de clube eu já tinha
trabalhado profundamente nesse assunto, liderando a fundação de 3 clubes. Ele,
consciente da importância em manter e desenvolver o Rotary em sua região
trabalhou com afinco para o crescimento e manutenção de clubes.
Quando de suas Visitas Oficiais, em uma rota
longínqua de viagem, após duas visitas realizadas, chegou em uma pequena cidade
cumprindo o cronograma definido e ajustado com os Presidentes. Após alguns
quilômetros rodados ele e sua esposa estacionaram o seu carro em um posto de
gasolina, o local e hora definida para o encontro com os membros do Clube.
Aguardaram por mais de 1 hora, quando ele
decidiu contatar o secretário do Clube. Ainda não existia uma rede de
comunicação de celulares confiável. Ele foi obrigado a buscar o telefone fixo.
Ao atender o telefone e saber quem estava ligando, o secretário informou de que
o Clube já não existia mais, portanto não haveria a Visita Oficial.
O nosso anjo rotário, calmo e ciente de
sua missão, solicitou a presença do secretário para entender melhor o ocorrido.
O secretário ao final do encontro, foi convencido pelo Governador a agendar uma
reunião com o Prefeito da cidade, pai da então presidente do Clube. O casal se
submeteu a posar aquela noite, como fala o caipira, em uma pequena pensão, em
um quarto sem banheiro.
No dia seguinte o Prefeito o recebeu,
sem a presença da sua filha, mas junto com o secretário do clube. Quando o Governador
chegou ao gabinete do Prefeito, ainda ansioso de como ele poderia estabelecer
um vínculo pessoal como estratégia de negociação, avistou um quadro de uma
ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira.
Ao iniciar sua conversa, soube que ela
nasceu na cidade. Vínculo estabelecido, ele ouviu do Prefeito que embora boa
parte dos rotarianos que deixaram o clube fossem funcionários públicos, eles
estavam desinteressados, restando apenas custos para manter o Clube aberto.
O Governador com a sua genial
habilidade, solicitou que todos os quase ex-rotarianos pudessem participar de
um jantar nesse mesmo dia para ouvi-lo sobre o que veio fazer na cidade.
Ponderou também que seria ruim politicamente para o Prefeito se um Rotary Clube
fosse extinto em seu mandato.
Para alegria do Governador e felicidade
do Rotary, o jantar se realizou. Ele com a sua persuasão, característica de um
grande líder, convenceu os rotarianos a manterem o Clube funcionando e a desenvolverem
suas atividades para a comunidade.
Até a data do relato de Confins, já
fazia 3 anos que o clube tinha renascido.
Essa experiência foi uma verdadeira
aula, em que pude colocar em prática durante o meu ano rotário como Governador,
evitando o fechamento de 3 clubes.
Não me lembro o nome do anjo, mas sei
que ele já está no céu cuidando de algum clube rotário.
As Visitas Oficiais são fundamentais
para a manutenção e sobrevivência dos clubes rotários. O contato pessoal, o
olho no olho, a dinâmica da motivação cria vínculos e dão esperança para os
líderes locais tornando real e dando vida à nossa organização.
Abril 2024, Marcos A F
Franco